terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Rai's parta os c@brões dos vizinhos, que estão a fazer um festival de techno, mesmo por cima da minha cabeça. E a saltar que nem uns cavalos. E eu aqui, com um avião para apanhar amanhã, que, desta vez, não há neve que me impeça (é melhor estar caladinha, não vá o diabo tecê-las). Shut the fuck up!!!



sábado, 25 de dezembro de 2010

Os meus amigos são os melhores do Mundo!

Para aqueles que este ano não viram, pela milésima vez, o filme Sozinho em casa e, também, para aqueles que voltaram a ver, apresento-vos a grande estreia mundial: Sozinha em Casa, na Irlanda.
É verdade, a neve estragou os planos, mas fiquem sabendo que a Clara não se ficou. Deu um grande chuto na p$&@ da neve (literalmente, os meus vizinhos confirmaram as suas suspeitas...) e meteu-se num supermercado cheio de familias apressadas e stressadas e preparou uma ceia de rainha (em qualidade e quantidade).

Como os meu colegas irlandeses tão bem aprenderam, if you don't have a dog, hunt with a cat.
Já que se tratava de um Natal tão pouco convencional, substituí as azevias por uns belos crepes com nutella e banana, o perú, por uma bela massa e o arroz doce, por uma tarte de maçã.
Este não era o menu inicial. Mas faltava-me uma peça da bimby para o risotto de gambas. E ficar, sozinha, na noite da consoada, a deitar conchinhas de caldo para uma panela, estava fora de questão. Deixar-me ficar "ai que sou uma desgraçadinha, que não só nao foi passar o natal a casa, como não tem a "borboleta" da bimby", também não. Compensou-se no parmesão e já está. Aliás, seguindo o conselho da S., não foi massa que eu comi, foi parmesão com massa.
Ficou daqui (e levo a mão à orelha enquanto escrevo).


O dia que se adivinhava dificil, acabou por não ser assim tão dificil. Graças ao P. que ligou na hora e avisou aqueles que me são importantes, graças à S. que me mandou um MMS do meu presente, para que não perdesse totalmente essa magia, graças ao L., que, alheio à minha situação, foi partilhando as suas fotos, de pai babado, do Guilherme, acabadinho de nascer, graças a todos os que ligaram, mandaram sms e deixaram mensagens no facebook.
Nada compensa um Natal longe da familia, mas estes gestos ajudaram. Em vez de um dia inteiro a chorar e a desdizer a p$&@ da neve, chorou-se só um bocadinho (P., meu amor, calha-te sempre a ti! Abracinhoooooooooo para ti e esse ombro maravilhoso, sempre disponível).

Este não é um texto tão divertido como os outros que vos tenho escrito. Porque, afinal, nem todos os dias são perfeitos. Fiz questão de vos homenagear com as minhas palavras, por todo o apoio dado.

Dia 28, se a p$&@ da neve se acalmar e deixar-se estar quietinha, terei a minha consoada. Ainda mais especial e com o protagonismo todo. Os presentes serão só os meus!
Se me permitem o lugar comum, o que não nos mata, torna-nos mais forte.

E, agora, ai do irlandês que me venha falar da maravilha que é o White Christmas!




sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

OBRIGADA A TODOS


Pelas vossas mensagens de apoio. Obrigado pela partilha, por me fazerem sentir que não estou sozinha.
Obrigada àqueles que comentaram, aos quem mandaram mensagem, aos que telefonaram.
Obrigada ao Jorge que procurou uma solução para me ajudar.
Depois destes miminhos todos, fiquei muito mais animada e resolvi, também eu, mimar-me a mim própria.
Em vez de tentar fingir que era um dia normal, fui ao supermercado e estou agora a preparar a minha ceia especial.
Já tive crepes com nutella e banana, já comecei a ver uma série que queria muito e acabei por oferecer a mim própria, já dormi. Já ri e chorei.
Um FELIZ NATAL a todos.



SozinhA em casa

Passaram duas horas, desde que percebi que, afinal, não vou passar o Natal com a minha familia.
Estava a arrumar a casa e a preparar-me para fazer a mala, quando me ligou o meu pai a avisar que o voo tinha sido cancelado.
Demorei a perceber.
Começou por me dizer que tinha recebido um mail da companhia aerea, por ter sido ele a marcar a viagem e eu nem ouvi o resto. Tinha lido que eles estavam a mandar mails a pedir às pessoas que confirmassem o seu voo antes de irem para o aeroporto e achei que era só isso. Não conseguia acreditar noutra hipótese.
Demorei a assimilar. Comecei por chorar tanto que nem conseguia abrir os olhos para ler/ ver o que quer que fosse.
Acalmei-me um pouco e comecei a pesquisar todas as hipoteses. Outros voos. Para Faro, para Porto, directos e indirectos. Nada. Tudo esgotado ou cancelado.
Passadas, agora, duas horas, começo a sentir-me conformada de que vou passar aqui estes dias, sozinha.
Provavelmente, vou deitar-me às 10h e fingir que é um dia como os outros. Um fim de semana. Vou limpar a casa, talvez fazer uns crepes, um bolo ou uma coisa do género. O que for preciso para não passar o dia a chorar, nem receber mensagem de "oh que chato" despreendidas, que ainda custam mais, porque estáo tão distantes da tristeza que sinto.
Nunca me imaginei a passar um Natal longe da familia. E, apesar das noticias sobre mau tempo e voos cancelados, acreditei que só acontece aos outros.




quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ontem

Por causa da neve, o meu chefe decidiu que deviamos trabalhar na casa dele.
Fui bastante contrariada. É muito mais fácil ir da minha casa ao escritório, cujo caminho é sempre plano, que ir até à casa dele, atravesando colinas, subidas e descidas.
Mas o gajo insistiu, porque apanham um táxi e tal, e lá fui.
Fui com a mete-nojo-cor-de-rosinha. Somos vizinhas, para meu azar. A colega fofinha (para contrabalançar também tenho uma colega mesmo mesmo muito fofinha), não foi porque vive, consideravelmente, longe.
Eu e a mete-nojo-cor-de-rosinha, combinámos e marcámos o táxi para as 8h.
Às 7h30, já me estava a ligar a perguntar se eu estaria pronta. Só estava já levantada, porque por um mero acaso, tinha-me levantado 2 minutos antes. E 2 minutos antes do despertador tocar. Se combinámos às 8h, porque raio havia eu de estar pronta meia hora antes? Depois lembrei-me que a mete-nojo-cor-de-rosinha deve levantar-se três horas antes, para ter tempo para decidir se se veste de rosa claro, escuro ou velho e pôr os, habituais, três quilos de base, também cor-de-rosinha. Hoje sobrou-lhe meia hora, porque já só tinha a camisola rosa-bebé lavada.
Depois começou a ligar de dois em dois minutos, para fazer perguntas estúpidas, como quanto tempo ainda ia eu demorar e se estaria à porta de casa às 8h. Ó minha parva, se tivesses ligado menos vezes, tinha-me despachado muito, mas muito mais depressa.
A miúda era toda nervos, como medo de chegar atrasada a casa do chefe. Chegámos meia hora antes do previsto e quase que apanhávamos o homem de pijama.
Tou desconfiada que, se pudesse, tinha lá dormido, só para garantir que estava lá a horas...






Ai, ai, ai!

Falta um dia para regressar a Portugal. Estou nervosa. Não sei bem explicar porquê...
O primeiro mês e meio passaram a correr. Desde Domingo, parace que o tempo não passa, tal é a ansiedade.
E os amigos telefonam menos, só porque estou quase a regressar. Nem os meu pais me ligam...
Não podia ir mais feliz e mais descansada. O trabalho ficou todo arrumadinho hoje. Posso ir e, verdadeiramente, descansada.
Amanhã vou só durante a manhã e só para limar umas arestas.
Desde que comecei a trabalhar, não me lembro de férias tão descansadas. Ao ponto de poder pensar que nem preciso de levar o computador.
Presentes de Natal, também estão praticamente todos. Este ano, consegui ser um bocadinho mais organizada. Vi, a tempo, que a coisa ia correr mal e encomendei online a tempo.
Só me resta que a puta da neve pare e me deixe voar descansada.
Até já tenho o aeroporto de Dublin no twitter. A tecnologia é, sem sombra de dúvida, espectacular. O aeroporto tem twittado todos os updates. Não podia estar mais actualizada relativamente aos voos atrasados, cancelados e às paragens só para espalhar spray "descongelante" nas pistas.
Tá quase, tá quase e eu tou aqui que nem posso!


Passado mês e meio, o meu ouvido começa a habituar-se ao inglês.
E agora, dou por mim, a ouvir os CD's que tenho há anos e a pensar "ahhhhhhhh, afinal era isto que dizia!"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Rai's parta!

A minha casa aqui na Irlanda tem um defeito. Ou melhor, uns quantos defeitos, pequeninos e asquerosos que vão aparecendo de vez em quando. Aranhas. Diz que é por causa do jardim em frente a casa.
Uma das minhas fobias são bichos com mais do que quatro patas.
Não gritar a plenos pulmões quando vejo uma, é uma grande melhoria da minha parte.
O meu pai até me comprou uma cena própria, que me pertime apanhá-las a uma distância segura.
Pois hoje, uma dessas putas, apareceu-me no banho. Saí logo e deixei-a lá... Tou aqui ainda a refazer-me, para ir dar cabo dela!

A distância

A distância protege-nos de algumas coisas, mas deixa-nos expostos a outras.
Ontem foi um dia mais dificil.
E nem sempre eu sei explicar o porquê.
Coisas que me afectariam no outro lado, aqui nem me beliscam. Por outro lado, aborrecem-me coisas trivais, como ter-me esquecido da manteiga, quando, aqui, tudo fecha às 6h da tarde.
A minha vida aqui é feita desses triviais. O trabalho e a minha rotina, são o que tenho como objectivo a cada dia.
As emoções estão um pouco mais à flor da pele. Assim, como dizem que podemos viver as 4 estações do ano, aqui (onde é que está o Verão), há dias, como o de ontem, em que eu vivo todos os meus estados de espírito.
Choro com a soap opera pessima que aqui passa, rio-me com uma mensagem dum amigo, concentro-me no trabalho e fico triste com um ou outro pormenor. Como se do fim do mundo se tratasse e, embora de forma involuntária, eu tivesse que viver tudo duma só rajada.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


Este frio congelou-me os neurónios. Estou sem condições para trabalhar.
Tou aqui há horas, e nada. Ou quase nada.
Quero ir para casa.
Quero quentinho.
E taaaanto que tenho para fazer....

