sábado, 3 de junho de 2017

Isto define-me

ou adoro o livro ou não o leio.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Assolapadas

Tenho saudades de paixões. Daquelas bem minhas, assolapas. De quando tudo servia de pretexto para escrever um post. De quando descobri o instagram e fiz da cadela a musa de uma pretensa artista. De quando o ombro de alguém era o meu lugar favorito ou o toque duma mensagem me acelerava o coração. 
Tenho a certeza que os meus amigos não têm saudades nenhumas dessas minhas montanhas russas, de cima a baixo, a cada 5 segundos, mas, na verdade, a mim não me importa chorar. O que preciso é de sentir. Só de sentir. 

Embalo

Ontem tive insónias. Três da manhã e eu, que tinha uma reunião daquelas, logo às oito, nada de dormir. Nem um bocejozinho para amostra. 
E que faz uma pessoa quando não consegue adormecer? Lê este blogue. Vão por mim, é (foi) tiro e queda.
Fui ler lá bem para os primórdios da coisa e, para além do tremendo sono que a coisa me deu, tive ali um misto de vergonha e orgulho. Tanta coisa mudou, tanta coisa aprendi. Mas tive, sobretudo, muita saudade. Da ingenuidade. E de ainda saber escrever português, sem expressões de emigrante, que já não diz uma frase sem um "by the way", que subsitituiu um bom "porra" pelo "fuck" e ainda tentava acertar na ortografia. 
E foi isto. Bons sonhos. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Somos do tamanho do que vemos

Acho que todos achamos que somos mais do que os nossos erros. Por mais graves que sejam, achamos todos que somos tão mais que isso. 
Um erro no trabalho, não apaga todos os teus outros feitos. Um erro com uma pessoa, nao impede que aquela tua outra amiga te ligue, numa urgência. Um erro numa relação, não  impede que o teu ex te relembre que foste o seu primeiro amor. Um acto de egoísmo, não retira o sangue que doaste. Um pouco mais de sal na comida, não impede a boa sobremesa que lhe segue. 
Pergunta ao maior dos estafermos e te dirá que sim, que é boa pessoa, que merece o melhor e tem um bom fundo. Cometeu um erro. Uma injustiça da parte daqueles que não o vêem . 
O teu coração é espaço enorme, onde pode não caber o vizinho que ouve Marco Paulo, pela manhã, aos Domingos, mas enche-se pela boazona de sábado à noite, pelo amigo que paga um copo, pelo cão que te lambe a cara, quando te vê. Somos todos enormes, maiores que os nossos erros, os pensamentos mais mesquinhos, as ideias mais estapafúrdias. Queremos todos o melhor, estar perto das pessoas que admiramos, dos livros que gostamos, das músicas que nos animam, das urgências que temos. 
Tenho urgência de saber de quem gosto, por quem tenho estima, com quem tive bons momentos. 
Um copo de vez em quando, uma conversa nostálgica, um coração que se enche até ao tamanho dos nossos erros. Até ser maior que os nossos 

Gostava de, um dia, tomar um copo, ao lusco-fusco, numa conversa amena, com alguém por quem tenho urgências de saber bem.  Dás-me noticias?

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mais além

Cedo aprendi que é boa prática querer sempre mais e melhor.

Em miúda, deveria procurar ter melhor notas, em adulta, procuro sempre mais conhecimento, mais desenvolvimento, mais qualquer coisinha, que pode ir desde de melhorar, eu, o meu próprio trabalho ou procurar melhores condições.

Diz que se chama ambição e que é saudável.

Habituamo-nos tanto a querer mais e melhor (e viva o capitalismo!) que não o procuramos apenas em actos de consumo ou em factores laboriais. Passámos a esperar, também, mais e melhor das pessoas que nos rodeiam. Seja a colega intragável à segunda-feira, seja um namorado que não faz aquilo que tanto gostávamos.

Eu acredito na procura pelo o melhor do melhor. Mas acredito muito pouco se essa procura se baseia em coisas que não controlamos. E pessoas, sejam elas mais ou menos intimas, próximas ou não, são, invariavelmente, coisas que não controlamos. Podemos até, ajudá-las a melhorar, seja em que aspecto for. Apenas, e se, houver pré-disposição para tal. E eu, pessoalmente, gosto de gente que procura sempre ultrapassar-se a si própria.

Com alguém que achamos que podia melhorar um aspectozinho qualquer, temos duas hipóteses. Ou aceitamos e gostamos daquilo que já são ou não gostamos e não aceitamos. Não aceitando, vai cada um à sua vida. Está mais que provado que esperas por melhorias são uma utupia. Tudo o resto é sorte. Ou nós próprios quem melhora.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Eu não te entendo

Vou te confessar uma coisa, eu nem sempre te entendo.

Não entendo as tuas decisões, as tuas escolhas, a forma como vives a vida.

Não entendo porque te isolas ou porque escolhes passar o teu tempo com pessoas com as quais não me identifico. Não entendo porque é que não fazes dieta ou porque escolhes não sair do ginásio. Não entendo porque manténs uma relação ou porque escolhes acabá-la. Nem sequer entendo porque a decides iniciar ou forçar ou reconquistar.

Porque entendendo ou não, terei sempre um abraço para te dar, um ombro para chorar ou um todo para celebrar. Porque este é o meu conceito de amizade. Identifico-me contigo em muitas outras coisas, rio-me a bom rir quando estamos bem, gosto das eras, passadas ao telefone, a analisar o que te atormenta ou te faz feliz.

Nem sempre te entendo, porque acima de tudo, não te julgo. E porque gosto de ti.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

helena

Passaram tantos por mim. Porque não ficou nenhum? Para que houvesse um teria que haver todos os outros? Para que esse passasse teriam que passar todos? Teve mesmo que ser assim?

Saio sozinha, encontro alguns amigos nos locais do costume, e volto sozinha. Dói-me muito ver a cama vazia. Parece-me injusto. Cada vez é mais difícil. Vejo as coisas do quarto: a cama branca, as duas cadeiras, as cortinas caídas. Fazem-me sentir como se eu estivesse ali a mais, como se fosse uma intrusa.

Às vezes dormem comigo. Mas é só uma infidelidade que cometem para provarem a si próprios que ainda estão muito agarrados às namoradas. Quando pedem desculpa ainda são mais miseráveis. Fico com os nomes de todas na memória.

Rogo por amor e ninguém me ouve. Mais valia não haver palavras, só suspiros e risos e choros. Talvez alguém ouvisse. Talvez alguém entendesse.

Dou comigo a rezar diante de uma parede de pedra e tenho por única resposta o eco da minha voz. Estou cada vez mais sozinha.

Ninguém me agarra e diz: "Quero-te como não é possível querer mais alguém. Leva-me contigo. Ou então eu levo-te comigo." Não. Tocam-me mas ninguém me agarra. Querem só tocar. Batem nos vidros, riem-se e eu rio-me. E depois partem.

Estou muito cansada. O meu coração está muito pesado.

Passaram tantos por mim. Porque não ficou nenhum? Teria que ser assim, mesmo assim?

Pedro Paixão

1989