Ainda nao


Tenho tomado a minha dose de anestesia todos os dias. Vou diminuindo a dose, pouco a pouco, convencida que já dela não necessito. As vezes esqueço-me. Porque as vezes já me esqueço que existes. E, na verdade, muitas dessas vezes não faz falta. E tu não fazes falta.
Ontem doeste-me. A anestesia não era a suficiente, para a violência da tua chegada.
A ferida voltou a abrir um bocadinho. E eu desprotegida, porque já não a esperava. Acreditava na cicatriz que sarava.
E desprotegida continua, porque me esqueci de repor o stock daquilo que me protege.
Hoje ainda dois. Talvez um pouco mais ate. Porque a ferida aqui ficou, de um dia para o outro, ao ar livre. Exposta ao frio e ao vento da tua ausência.
Ainda me dois. Ainda...

Odeio Odeio Odeio


Esta merda desta puta desta neve!

sábado, 18 de dezembro de 2010

It isn't getting any better

Preferia mil horas extraordinárias, correr uma maratona, ver a Fatima Lopes, na TVI, qualquer coisa, a passar a ferro!



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Coisas que nao posso dizer aqui...


A mete-nojo faz tudo para agradar ao chefe. Marca-lhe consultas se ele se sente mal, leva-o a casa se ele não tem carro, procura-lhe uma babysiter para ele poder vir ao jantar de Natal da empresa. Ao seu mínimo suspiro, já se ouve a voz dele "Yes, Boss".
E claramente a preferida dele. Vi isso logo no primeiro dia, ainda a lutar com a capacidade de comunicar em inglês.
E não lhe tiro mérito, para alem dos favorzinhos pessoais, vejo que se dedica e empenha muito no trabalho. Sem duvida o sonho de qualquer chefe. Onde lhe faltam capacidades e a nível de companheirismo e trabalho em equipa.
A mim não me incomoda que seja a favorita. E muito menos me incomoda que se chegue a frente nos tais favores. Incomoda-me quando a coisa perturba o meu trabalho.
A menina sabe que e a favorita, mas tem medo que esse posto lhe seja roubado.
E por isso, mete-se no trabalho das outras duas.
Quer saber tudo o que fazemos, como fazemos. E depois diz logo ao chefinho que também ajudou, que também opinou, que também sei la o que.
As vezes, enche-se de si própria e desta clara preferência e arma-se em chefa. Diz-nos que hoje deveríamos fazer isto e aquilo. E atira com um "eu vou dizer ao chefe" se não fazemos o que ela diz.
Por enquanto, a confusão comigo ainda só chegou ao blogue, onde vou desabafando. Tento relativizar. Espeto aqui com os meus insultos, respiro fundo, faço-lhe o meu melhor sorriso e continuo o meu trabalho. Com a outra colega a coisa já foi um bocadinho mais longe, embora eu desconheça todos os detalhes. Só sei que a outra acabou por lhe dizer das boas em frente ao chefe e agora vai ter uma conversa com ele.
Sinceramente, acabo por ter pena dela. Com esta demanda de agradar ao chefe, trabalha que se desunha, arranja lenha para se queimar e ainda se afasta da equipa.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Foi bom


depois da reunião ver as vossas mensagens de boa sorte.
Que aqui tenho uma mete-nojo cor-de-rosinha a sabotar o meu trabalho.

Isto de estar dependente doutra gaja para nos ensinar o que temos que fazer e lixado.
E, por causa disso, hoje teremos horas extraordinárias.

Nervosinhos


Hoje vou ter a primeira reunião a solo, para mostrar o primeiro trabalho a solo, com o meu novo chefe.
Estou que não posso, cheia de borboletinhas no estômago.
Wish me luck.

Vários


- Os papas voltaram hoje para Portugal. Eu volto daqui a uma semana.

- Depois de mês e meio voltei a conduzir o meu boguinhas tuga. Depois de um mês a conduzir o carro alugado, comecei por estranha-lo. O travão que não e tão sensível, os comandos para luzes, limpa para-brisas e outros que são diferentes. Senti-me uma traidora para com aquele que me acompanha há 3 anos. Mas soube tão bem o volante do lado esquerdo, as mudanças do lado direito, os meus CDs e tudo o resto.

- Hoje estão 8 graus POSITIVOS. E a puta da loucura!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vencedora

Uma amiga, ontem, perguntou-me se eu estava, realmente, bem, aqui. Disse-me que quando me lê no blogue, fica na dúvida.
Não tinha a percepção que nas minhas palavras não se conseguisse ler o quão feliz me sinto.
Nas vésperas de aqui chegar, vacilei. Tinha medo de muitas coisas e tinha medo de estar a fugir.
Há um mês atrás não estava feliz. Nada mesmo. Habituei-me a conformar-me. Habituei-me a fingir que estava. E, às vezes, acreditava nisso. Agarrava-me às pequenas coisas e acreditava que chegavam. Só hoje consigo perceber isso.
Precisava desta mudança. Por vários motivos.
Os meus dias aqui são bem diferentes. E, provavelmente, essas coisas que me fazem feliz, são mais pequenas aindas do que essas a que me agarrava.
Tal como já escrevi, aqui, sobrevivo. Sobrevivo, porque comecei do zero. Perdi algum do meu conforto e vou conquistando um novo, dia após dia. Todos os dias, tenho que aprender algo novo. Desde uma nova palavra, ao trabalho, que é bastante diferente. Todos os dias, encontro um novo obstáculo. Nem sempre é fácil. Seria bastante mais fácil ficar e fazer aquilo que se sabe já de cor. Mas seria muito menos desafiante.
Todos os dias me deito, com um sentimento de vencedora. E não há melhor sono que esse.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mete-nojo*


La porque o chefe estr doente, não tens que te armar em chefinha.

*expressão, descaradamente, roubada a mulher certa, que assenta que nem uma luva a coleguinha cor-de-rosinha.

(Sempre fui contra departamentos só de mulheres)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Inglês (ou a vantagem de ter cá os pais)

Soube a pouco - taste few
Brasil - Brésil
A sua filha teve uma proposta de emprego - your daughter got a proposal
É servido? - do you enjoy?
Queijo de cabra - cheese of the bitch

Factos (ou parvoíces minhas)

- desde que estou a viver na Irlanda, acordo muitas vezes sem saber onde estou e só percebo onde estou quando vejo a janela, que aqui está à direita da cama e, na minha casa em Portugal, encontra-se à esquerda;
- uma noite sonhei que me obrigavam a voltar para Portugal, coisa que, neste momento não me apetece mesmo nada;
- detesto pôr creme ou baton do cieiro, sinto-me peganhenta.
- detesto que uma pessoa que não conheço ou acabei de conhecer me toque. Uma massagem, num qualquer spa, é-me fisicamente dolorosa;
- já tive um caso com uma figura pública;
- gosto de homens com queixo quadrado, acho sexy covinhas no fundo das costas;
- ao contrário do que muitas vezes faço acreditar, não sou uma mulher independente, que não acredita no amor. Só não me importo de esperar, nem acho que seja uma prioridade. Há uns meses atrás, escrevi exactamente o contrário, que já não acreditava. Acho que faz parte, é uma das fases dum luto;
- tenho uma amizade que considero um amor platónico. Não o desejo, mas morro de saudade, sinto-me melhor pessoa ao seu lado, faz-me sempre feliz e gosto tanto tanto tanto dele, que só pode ser amor. Mesmo que platónico;
-este blogue, para além de relatos de viagem, tem muitos desabafos. Daqueles que duram 5 minutos e que depois de deitados cá para fora, passam a ridículos. Um blogue também serve para isso. E não apenas para verdades absolutas.




sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Bbbbbb


Ao ler este titulo iras perceber que te escrevo a ti.
Escrevo-te, porque tudo o resto não me parece suficiente.
Tens sido um dos meus pilares. mesmo a distancia. As tuas mensagens, as tuas chamadas, os teus comentários ajudam-me a ter forcas. A tua vontade de vir, os teus pedidos para que eu vá, as tuas palavras ajudam a que não sinta a falta da tal vida social de que falo ali em baixo. Preenchem-me.
Demorei dois dias a escrever-te aquele mail, porque nada me parecia suficiente, para te fazer entender a dimensão. O eco que consegues fazer com que persista.
Um simples obrigada, não me soava suficiente e não encontrei, ainda, algo tão grandioso como aquilo que me ofereceste.
Sinto-te a falta e sinto-me em falta.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O que fazes depois do trabalho?

Há muito gente que me pergunta que faço eu depois do trabalho.
Pois faço imensas coisas. Vou para casa, descanso, vou ter com os pais, como, vou a internet, telefono, etc etc etc.
Não, não vou beber um copo, nem vou lanchar com amigos, nem vou socializar.
Chega-me o que tenho.
As cinco da tarde aqui já parecem 10h da noite, Está escuro e eu estou de rastos, por passar o dia a falar e a ouvir em inglês e passar o dia aprender coisas no trabalho.
Não tenho forças, nem tempo, nem vontade para muito mais.
Também não tenho amigos aqui, mas, na verdade, nesta fase de adaptação não sinto falta nenhuma. Chegam vocês, os que estão ai desse lado. Os amigos que telefonam, enviam mails, comentam o facebook. Os que comentam o blogue, os que escrevem noutros blogues.
Portanto, não se escandalizem, nem tenham pena de mim.
La chegarei.

a correr, a correr


Já só faltam 16 dias para voltar a Portugal.
Já passou um mês e 10 dias desde que cá cheguei.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Necessidades

Quando criei este blogue fui muito exigente com aquilo que queria escrever nele. Não queria um assunto qualquer, escolhia as palavras com cuidado. Queria máxima qualidade, dentro daquilo que permitem as minhas capacidades.
Até que me deparei com este novo mundo sem acentos e novas histórias. Não queria fazer dele um diário de viagem e pensei até criar um paralelo, para dar notícias aos amigos e registar aquilo que quero, mais tarde, recordar.
Na verdade, a teoria de maslow está correcta. O ser humano, só tendo o nível das necessidades básicas satisfeito, sente as necessidades do nível seguinte.
Eu, aqui, sobrevivo.
Não tenho o conforto a que estava habituada.
Para lá caminho. Já não tenho a casa suja, já tenho vários instrumentos de cozinha, já tenho TV. Atingi o primeiro nível. Faltam-me agora as botas para a neve, a roupa mais quentinha, saber conduzir nesta neve, perceber tudo o que me dizem, saber, exactamente, como fazer o meu trabalho. Faltam-me amigos e vida pessoal.
Tendo pela frente necessidades que antes se encontravam antes tão preenchidas, os meus problemas agora são outros. Não me assolam as mesmas questões, não me atormentam as mesmas situções. O que deixei em Portugal, por lá ficou. E enquanto me preocupo, pela manhã, em não escorregar na neve, apetece-me rir dessas minhas antigas preocupações.
E sorrio, muito. Porque, caindo ou não, sinto-me, finalmente, em paz.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O desfecho

Muitos de vos devem estar a perguntar-se como terminou a historia da plagiadora.
A verdade e que nao sei.
Denunciei-a no proprio facebook, por utilizar copyright indevido e informei os lesados.
Esses lesados disseram-me que iam tratar do assunto.
De resto, nao sei mais nada...

Horas e horas gastas


a ver o Tim Gun e outros que tais. A tentar perceber o que (nao) posso usar e agora so queria estar baixinha, gordinha e quentinha com umas destas.
Diz que tambem nao escorregam e isso tambem dava jeito. Ontem ja fui de rabo ao chao.

Isto hoje foi muita giro


Nevou a noite toda, todinha. Por isso, comecamos logo o dia a escavar a neve em cima dos vidros.
As estradas estavam limpas, os passeios e que tinham camadas e camadas de neve.
Cheguei ao estacionamento do escritorio, que e ao ar livre e tava carregadinho de neve. Imaginem o estacionamento de um supermercado (isto esta num retail park). A parte das estrada em si, tava razoavel. De tantos carros passarem, a neve estava baixinha. Para estacionar e que era pior. Uns15/20 cm de neve. O carro ficava sempre atascado.
Resolvi voltar a rotunda, para ver se consegui arranjar um lugar onde fosse logo de frente, que sempre facilita a subida da neve. Com as acelaracoes para desatascar, a neve que estava em cima do carro, comecou a cair para o vidro da frente e eu nao via nada de nadinha. Com os nervos, distrai-me e entrei na rotunda ao contrario. Como se estivesse em Portugal!
La consegui estacionar depois, andado para tras e para a frente com o carro. Vendo a patinar e a aproximar de arvores e candeeiros. Mas ja esta. I did it. mesmo depois de isto tudo!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Peguei no meu casaco, cachecol e luvas e fui enfrentar estes cinco graus negativos que por aqui se sentem, para poder fumar um cigarro.
Enquanto observava a neve e as estalictites dos candeeiros e outros metais na rua, vi passar um gatinho, pequenino, com nao mais que umas semanas.
Fiquei atormentada, a pensar no pobre bichinho e na temperatura que se sente la fora.
Nao tivesse ele fugido e e bem provavel que estivesse ja numa certa casinha, cujo o bom aquecimento permite uns 25 graus.

Estou a comecar a ficar irritada


Contra-respondi a plagiadora. Se calhar nao devia. Mas mesmo depois da minha mensagem, as coisas que tinha lido, ali continuam, sem referencuas, sem nada.
Achei que na resposta dela, se fazia um bocadinho de parva, por isso mantive esse registo na minha resposta. Tratando-a como uma parvinha:


O facto do blogue nao fazer referencia aos direitos de autor, nao significa que nao esteja protegido. Ha muitos que estao. e o XXX e um deles.
O facto de teres a tua pagina protegida, so tendo acesso a mesma, os teus amigos, tb n serve como garantia. O mundo e muito pequeno e nunca se sabe quem e amiga da amiga.
Qd quero partilhar alguma coisa que gostei muito, faco referencia a fonte.


Ao que a menina me respondeu:


clara assunto encerrado ok. ja disse que vou evitar isso, nao precisamos falar mais no assunto. obrigada na mesma. beijinhos


Acho que vou ter que tomar medidas mais drastica ate ver aquilo tudo que plagiou apagado.

A resposta


Fiquei com a sensacao que a dita nao percebeu bem a coisa:

 


 tb sou leitora assidua de varios blogues e as vezes gosto de determinadas frases e imagens e como elas não estão bloqueadas com direiros de autor, ponho aqui no fb, tenho tido imenso cuidado quando faço isso e agradeço o teu aviso e não levo nada a mal, ainda bem que o fizeste, pois estava longe de imaginar estas coisas pois a mh pagina esta protegida e a privacidade é somente para amigos.
o teu cuidado foi imortante e agradeço e não fico nada chateada.

vou ter mais cuidado e evitar isso.


Em primeiro lugar, que historia e esta que os blogues nao estao protegidos por direitos de autor?
O facto de ter a pagina protegida, so ao alcance de amigos, ja permite fazer dos outros, nossas palavras? Sem uma referencia. Tipo: "hoje vou passear aqui ou ver isto e aquilo", porque a menina costuma fazer esse tipo de posts, copy paste de blogues alheios...

Vou respirar fundo e pensar bem na resposta.

Segui o vosso conselho


e mandei uma mensagem privada a menina plagiadora.
Tinha vontade de fazer como alguns de voces disseram e por mesmo no mural dela, mas a forma como a conheco, fez-me querer evitar confusoes de maior.
Sendo assim, dei-lhe o exemplo do "cronicas perdidas".
Espero que seja suficiente.

Sendo eu uma pessoa que tem um blogue, tambem costumo ler muitos blogues. Duns gosto mais do que outros, mas la vou seguindo atentamente.
Este fim de semana, apercebi-me que uma "amiga" do facebook tem estado a por, como suas, frases que eu li ja em varios blogues.
A coisa irritou-me. Primeiro, irrita-me alguem que faz suas, palavras dos outros e tendo eu um blogue, e possivel que seja tambem um pouco mais sensivel a questao.

Nao conheco a pessoa em questao muito bem.
Por isso, estou aqui na duvida se lhe digo alguma coisa ou nao.
Apetecia-me dizer-lhe. Apetecia-me mostrar-lhe o exemplo daquela tiazoca que andava a plagiar o "cronicas das horas perdidas".

Que fariam voces?

domingo, 5 de dezembro de 2010

1 semana

Os meus pais chegaram há uma semana e ficarão por mais duas.
Gosto de os ter cá. Já tinha saudades e, na verdade, têm-me ajudado muito. Ajudaram-me a limpar a casa, trouxeram de Portugal milhares de pequenas coisas, sem as quais não vivo, compraram muitas outras, para que esta casa se parecesse o mais possivel com um lar, de manhã ajudam-me a tirar a neve do carro, cozinham e, sobretudo fazem-me companhia. Não podia estar-lhes mais grata. Mas o meu lado bicho do mato, hoje, fez-me sentir a falta dum momento sozinha. Sempre precisei de ter um bocadinho só para mim. Quando vivia com eles, só conseguia ter esse bocadinho de manhã, antes de ir para a escola ou para a faculdade. Esse hábito, fez com que me transformasse na pessoa mais mal-humorada do mundo, de manhã. A verdade, é que estraga-me o dia ter que partilhar esse momento com alguém. Tornou-se mais forte que eu. Só ao fim-de-semana ou se tiver de férias é que consigo ser um ser humano suportável. Às 7h da manhã, hora à qual me levanto, só e apenas, se tiver que trabalhar, o melhor é nem tentarem falar comigo. Só consigo grunhir.
Desde que os meus pais chegaram, esse momento acabou. Deve ser da idade, mas parece que agora se levantam com as galinhas. Oiço-os cirandar logo que toca o meu despertador. Tomo o meu banho, visto-me e quando chego à cozinha para o pequeno-almoço, já lá está o meu pai, de portátil à frente, cheio de energia e novidades para contar. Nem as consigo ouvir. Para não grunhir, nem falo.
Desde que cá estão, deixei de fumar na sala, para não os incomodar. Como aqui não há varandas, vou à rua sempre que me apetece fumar. Estando uma temperatura negativa na rua, o momento não é nada agradável. Mato o vicío e venho logo para dentro. Há uma semana que não disfruto do prazer de um cigarro. Sentadinha, quentinha. Eu e a nicotina.
Aqui, as portas da rua abrem-se do lado de fora. É só rodar a maçaneta e já está. Por causa disso e dos meus cigarros, tenho o hábito de trancar a porta por dentro e deixar a chave na fechadura. Não sei porquê, isso deve fazer espécie ao meu pai, que passa vida a tirar o raio da chave dali. E, depois, há falta de sítio melhor, põem-na, basicamente, onde calha. Assim, lá vou eu toda lampeira fumar, já depois de ter ouvido toda a ladaínha sobre os maleficios do tabaco, e tenho que voltar para trás e procurar o raio da chave.
Num dia de neve com estes, não há nada melhor que ficar em casa à tarde, ver um filme e, como sempre, deixar-me dormir a meio e fazer uma bela sestinha. Aqui não dá. Adormeço como sempre, mas passado 5 minutos, oiço-os. Ou estão a gritar de uma divisão para a outra, "VISTE OS MEUS ÓCULOS?", ou estão a ver um qualquer mail, que alguém lhes mandou, com uma música estridente ou chamam-me só para perguntar se estava a dormir.
Há momentos que não são fáceis e eu faço um grande para ser razoável e não um verdadeiro bicho do mato.
Amanhã, Domingo, o meu despertador vai tocar às 6h da manhã, para tentar ter o meu momento sozinha e fazer wii, o meu conceito de vida activa e que tendo só uma televisão, também tem sido impossível fazer com eles aqui.
Veremos, primeiro, se eu consigo acordar a essa hora e, depois, se é suficientemente cedo para acordar antes deles.



sábado, 4 de dezembro de 2010

Odeio odeio odeio









Este raio desta neve.
É muito bonitinha, sim senhora, se estiveres em casa no quentinho. Olhas pela janela, vês as casas cobertas de branco, os miúdios a brincarem, a atirarem bolas de neve, a fazerem bonecos de neve e, tu, com o chá quente entre as mãos, divertes-te a observar. Tiras umas fotos, mostras à familia, aos amigos e oh coisa mais linda, este manto branco.
No dia seguinte, sais de casa para trabalhar. 8h da manhã, 5 graus negativos e, tu, de pá, a desenterrar ao carro. Até chegares ao carro escorregaste 3 vezes e enterraste a perna nesse gélido manto branco outras tantas.
O carro atrabalhar, para descongelar os vidros enquanto te congelam as mãos.
Até chegares ao trabalho, escorrega-te o carro três vezes. A estacionar, atasca outras 3.
À tua volta, o tal manto começa a ficar castanho. Sujo das tuas pegadas, das rodas do teu carro ou do sal misturado com areia. O tal manto branco, transforma- se numa lama suja, ainda fria e escorregadia.
Odeio, odeio, odeio esta neve. Raisparta que não pára.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Impossível










Tenho uma certa predilecção pelas histórias de amores impossiveis.
Uma das histórias que mais me encanta é aquela que nos conta Gabriel Garcia Marquez, no seu "O amor em tempos de cólera". Como se o cúmulo do romântico fosse alguém ter os sintomas da peste só por estar apaixonado.
Acho bonito que alguém passe uma vida à espera. Porque amor há só um. Porque é aquela e mais nenhuma. Mesmo que o final tenha sabor a restos, porque Firmina só cede ao seu Juvenal depois da morte daquele que assumiu como sendo o seu amor. Essa parte não interessa, o romântico é ele, que nunca desiste e espera toda a sua vida por aquele momento.
Da mesma forma, me encantam os amores e desamores do Nils que sonha com uma colega cujo nome desconhece, da mesma forma que abre mão do seu amor deixando-o viver em liberdade.
Talvez me indentifique. Talvez queira apenas acreditar que se existir, é para sempre. Talvez queira acreditar que é altruísta.
Talvez por tudo isto. Talvez por nada disto.
A verdade é que gosto de amores impossíveis.


Nao e fixe


Dizeres-me que as estradas estao optimas e que ja se pode vir trabalhar, quando nao estao. Quando ninguem esta no escritorio. So tu, armada em crominha.
Tambem nao e fixe ser obcecada por cor-de-rosa. Ter a roupa toda cor-de-rosa, o telemovel, o chapeu de chuva, a caneta e sei la que mais, e simplesmente foleiro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Wishlist

Uma das coisas que mais gosto de fazer aqui, na Irlanda, é ler. Sempre gostei, sempre tive esse hábito. Preciso de ler para adormecer. Mas por algum fenómeno que não sei bem explicar, aqui a sede é ainda maior. E em português.acho que me faz sentir mais próxima.
Por isso, este Natal, podem todos oferecer-me livros. Não me importo mesmo nada.
Venha Saramago, João Tordo, Vargas Losa, Sepulveda, Garcia Marquez, José Luis Peixoto, etc etc etc

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O meu "eu" irlandes


O meu "eu" irlandes e muito diferente do meu "eu" portugues.
Dizem que e comum, que as pessoas se descobrem a si mesmas fora da sua zona de conforto.
Eu nao sei, acho que sao as condicionantes que me transformam e que se voltar ja amanha ou so daqui a um ano, volto outra vez.
A maior diferenca entre sete meus dois "eus" e a lamechice. Aqui sou muito mais lamechas. Choro a ler uma carta escrita ao pai Natal, choro quando alguns me telefonan. Aqueles que ha um mes atras me ligaram todos os dias, ou, pelo menos, com muita frequencia. Digo coisas mais fofinhas e sinto-as. Muito.
O meu eu irlandes adora sopa. portuguesa, claro esta. Que estas combinacoes dos irlandeses de sopa de cenoura com laranja sao coisa para me deixar um bocadinho enjoada. Mas pelo-me por uma sopinha de feijao. De alho fraces. A lavrador. Caldo-verde. Ahhhh, um caldo verde... Como raio vou fazer isso aqui?
O meu "eu" irlandes e muito mais arrumado. A casa e mais pequenina e a quarta nao vem a Idalina. Entao, deixamos de ter roupa acumulada, a loica e logo lavada, nao espera sequer 5 min e os papeis estao todos agrupados por temas, na prateleira de baixo, da mesa da sala.
O meu "eu" irlandes conduz a esquerda, com gelo ou neve na estrada. Sem medos. Ou melhor, com muito muito medo, mas com um encolher de ombros, bora la que tem mesmo que ser.
O meu "eu" irlandes fica feliz por voltar a viver 3 semanas com os pais, enquanto o meu "eu" portugues fugia de um fim de semana em conjunto.
As minhas prioridades estao diferentes. A forma como sinto as coisas tambem. Sinto-me uma turista, naquela que vai ser a minha casa no medio/longo prazo (ou assim es espera).
Sinto mil e uma coisas, enquanto aprendo outras tantas e me distancio de outras quantas.
E nem sempre me reconheco.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Isto aqui esta tudo cheio de neve.
Nunca tinha visto nevar. Ja tinha visto neve, mas nevar, nevar, o acto em si, nunca tinha visto.
E muito bonito, sim senhor, mas tambem uma carga de trabalhos.
Ter que tirar a neve dos vidros do carro, as 8h da manha e coisa que tarde e custa.
Agradeco as explicacoes todas ali em baixo, sobre como travar com mudancas, mas a verdade e que tive que aprender a minha custa. Quem nao tem cao, caca com gato e depois de dois ou tres sustos, la tive que aprender a imobilizar o carro, em cima destas estradas geladas. Ate agora tem corrido bem, mas ando com um medinho do caracas!

Viver com os pais


Ha cerca de 3 anos que vivo sozinha. O primeiro ainda na casa dos meus pais, mas estando eles quase sempre fora e os dois ultimos ja na minha casa.
Vieram passar 3 semanas comigo. Chegaram ontem. Conseguiram espalhar tudo o que tinham num carrinho pequenino, pela casa de 3 assoalhadas, ao ponto de ja nao nos podermos sentar no sofa. Tiveram ate as tantas a falar. Alto. Demasiado alto para o meu bairro. Nao sei se se ouvia la fora, mas tenho quase a certeza que sim...
O meu pai ressonou toda a noite. Estou desconfiada que tambem se ouviu em todo o bairro.
Esta manha, enquanto eu tentava aproveitar os ultimos minutinhos, na cama quentinha, ouvia-os a falar e a rir. Acabei por me levantar.
Ate agora, tudo bem. Mas parece-me que estas 3 semanas vao ser muuuuuuitos longas.

domingo, 28 de novembro de 2010

Travar

Sempre me disseram que é muito melhor travar o carro com as mudanças e eu nunca percebi muito bem que raio quereria isso dizer e muito menos como se faz. E, muito sinceramente, também nunca quis saber. Travo muito bem com o pedal, muito obrigada.
Parece que agora me dava jeito saber.
Alguém me explica? Já deu para perceber que, realmente, na neve, o tal pedal não funciona...




sábado, 27 de novembro de 2010

Sobrevive-se

Perdem-se os comodismos e ganha-se a distância, mas sobrevive-se.
Não se conhecem as ruas, não se conhece a cidade, perco-me e acho-me, mas sobrevive-se.
Sente-se o frio, veste-se mais um casaco, mais um cachecol, mais uma luvas e sobrevive-se.
Nem sempre se entende a lingua, demora-se a processá-se, enquandra-se num contexto e sobrevive-se.
Não há mulher a dias, não há ajuda com roupa-se, limpa-se, esfrega-se, passa-se a ferro e sobrevive-se.
Não há televisão, não há amigos, liga-se a internet, lê-se um livro.
Perdem-se eventos. O casamento do amigo, a amiga que faz anos. Liga-se o telefone e tenta-se esse abraço, que a distância não permite e sobrevive-se.
Desconhece-se a rotina, instala-se uma nova e sobrevive-se.
Dia após dia, eu sobrevivo. E cada um deles é uma pequena vitória. Mais um. Sobrevivi e melhorei um bocadinho mais. A pouco e pouco, ganhei conforto, criei rotinas, conheci. O mundo e eu própria. E sobrevivi.




quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Obrigada Mary


Tenho que agradecer a unica pessoa que se mostrou sensibilizada com a minha anjinha. E com todos os outros tambem, mas nao hesitou em oferecer-me a sua ajuda. E foi a unica.
Eu achava que mais pessoas se iriam oferecer. Achava que ninguem ia ficar indiferente a campanha e a minha boa vontade. Felizmente os anjinhos ja tem todos quem lhes ofereca presentes.


Obrigada Mary, nao vou esquecer a tua boa vontade e iniciativa.

Eu e Mr. Muscles somos invencíveis




Eu, ele e a puta da dor de cabeça que o seu cheiro provoca.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Anjinha

Não consegui ficar indiferente a esta Campanha dos anjinhos, que basicamente tem como objectivo que menos crianças passem o seu Natal sem um presente.
Era impossivel ler esta História e ficar indiferente.
Resolvi participar e assim, também um colar um sorriso este Natal.
Recebi hoje o nome, a idade e o desejo da minha anjinha. Chama-se Ana, tem 8 anos e quer, simplesmente, uma barbie. Uma qualquer. Emocionei-me quando li. Com 8 anos eu já tinha não sei quantas barbies e estaria a pedir, muito provavelmente, a piscina, o descapotável ou a mansão da barbie.
Agora só tenho que esperar que alguém se solidarize comigo. Como estou fora do país, não posso entregar a dita barbie. Alguém se oferece para comprá-la e entregá-la?
Pago a barbie, o fato treino que é da praxe e os custos de deslocação.





Tou desejosa de sair do trabalho e ir desfrutar da minha casinha nova. Sim, apesar da noite de ontem, ja fizemos as pazes.
E com o forno, depois da passagem dum tal Mr. Muscles*, tambem farei.

*Mr. Muscles e um spray que dizem ser milagroso.

Ontem mudei-me, finalmente, para aquela que sera a minha casa no medio/longo prazo.
A casa foi-me entregue ontem e eu, ja completamente farta da impessoalidade de um hotel, decidi que me mudaria no proprio dia.
Tirei o dia e quase nao dormi na vespera.
Cheguei a casa e so desejava que o agente imobiliario saisse o mais rapido possivel, para que eu pudesse comecar a por as coisas a minha maneira. Nao podia estar mais contente.
Assim que comecei a arrumar as coisas, deparei-me logo com um contratempo. A vista desarmada tudo estava impecavelmente limpo. Assim que comecei a abrir portas, vi que nao era bem assim. Mas nem isso me demoveu. Va de esfregar frigorico, armarios, etc etc etc, feliz e contente. Foi quando cheguei ao forno que desmoralizei. Nunca na vida aquele forno deve ter sido lavado. Estava simplesmente nojento. E eu, com tanta esfregadela por outras paragens, senti-me sem forcas para aquele cenario. A ma noticia e que tinha comprado para o jantar uma pizza congelada que tinha que meter ali dentro para a tornar comestivel. Na casa ha tachos e panelas, mas eu, armada em esquisitinha, tinha ja decidido nao usar nada daquilo e comprar novos. Mas ontem ainda nao havia novos para ninguem. A ideia ontem era apenas sobreviver. La tive que dar a mao a palmatoria, lavar um dos tachos e fazer esparguete com queijo. O forno, esse, ainda esta cheio de detergente para desincrustar. Esta ali uma maratona.
La jantei o espargute, que estava muito bom, em boa verdade. 8h30 e tava despachadinha. Sem televisao. A minha televisao chega Domingo. Estamos demasiado habituados a estas pequenas coisas, para sabermos viver sem elas. O livro que trouxe ja o li. So me restou a internet para me distrair. E assim estive, ate deitar-me, a fazer refresh em facebook e blogues varios, na esperanca que alguem actualizasse. Alguma coisa interessante, por favor. E que me dure algum tempo, por favor.
Nao foi facil, confesso. Ontem, pela primeira vez, senti-me muito sozinha...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Hoje

Depois de carregar sozinha com uma mala de trinta e tal quilos, estacionar num lugar apertadinho, com o volante à direita, sair dum parque, tipo o do corte inglês, ainda com o volante à direita, acho que há muito pouco que não consiga fazer.




Do tal livro sobre o facebook

Depois de ler o livro, há coisas que me fazem espécie:

- Todos os alunos de harvard queriam criar um site?
- Esses alunos acreditavam que seria a criação dum site, a porta para levarem miudas para a cama?
- As "asian girls" eram mais fáceis?


Nota: passei o tempo todo a imaginar que o tal Mark Zuckerberg era o Nuno Markl. Já vi no google que não é minimamente parecido...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O fim-de-semana

Este foi o fim-de-semana mais social que tive em três semanas. Não fui a uma discoteca, não conheci ninguém, nem tive com ninguém conhecido.
Mas recebi chamadas e mensagens. Foi uma alegria, misturada com algumas (poucas) lágrimas. Sobretudo quando me ligaram do casamento dum amigo.
Esta versão Me irlandesa é muita lamechas.

domingo, 21 de novembro de 2010

Ainda sobre a viagem

Ontem fui ao Ikea. O que parecendo que não é uma grande aventura. Foi a primeira vez que conduzi mais de 5 km de seguida. O gps perdeu-se um bocadinho. Sim, o gps, porque eu tive sempre perdida, sem fazer a minima ideia de onde estava. Não estava nem no hotel, nem no trabalho. O resto é desconhecido.
Durante a viagem, bati num passeio, num espelho de outro carro e numa coisa de plástico onde se poe agua para ficar mais pesada, que faz as vezes de pino (não faço ideia como se chama). Tudo do lado esquerdo. Comi a melhor refeição desde que cá estou. Almondegas suecas.

Hoje fui ao McDonalds. Mais uma boa refeição. McChicken. O menu custou-me 6 euros e qualquer coisa. Dizem que o McD é o grande indicador de custo de vida. Portanto, aqui é mais cara.

Se não os podes vencer, junta-te a eles. Desisti de me aventurar na comida. Venham hamburgueres, pizzas, lasanhas com batatas fritas. Na verdade até sabe bem. A minha roupa é que encolhe a olhos vistos. Que se lixe, quando for para a minha casa tomaremos medidas drásticas. Compramos nova.

Ontem, na cantina do escritorio havia sopa de ... batata. Eu até sou menina de pôr muita bata na sopa. Mas SÓ batata??? Nem um alhozinho francês, nem um agriãozinho? Como costuma dizer um amigo meu, estes gajos drogam-se. Raio de obsessão com a batata.

Terça já vou para a minha casa. Porra. Sair do hotel faz-me sentir a coisa como mais defintiva (assinar o contrato, já não, vá se lá perceber porquê). Mas tou desejosa!

Motivos vários

Dantes não tinha muito tempo para escrever no blogue. Agora tenho e não tenho paciência. Continuo a adorar escrever, tenho histórias para contar (sobre a viagem, mais do mesmo, mas neste momento a minha cabeça só está praí virada), mas o meu computador português parecia ter morrido e só me restava o irlandês e o ipad.
O computador irlandes tem um teclado diferente. Não tem acentos. Quero escrever "está" e sai-me "esta", quero escrever "é" e sai-me "e" e irrito-me e canso-me e esqueço a ideia inicial.
O Ipad tem um teclado touch screen.É como catar milho (como vi num blogue qualquer brasileiro). É optimo para ler. Ando sempre com ele. Leio jornais, revistas, blogues, sentada, em pé, deitada. Adoro. Mas para escrever é uma seca. Cansa-me e esqueço a ideia inicial. Acabo os textos a despachar e não fico contente.
O que vale, é que tive aqui de roda do computador português. Ligar, desligar, tira bateria, põe bateria. Não tivesse ele ressuscitado e seguia-se, à boa maneira portuguesa, uma pancadinha de amor.
Já funciona. Já posso escrever.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O meu colega espanhol - parte II


Hoje o dia não esta de puta madre, Esta de putisima madre!


(porra, os teclados aqui nao tem acentos!)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010






Há dois dias enfiada num quarto de hotel, doente.

The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook A Tale of Sex, Money, Genius and Betrayal




Estou a ler este livro. Para quem não sabe, é o livro que deu origem ao tão falado filme "the social network", ou seja, é sobre a criação do facebook.
A minha ideia era ver o filme, mas ainda não estou preparada para gastar 10€, num filme sem legendas. Posto isto, resolvi ler o livro.
Estou abismada. Eu achava que o raio do site era, co o indica o nome do livro, um acidente. Tipo a historia dos post-its que resulta de testes para colas, que alguém, por acaso, resolve utilizar para deixar um recado.
Nada disso. Quem criou o facebook sabia o que estava a gerar. Ainda assim, as mil e uma coisas que se passaram, só para virmos nós mandar uns bitaites, postar umas fotos, jogar numas quintas, é absolutamente impressionante.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

já quase me esquecia


O meu colega espanhol já está quase quase um verdadeiro inglês.
A cada nesguinha de sol, que, acreditem, é coisa mesmo muito pequenina, já não se cala:
"Mira qué dia se ha puesto, de puta madre!"

O meu colega espanhol


O meu colega espanhol está a adaptar-se muito melhor que eu.
Ele, pura e simplesmente, está a borrifar-se.
Não percebe nada do que as pessoas dizem, mas sorri e diz que sim.
Ninguém percebe o que ele diz, mas ele acha que sim e está tudo bem.
Não gosta da comida, não a come. Não almoça e não faço ideia o que faz durante o resto do dia.
As miúdas giras percebe ele bem. É vê-lo a acenar e sorrir, apesar de dizer que aqui são TODAS gordas.

No outro dia apanhei-o a falar com um irlandês sobre uma vila. "ich dérrrrre a trrrrréine?", o outro respondeu-lhe que que sim, que conhecia pessoas que tinha crescido lá. Só percebeu o grow-up there e ficou contente. O comboio estava a ser construído. Sorriu e, assim, ficaram duas pessoas contentes

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pavlov

Achamos que tudo é um algoritmo ou, pelo menos, uma sequência, como essas dos testes psicotécnicos, em que só temos que adivinhar o dado seguinte.
Fácil, fácil, não existe o acaso, o imprevisto e até, imagine-se só, a vontade própria. O que eu queria hoje, não quero amanhã, nem sempre vem bonança depois da tempestade, uma desgraça às vezes vem só e nem sempre é quando se menos espera.
Habituamo-nos a isso e salivamos ao estimulo, ao cada toque de cada campaínha.
E em vez de engolir em seco, quando encontramos a desilusão, engasgamo-nos nessa saliva que aguardava já o que verdadeiramente nos estimula.

Má fama

Hoje, na rádio, era noticia do dia que uma senhora tinha entrado numa auto-estrada, em sentido contrário.
Os meus colegas de trabalho pensaram que era eu...



Ui ca bom!


Chegar ao carro às 8h da manhã e este estar, literalmente, congelado!

domingo, 14 de novembro de 2010

O fim de semana

Este fim de semana custou um bocadinho mais. Custou-me estar sozinha e estar a viver num hotel. Talvez porque tinha planos que acabaram por não se concretizar. Tive que recorrer a um plano B, que não existia.
Ainda pensei ir até Dublin sozinha. Até ter começado a configurar a gps e ter consciência do desconhecido. São muitos desconhecidos. Não tenho que ter coragem de enfrentá-los todos duma só vez. Tenho tempo e posso vivê-los à vez.
Acabei por ir para a zona onde vai ser a minha casa. Uma boa zona para practicar esta coisa da condução à esquerda. Assim aproveitei para ver tudo o que tem à volta e vê-la uma vez mais. Às vezes esqueço-me como ela é. Continuo a gostar.



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Só mais uma

Mais loucura menos loucura, é só mais uma. É isso que eu sinto, que cometo uma grande loucura. Sinto-me invencível, a corajosa das corajosas. É tudo novo e é preciso coragem. Para nem sempre conseguir comunicar, para aprender tudo de novo, para conhecer tudo de novo. Estaca zero ou folha em branco. Eu gosto particularmente desse sentimento de folha em branco, de poder reinventar-me. Há quem compre roupa, eu gosto de reiventar. Gosto do caderno novo, do blogue novo, do livro novo. Aqui sou outra, com a aprendizegem da mesma. Aqui, faço voluntariado e pertenço a um tal de clube social, que diria que é para velhos, mas garantem-me que não.
O raio dessa coragem que, de repente, descubro ter, a mim, serve-me para isso, para cometer loucuras. Uma a uma. Pequeninas ou grandes, não interesse. A adrelina acaba por ser a mesma...



Não me apetece

Ouvir falar (ou ler) sobre o S. Martinho e as suas maravilhosas castanhas
(continua a batata), nem da morte do Sr. do adeus...


Medicina do trabalho


Tudo Ok. Até a visão, que era o meu maior medo.
Atravessar todo o escritório com um copinho com o meu chichi é uma experiência que dificilmente vou esquecer.

Não, obrigada

Tenho amigos que assim que me ouvem falar de algum espécimen masculino, seja amigo, colega de trabalho ou fornecedor, preparam logo um infinito inquérito. "que idade tem?", " tem namorada?", "ficou no país de origem?" e, seja qual for a minha resposta, esfregam logo as mãozinhas. Oh gentinha pequenina (sim, eu sei que vais ler isto), dá para ter calminha e desejar-me algo verdadeiramente bom, diferente de andar a fazer olhinhos a todos e qualquer um?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

à esquerda


É tudo ao contrário, excepto as mudanças, como diz lá em baixo, e bem, num comentário, o AA.
Mas temos que as meter com a mão esquerda. Pois eu não consigo fazer absolutamente nada com a mão esquerda! nada. Não tenho sensibilidade nenhuma. Não sei bem onde fica a 4ª ou 2ª ou a 3ª e 5ª e basicamente, quando ponho a mudança, enfio aquilo no primeiro sitio onde couber. Pois é, é assim que eu conduzo. Diga-se de passagem que as mudanças já eram um tema delicado para mim, quando as punha com a mão direita. Sei muito bem onde está cada uma, mas não sei quando metê-las.
Portanto, agora, temos um verdadeiro festival. Passamos duma 1ª para uma 4ª, quando nem sequer era altura (normalmente, tarde de mais para uma 2ª cedo demais ara uma 3ª). As boas noticias é que ainda não andei em sentido contrário, nem deixei o carro ir abaixo. Mas também só conduzi uns 2 kms.

Vida de emigrante

Todos os dias provo coisas que espero nunca mais voltar a comer.


E achava eu que dificil, dificil seria tipo India...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

É hoje!


Andava cheia de medo. Um carro novo, com o volante, as mudanças, tudo do lado contrário. Uma estrada que não conheço e toda às avessas, onde se ultrapassa pelo lado direito, onde se olha para o lado contrário, onde as prioridades se invertem. Sou demasiado cobarde para tamanho desconhecido. E para conduzir. Sempre fui. Na velocidade, nos caminhos. A adrenalina sempre no máximo, enquanto erro todas as mudanças. Sou assim eu, a conduzir, do lado onde vi toda a minha vida, no carro que sempre tive.
Por isso, adiei o mais que pude este desconhecido. Já há tantos desconhecidos aqui. A língua, a cultura, o social, o trabalho. Este podia adiar. Continuar a encostar-me às almas caridosas que me ofereciam boleia todos os dias. E ainda esperavam pelos meus cigarros. Small talk logo pela manhã. Small talk no regresso a casa, depois de um fatigante dia de trabalho.
Hoje resolvi dizer basta. Sou tão corajosa em tantos outros aspectos. só pelo facto de ter vindo. Chega de medinhos.
Hoje vou buscar o tal carro com tudo ao contrario. Conduzir nas estradas com os sentidos invertidos.
Hoje vou conduzir à esquerda.
Desejem-me sorte e, se acreditarem na coisa, rezem por mim. Eu não acredito, mas toda a ajuda é bem vinda.

Carta aos irlandeses

Queridos irlandeses,

Em primeiro lugar, eu sou PORTUGUESA. Escusam de me perguntar como se faz ou se diz "lá em Espanha". Eu até sei, mas não digo!
Depois, deixem-me dizer-vos que para termos bom tempo, não basta não chover, é preciso haver sol. Lá porque vocês não o vêem o ano inteiro, não me venham cá com tangas. Vão passar uns dias a Portugal e depois falamos, entendidos?
Também deixem-me que vos diga, que batata não se come com tudo. Não se come batata com lasanha, nem com massa, nem com a própria batata. Se temos puré de batata, não vamos comer batata frita. E o cardomomo e muito bom num certo sumo de limão e naquele prato que faz a sogra do Tomas. Na sopa, dispensa-se. Um bom refogado também é coisa que vos falta. Ai, tenho taaanto para vos ensinar.
Gostava de vos pedir que, ao fim de semana, viessem a vez aqui para o hotel. Eu estou aqui a viver e gosto do sossego que tenho durante a semana. Os empregados, pelos vistos, também. Portanto, vamos la fazer uma escala. Pode ser?
Era tão mais giro se vocês não fossem todos ruivinhos e branquelas... Contra mim falo, bem sei, que sou mais parecida convosco do que com os tugas, mas o importante aqui e o que eu vejo e não o que vos trago para verem...


Agradeço a vossa atenção.
Cumprimentos,
Clara

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nem tudo são rosas

Há coisas que a distancia continua sem permitir. Temos telefones, temos e-mai,l temos facebook. Tudo para ajudar  quando a saudade aperta e fingimos que estamos mesmo ali ao lado. Parece fácil e, a maior parte das vezes, até é. Até agora tem sido. Em França também tinha sido.
Até que surgem outras necessidades. Dar um abraço a um amigo. A um amigo que está a passar por tempos conturbados. obstáculos difíceis de ultrapassar. Ansiedades difíceis de gerir. Não há palavras para dizer, conforto que possa ajudar. Há coisas que só o tempo nos dirá e só a força ajudará a ultrapassar. Não há mail que aqueça, nem telefonema que apeteça. Não há muito para dizer, só muito para sentir.
E eu sinto essa dor quase como se fosse minha. Não chego a senti-la como se fosse minha, porque estou longe de imaginá-la. Nunca passei por nada semelhante. Queixo-me aqui e ali, sem saber o que é um verdadeiro obstáculo e esqueço-me da sorte que tenho.
Hoje, não quero mandar um mail, não quero telefonar. Queria estar para sentir, para abraçar, para dar a mão, naquele silencio que só é possível entre dois grandes amigos.
Gostava muito de estar aí. Não ia resolver nada e provavelmente não seria suficiente esse meu conforto. Mas estaria aí e tu saberias. E seria o melhor que te poderia oferecer. Aqui é difícil...

Acabo de constatar


Não vejo um rapaz giro há uma semana. Em Portugal. Bolas.

domingo, 7 de novembro de 2010

Ainda nao

Tenho um colega na mesma situacao que eu. Chegou um dia depois de mim, vindo de Espanha. Estando a viver as mesmas coisas, nos mesmos timings, temos por habito, trocar crominhos. Hoje disse-me que nao ve a hora de voltar a casa.
Perguntou-me se sentia o mesmo e, na verdade, nao, nao sinto o mesmo. Nao me levem a mal, eu sinto saudades, mas tambem me sinto bem capaz de me aguentar a bomboca por mais uns tempos.
Isto de mudar de pais tem muito que se lhe diga. As ultimas duas semanas foram desdobradas em despedidas. Jantares, lanches, e-mails, mensagens, telefonemas. Presentes, surpresas e mais jantares. Chegada, a saga continua. Mais mensagens, mais telefonemas. Jantar de boas vindas, para nem dar tempo para descansar das despedidas. E' como se fizesse anos todos os dias. Sei que a coisa vai acabar por acalmar. A rotina vai chegar, a minha e a dos outros e o contacto vai abrandar. Mas agora, sobretudo enquanto nao tenho uma vida, sabe muito muito bem. Sim, porque, na verdade, neste momento nao posso dizer que tenho uma vida. So profissional. Pessoal, nem ve-la. Hotel, trabalho, trabalho, hotel. Pelo meio jantares sozinha no restaurante. Mas ando feliz, muito feliz. E nao me sinto nada nada sozinha. Muito pelo contrario...

Desvantagens do IPAD (ou nabices minhas)

- nao tem um teclado portugues, pelo que nao me permite escrever como deve ser. Ja tenho tendencia para erros e distraccoes, assim vai ser uma desgraca;
- nao permite utilizar o chat no facebook, o que, para quem esta fora, e uma chatice. Tem umas aplicacoes quaisquer, mas nao me parecem tao intuitivas quanto isso. Eu, pelo menos, nao gosto;
- nao tem ebooks em portugues. Ou melhor, tem, do tempo da maria caxuxa. Nao tenho nada contra ler em ingles, costumo faze-lo, mas agora que tenho que fala-lo o dia todo, nao me sinto com grande pachorra;
- nao dispensa totalmente a posse de um pc. E preciso para ligar ao itunes e essas tretas. Para quem achava que serviria como complemento ao pc do trabalho, que tem uma serie de restricoes, tambem e uma chatice;
- tem algumas imcompatibilidades com o blogger, quando eu achava que isto ia ser um must para qualquer blogger.

Ainda assim, tou completamente apaixonada e nao largo o meu desde que sai ontem do trabalho.

sábado, 6 de novembro de 2010

Mais do que queria, menos do que gostaria

tudo muito mais bonito e cor de rosa quando não conhecemos. Ainda mais
quando não nos conhecem.
Ainda pode ser um bocadinho bonito, quando se se conhece um bocadinho, a
pontinha do icebergue, mas não toda a sua base.
O desconhecimento dá-nos liberdade e só por isso alarga-nos os horizontes.
A ignorância não nos faz sentir parvos, ridículos ou ansiosos.
É mais fácil escrever quando não se sabe quem vai ler e quando o vai
fazer. A pressão é menor, o esforço também e tudo sai menos rebuscado. A
necessidade de impressionar diminui e, só isso, liberta-nos. E a liberdade
trás o melhor de nós.
É mais fácil escrever se não nos conhecerem a nós. Podemos saber a hora
exacta, o quê e quem nos lê, mas o julgamento não é associado a uma cara e
isso dá-nos liberdade. Perdemos um pouco de existência, mas por vezes, mas
é tudo o que importa.
É mais fácil falar quando não sabemos. Que bonito que é dizer que fulana e
beltrana fez mal ou aconteceu bem, quando se desconhece nadica de nada da
sua vida e todo esse contexto. A ignorância dá-nos liberdade e nós
usamo-la a bel prazer.
É bem mais fácil engatar a miúda, sentada no balcão do bar, do que a amiga
dos amigos comuns. Não conhecemos a sua historia, o seu passado, nem o seu
presente. Não contará aos nossos amigos. E essas coisas dão-nos liberdade.
Perde-se o medo de dizer palermices e só por isso, é-se mais espontâneo.
É mais fácil declararmo-nos àquele cuja pontinha do icebergue é tudo o que
conhecemos, que não fazemos ideia o que o procura ou o que encontra. Se
ficarmos ao lado dessas demandas, pouco importa, porque não o sabemos.
O saber não ocupa o lugar. Por isso, nos sentimos tão ridículos ao
perceber. Quando a cara passa a estar associada à escrita, quando a
escrita fica ao lado das expectativas, quando o comportamento fica aquém
da escrita, quando o procurado foi encontrado, longe, bem longe das nossas
palavras. Perdemos liberdade e vemo-la, a esse outra, já antes disfrutada,
como pequenina, sem sentido, ridícula.
A realidade também pode ser côr-de-rosa, mas trás todas as outras cores,
talvez mais giras até, talvez mais pobres, por vezes.
À medida que o icebergue se revela, à medida que o tempo passa,
descobrimos outros rosas, outros cinzentos, outros negros ou outros azuis.
descobrimos o bonito, o feio e o assim-assim. Descobrimos. Um pouco de
tudo. Descobrimos melhor o fácil, mas encontramos também o difícil.
Perde-se essa estoria que nos trás a ignorância.
E eu sou uma ignorante. Mais do que queria, menos do que gostaria.

Sai uma agua das pedras, sff

Se nao os podes vencer, junta-te. Bora la experimentar esse famoso e britanico pequeno almoco.
Comecei timidamente com pao com manteiga, ao qual juntei depois uma fatia de salame (acho eu).
La comi uns ovinhos e uma salsicha. Nao consegui comer o bacon, nem o que me parecia morcela. Hoje nao havia feijoes.
Agora, conto bem baixinho o meu segredo. Estive uma hora, bem quietinha, no quarto, para garantir o apetite. Agora estou ha uma hora, bem quietinha, no quarto, para me passar o enjoo... Que perda de tempo!


Ainda nao descobri como por acentos e cedilhas nesta porcaria

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Meti a cassete

I'm NOT spanish, I'm PORTUGUESE!

Meti a cassete

I'm NOT spanish, I'm PORTUGUESE!

deep pain


ainda não consegui experimentar o brinquedo novo.
Que raio de hotel de 5 estrelas não tem wireless???

Caderneta de Cromos

Era uma vez uma gaja, que não acreditava nada em coincidencias. Isso de interpretar coincidencias é uma trabalheira, andar o dia todo a pensar que raio significa aquilo, será que vou casar ou que me vai sair o Euromilhões? Não há tempo para pensar nessas coisas, o melhor é esperar. Além disso em miúda, disseram-lhe que as coincidencias queriam dizer que o João da segunda carteira a contar do quadro queria namorar com ela e afinal, vai-se a ver, e ele andava era atrás do ginásio a dar beijinhos à Marisa. Na, na, na, isto das coincidencias é desgosto de amor, na certa. Lágrimas na almofada enquanto João e a Marisa a trocam bilhetinhos nas aulas.
Até que um dia começa a ouvir a Caderneta de Cromos. Ahhhh, o Fizz de limão, ahhh os gelados fá, e o mergulhador de corda de banheira e isto e aquilo e a vida e cor-de-rosa outra vez e voltamos a acreditar que, se calhar, a Marisa é que era uma oferecida.
E vamos nos transportes e ao nosso lado o rapaz giro, parecidissimo com o Joao da carteira número não sei quantos. Uma coincidencia. E que usa relogio. Outra coincidencia. E que conhece uma Marisa. Eh lá, esta agora é que me tramou, que isto na volta é destino. Vou mas é à minha vidinha. Onde é que está o ipod, que música é esta, ai que não me apetece, vou ouvir o podcast da caderneta para me alegrar o dia. O rapazinho parecido com o Joao também resolve ir à sua vidinha, pára de olhar e saca dumas folhas quaisquer. Oh diacho, vai à vidinha dele ao mesmo tempo que eu. Isto é capaz de ser homem para casar. Ai não, a Heide de que o Markl fala é que é. Para alguns. Pelo sim, pelo não, deixa-cá-ver qe lê o rapazinho. Rais-parta, é o livro da Caderneta!!! Somos almas gemeas, está decidido!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

I'm in love!

tenho medo

... de estar a gostar tanto.
A primeira vez que estive fora do país foi em Erasmus. Achava eu que seria muito mais facil que decidir trabalhar fora. Erasmus é só festas e novos amigos e novas nacionalidades. Dormir até às tantas e fingir que se estuda. Sem responsabilidades.
A verdade, é que nas primeiras semanas não gostei nada. Os ffranceses não falavam comigo, não arranjava casa e o hotel era um dinheirão. Até ter roupa de cama e talheres, na residencia que encontrei, passei frio e quase fome.Passados esses primeiros tempos mais conturbados, aquilo foi uma alegria. Nem me queria vir embora. Chegaram as festas e os amigos e tudo e tudo e eu sorria.
Vinha cheia de medo de vir trabalhar para fora. A parte das responsabilidades, da falta de festas, dos colegas de trabalho em vez de amigos, assustava-me. E a verdade, é que estou a adorar. A empresa paga o hotel, as refeições, os taxis, tudo e ainda assim, arranjei casa no primeiro dia. Ainda nao vivo lá, mas o assunto está despachado. Os meus colegas desfazem-se em ajudas. O chefe foi buscar-me ao aeroporto, uma colega vem buscar-me ao trabalho, no escrit´rio todos me ajudam. Sinto-me feliz. Sinto-me contente com a decisão. Mas ainda só vou na primeira semana. E essa coisa da lei das compensações assusta-me...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

3 à vez

Para que este blogue fique mais compostozinho, faltam-lhe ali m baixo, uns quantos links.
Depois de uma busca esta tarde, aqui estão mais 3 blogues, daqueles mesmo mesmo bons.

My fake plastic love

Pequenas viagens

all morons hate it when you call them a moron

Agora é que são elas


É a ler o contrato de arrendamento da casa que caio em mim.
De 22 de Novembro de 2010 a 22 de Novembro de 2011.
Porra, é muita tempo!

Aprendemos?

Dizem que aprendemos com os erros. Eu só conheço reincidentes.
Começando por mim própria, que sem consciencia, desenvolvo um padrão.
Não me apercebo, agarro-me aos pequeninos pormenores e acredito que fazem toda a diferença. Aprendo sim, mas a acreditar nessas diferenças que só me distrem do padrão. No final, no balanço, no vamos lá apanhar os cacos, fazer o luto e essas coisas todos, está lá tudo, tudinho, como da última vez, como da primeira vez. O nicio, o desenvolvimento, o fim. Aprender, aprendi, a virar a página mais depressa e a agarrar-me aos pequenos detalhes, como se fizessem toda a diferença.

terça-feira, 2 de novembro de 2010


Andávamos em experiências. Esta era a 3ª imagem do blogue (sim, os olhos, com as corzinhas pastel) e supostamente, não era a última. Vamos fazer isto, vamos fazer aquilo, experimentar acolá. Uns gostavam, outros não.
A semana passada tive que fazer umas quantas despedidas, numa delas fizeram-me uma surpresa. Um powerpoint sobre mim, cuja a principal mensagem é que sou uma surpresa. ninguém dá por ela e pimbas, ali está, com as piadolas, com as quedas, com o álcool e a saia vermelha.
Dei por mim a pensar nisso e foi então que percebi que este blogue, assim como está é a minha cara.
Com uns olhinhos tímidos ali em cima, umas corzinhas meias infantis, a dar-lhe um ar de menina do coro e depois, quando se vê com mais atenção, quando lhe juntamos as letras, as palavras, as frases, quando percebemos o seu sentindo, pimbas, sai uma revoltada, a gritar "foda-se" como se não houvesse amanhã. A espantar quem chega de pantufas, a insultar quem se deixa estar.
O meu director criativo preferido, o sr. Oshumuta, não poderia ter acertado melhor. Um dia, ainda o contrato para uma coisa a serio. Está prometido.
E este blogue, assim ficará. Quem vier dizer que coiso e tal e a imagem e a escrita e não combinam e mais não sei o quê, temos peninha.

13h18m


e já almocei!

Sobre a minha viagem

(assim muito depressa pode ser que ninguém repare)

- como já se esperava, está sempre a chover;
- das 8 casas, já escolhi uma. é muito fofinha e tem quarto para visitas;
- não gosto da comida. condimentam a sopa e só comem hamburgueres xxl e chicken wings. impressiona-me ver miúdos de 4/5 anos só a comer junk food. e todos a comer com as mãos. fico logo enjoada;
- ontem ao jantar, ao meu lado, estavam 2 chineses e um irlandês. os chineses pareciam tontinhos. só diziam "aaaahhhhh" em coro, a cada coisa que dizia o irlandês. quase tiveram um orgasmo a falar de blackberries e do iphone;

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

8 casas num dia

Já estou no modo "qualquer uma serve, despachem lá essa merda."
Não acredito em destino, nem em profecias, nem em coincidencias.
Não acredito em bruxas, pero que las hay, las hay.

domingo, 31 de outubro de 2010

Não quero fazer deste, um blogue de viagem. Eu própria não gosto quando um blogue que sigo atentamente muda o seu registo. Também não gosto quando um blogger vai de férias e nos traz, depois, posts e posts de fotografias e impressões.
Entrei há 2 dias nesta minha nova aventura e as primeiras impressões não são assim tão interessantes.
Estava demasiado cansada e demasiado obcecada com a condução do lado esquerdo para reparar em muito mais. De resto, só vejo halloween, halloween, halloween. Gente mascarada. Dos 6 aos 66. Fogo de artificio. Sim, parece que aqui o halloween dá direito a vários fagos de artificio. Ou então é outro motivo qualquer que o halloween não me deixa perceber.
Só como batata. Com tudo. Desde de carne a lasanha. Aqui come-se muita batata. De toda a maneira e feitio.
Nada de interessante, portanto. Nada digno de registo.
Nada merecedor deste blogue.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

não nos vamos despedir

Não me quero despedir. Jantar desses a que chamamos despedida, onde estão 30 pessoas e muito alcool, pode ser. Convivemos, rimos e a coisa passa como se nada fosse.
Despedidas à seria, com abraços e beijinhos, boa sorte e muita saúdinha, não.
Há aquelas pessoas de quem não me quero despedir, porque pura e simplesmente, não sinto que as "vá deixar para trás". A distancia física não permitirá certos convivios, mas intensificará outros. E disso, eu não tenho dúvidas.
Depois há as que quero esquecer que algum dia fizeram parte da minha vida. Quero tirar o ensinamento que me trouxe conhecer certas pessoas e, essas sim, deixá-las para trás e nunca mais as ver.
Finalmente, há aquelas que em determinada altura foram especiais. Não as quero apagar, nem esquecer totalmente, mas quero virar a página e deixar espaço para outras coisas.
Vou-me embrora em alguns dias, por tempo indeterminado, mas não, não nos vamos despedir,

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

confrontos

Acho que ninguém gosta de confrontos. Há quem goste de uma boa discussão, mas isso já são outros quinhentos.
Eu não sei lidar com confrontos. Fico ali nervosa, vermelha e a probabilidade de chorar com os calores que se me sobem é demasiasiado grande. A coisa desgasta-me mesmo. Mais com umas pessoas que outras. Mais com uma situação que outra.
Estou numa fase de grandes decisões e muitos são os que me criticam, por não dar um murro na mesa e exigir algo a que, supostamente teria direito.
Se não o fizer, serei prejudicada e corro riscos de entrar com o pé esquerdo nesta nova etapa.
Ainda assim, faltam-me as forças. Ainda acredito que o confronto acabará por me prejudicar muito mais e me deixará muito mais desgastada que qualquer outra das minhas opções.
Irrito-me comigo própria por ser assim. Noutras situações, em que provavelmente já não devia, o murro não me falta. Nestas falha sempre. Falha-me a voz firme, os argumentos. Fico pequenina, pequenina. Por mais que tenha já antes pensado em todos os argumentos possiveis.
Custa-me muito, mas pura e simplesmente não consigo. E não o vou fazer.

sábado, 23 de outubro de 2010

e lambemos a colher

Põem-nos com o melhor bolo de chocolate do mundo à frente e a cada colherada encontramos-lhe um defeito.
Que é doce de mais. Mais uma colherada, que aquilo não é bem bolo. Mais uma colherada, que preferimos o brigadeiro e mais uma colherada e mais outro defeitozinho qualquer. Terminámos o bolo e ainda assim sentimos, rai's parta o bolo, que não era assim tão bom para interromper uma dieta. Mas ainda lambemos a colher.
E fazemos isso, com tudo o resto. Os maridos que fazem isto ou aquilo, os amantes que são amantes.
O trabalho, que é não é a nossa vocação ou é, mas mal pago, ou tem um mau chefe, ou um mal colega ou é o telefone que tem um toque qualquer que podia ser diferente. Mas lambemos a colher.
É incoerente, é sim senhora. Há quem diga que é português, eu diria que é, pura e simplesmente, humano.
Não sendo grande apreciadora de photoblogs, descobri hoje o Diario de Lisboa e estou já viciada.
Desengane-se quem acha que é uma espécie de Alfaiate Lisboeta. Pelo menos, para mim, o Diario de Lisboa é um blogue sobre a cidade. Os seus sitios e as suas gentes. Mostra-nos novas coisas em Lisboa ou aquelas pelas quais passamos todos os dias, mas numa nova perspectiva. E as fotografias são fantásticas.
Impressionaram-me, particularmente, duas coisas.
O Terraço do Clube Ferroviário, cuja existencia eu desconhecia e as várias fotos da Moda Lisboa (são muitos muitos posts, por isso não vou pôr link. Vendo essas fotos, chego à conclusão que, mais do que tentarem ir "na moda", as pessoas, pura e simplesmente, tentam vestir o mais estranho, diferente ou o que seja, para ir a tamanho evento. A coisa transforma-se num autentico freakshow.

Mais um para a lista de links ali em baixo.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Palavras

Se a mim me soa a cliché, outros parecem esquecer. As palavras leva-as o vento. Podem valer muito, arrancar um sorriso, uma lágrima, uma dor de cabeça. Entretêm, revoltam,ensinam.
São como as árvores num temporal, perduram as que têm as melhores raízes, mais consistentes, mais enterradas.
Para terem valor têm que acompanhar as acções. Falar é fácil, fazer é que custa.
É tão facil dizer que se pensa isto ou aquilo, que se sente, que se acredita. É tão facil a hipocrisia.
Há palavras que me podem escrever, cantar, dizer. Podem ser as mais bonitas, as mais caras ou mais disparatadas. Não me convencem.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Para aqueles que não viram



Este é o video de que falo no post anterior.

O jovem de 20 anos que agrediu uma mulher de 32 anos no metro de Roma, em Itália, arrisca uma pena de 18 anos de prisão, segundo informa a imprensa italiana este domingo.

O incidente ocorreu há uma semana, quando Maricica Hahaianu e Alessio Burtone discutiram por causa da fila para comprar bilhete. Um só soco foi o suficiente para atirar a enfermeira para o chão.
As imagens de videovigilância captaram o momento e deixaram o país chocado com a indiferença das pessoas a passar por uma mulher estendida no chão.
Maricica Hahaianu ficou em coma até este sábado, quando faleceu.
O advogado de Alessio Burtone disse este domingo que o jovem está muito «arrependido» e que nunca imaginou que a agressão viesse a ter este trágico fim.

Olhar para o lado

Anda tudo impressionado com o video que corre por aí, da mulher agredida no metro, que ali fica estendida no chão sem que ninguém faça absolutamente nada. Também me impressionou, sobretudo sabendo que a coisa era grave e que a mulher terá morrido dias depois. As imagens custaram-me. Mas, a verdade, é que estas imagens apenas que constatam a nossa realidade actual. Aquilo que eu já desconfiava.
Hoje em dia é comum assobiar-se para o lado quando a ajuda dá mais trabalho que um clique no computador ou um telefonema em que se finge que ouve, mas, no qual, se aproveita para falar.
Foi nisto que nos transformámos. Pessoas egoístas, que olham sempre para o seu próprio umbigo e assobiam para o lado. Contra mim falo, que também tenho preguiça, às vezes.
Cumprem-se os requisitos. O telefonema da praxe. O abraço no aniversário. O clique para o donativo. E já está, fica livre a consciência. Arregaçar mangas é para os outros, que eu cá tenho mais que fazer.
O video que em tanto blogue se encontra é, no fundo, nada mais nada menos que o mundo em evidencia.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

tranquila

Se eu tiver a minha consciência tranquila, bem podem amuar, berrar, espernear, ofender, magoar. Já não me chateia. Dantes chateava. Lá está, os gregos e troianos e a minha incapacidade para entender isso. Dantes revia todo o comportamento, todas as palavras, todos os gestos. E chorava. Atormentava-me a ideia de chatear, mesmo que involuntariamente, quem eu gosto.

Agora, se tiver a minha consciência tranquila, que se lixe. Há-de passar. Magoamos, muitas vezes, sem darmos conta. Isso eu também sei. Been there, done that. E ao contrário também. Mas já não admito de quem me conhece bem, a birra. Falem-se as coisas. Isso sim. Tente-se perceber. Senão, que fazer?

Quem me conhece e quem eu gosto, sabe que dou o melhor de mim. Às vezes não é suficiente. Admito. Nem para mim própria, às vezes é suficiente. Deixo o melhor de mim para outros projectos ou para outras pessoas. O que estiver na lista de prioridades. E depois, esgota-se o tempo, a força ou até, em casos mais extremos, a paciência. Até para mim própria. Se eu gostava de poder trocar as prioridades. Às vezes gostava, mas pura e simplesmente não é possível

A consciência tranquila, essa sim, tem que ser.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Não meio, mas um dia inteiro

Eu podia chegar aqui e fazer como o pipoco e mostrar o charme que é ir vir no mesmo dia de Madrid.
Podia chegar aqui e pôr fotos cheias de charme (apesar dos botões e do carro que não é O carro, enfim a mim "me dá igual"), mostrar o gel, a cadela e a bola, as horas que o carro marcava... mas não, a hora era a mesma, ou seja, charme, no meu caso, era pouco. Se tivesse que pôr gel àquela hora, a coisa não correria bem. Bendito cabelo liso lisinho, que nem de secar precisa (claro que fica melhor, mas isso já são outros quinhentos).
A minha viagem começa à mesma hora.
Isso significa que às 6h30 da manhã, enquanto muito boa gente está no 2º sono a passar para o 3ª e não último (normalmente eu seria uma delas), já tinha caído em pleno parque de estacionamento do aeroporto e feito patinagem artística Ou o mais parecido com patinagem artística que eu consigo. O raio dos sapatos hiper charmosos, aprovadíssimos seguramente pelo autor do blogue snob chic, não têm uso suficiente para criar atrito naquele raio de piso que alguém se lembrou de ali colocar. Caí assim que pus um pezinho no chão, ao sair do carro e lá fui em modo patinadora até à saída do parque.
Significa também que às 6h30 da manhã tinha sido já completamente apalpada por aquelas senhoras, que tem essa função quando passamos no detector de metais e aquilo apita e que, coitadinhas, graças à roupa que a ANA lhes dá, só conseguimos pensar que é lésbica e o macho lá de casa.
Significa que às 6h30 da manhã, já tinha ensinado a um inglês a palavra "fuego". Àquela hora, quem é que se lembra de "mechero", quando raio do inglês sentado ao nosso lado se lembra que é a palavra "isqueiro" aquela que vai  mesmo mesmo precisar em Madrid. Assim se ensina "fuego". Com subtileza.
Podia ter tirado um montão de fotos como o pipoco. Mas não teriam o mesmo charme.

comer orar amar

Fui ver o filme. Achava que nunca iria. Não tinha interesse. Não fui por curiosidade, nem por "deixa cá ver porque é que todos gostam". Há formulas que convencem as massas. Umas são boas, outras nem por isso e esta não me convencia por aí além. Mas já passava da meia-noite, não havia grande escolha e apeteceu-me e pronto.
Não me identifiquei e tenho alguma dificuldade em perceber porque é que tantos se identifiquem e vêm de lá com uma perspectiva totalmente nova e pensar na vida e pardais ao ninho.
Em primeiro lugar, não considero que seja aquilo que os outros querem. Posso nem sempre saber o que sou, mas seguramente também não sou o que os outros querem. Às vezes, pronto.
Em segundo lugar, não acho que senhora que escreveu o livro, particularmente corajosa, por largar tudo e ir não sei quanto tempo para Italia, India e Bali. A maioria das pessoas não o faz, porque, pura e simplsemente, não tem liberdade monetária para isso. Tivessemos todos mais uns trocos nos bolsos e veriam o que era a malta a viajar todo. Corajosos passariam a ser os que ficassem no mesmo lugar muito tempo.
Portanto, o filme não me convenceu. Já o Javier Bardem...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

três é que é

A minha lista de links não ficaria compostinha sem um terceiro bloguinho.
Porque estou completamente viciada. Porque anseio por saber mais do Zé e estou em pulgas por saber quando vai fazer o tão aguardado pedido de namoro.
Estou convencida que um dia vêem os pedidos todos. De namoro, casamento e conta conjunta.

O meu terceiro link é A Mulher Certa, por ser tão certeira.

Não acredito


Não me posso gabar de ser uma pessoa muito intuitiva. Não sei ver se alguém está a mentir ou não, mesmo que a conheça já há muito tempo. Só se rir descaradamente, senão, acredito piamente.
Mas se uma pessoa entrar em demasiados detalhes desnecessários, desconfio.
Hoje recebi uma chamada "temos que desmarcar o nosso jantar, porque amanhã tenho uma reunião, mas as pessoas vêm do país y e, por isso hoje tenho que jantar com eles no restaurante xpto. De maneiras que é assim tenho um jantar de trabalho e a coisa é capaz de demorar porque bla bla bla". Eu diria apenas "desculpa, não posso, porque tenho um jantar de trabalho." ponto. Tanto detalhe soa-me a demasiado tempo a pensar no discurso, logo, soa-me a falso. Ou então, é só uma pessoa gabarolas, a tentar mostrar como é importante. Também não gosto. Já não há jantar para ninguém, nem hoje, nem amanhã. Perdi a vontade.

e depois há os outros

Os que não precisam de companhia, mas estão miseralmente infelizes e sabem-no. Esperam que lhes saia o totoloto dos relacionamentos e acreditam que um dia tudo vai mudar. Quando casarem ou quando viverem juntos ou quando tiverem filhos. Quando o emprego melhorar, a doença passar ou quando se vestirem de amarelo.
Não conheço de perto nenhum caso de violência domestica, mas conheço muitos de violencia psicologica. Que destroem auto-estimas. Em que uma das partes convence a outra que não é merecedora. Merece menos, porque rói as peles da unhas, porque fala baixo, porque fala alto, porque é gorda, porque é magra, porque não dá um murro na mesa ou porque diz um foda-se vindo da alma. E essas continuam a esperar pela lotaria. Acham que um dia vão ser merecedoras ou que um dia tudo vai melhorar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010


"O rico poupa no pão para comer camarão"

Preciso de companhia


Sou tida como uma descrente nisto do amor e das relações. Enganam-se, eu acredito e muito mais que os outros.
Não acredito em relacionamentos só para ter alguém com quem ir ao cinema. Não acredito em não sermos nós próprios. Não acredito em joguinhos de sedução, que hoje sou uma coisa, amanhã sou outra.
Não acredito em rotinas, em que borboletas voam noutras direcções, em vez de baterem asas no nosso estômago.
Preciso de companhia, dizem-me muitos. Se eu precisasse de companhia arranjava um cão. Desses tipo porta-chaves, que ocupam pouco espaço e cabem numa mala e levam lacinhos e vestidinhos.
Preciso de ter alguém, dizem-me outros. E tanta gente que nós já temos e já os chamamos usando um pronome possessivo, meu, nosso, minha. Os meus pais, os meus amigos, os meus colegas.
Eu, preciso de muito mais que isso. Preciso da falta de ar com uma simples mensagem. Preciso do coração que bate mais depressa com um simples toque. Preciso da saudade avassaladora.Das horas que passam a correr ou que param, consoante se estamos juntos ou longe.
Não me levanto da cama por menos. Não deixo os meus amigos por meras companhias.
Porque acredito em tudo isto e muito mais. Ao contrário dos outros.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Recado

Não quebres as minhas rotinas. Não me acordes, seja de tarde ou de noite. Não interrompas os meus livros ou os meus blogues. Não me peças para sair quando chove lá fora. Não entres na minha casa quando acabei de a limpar.
Não quebres as minhas rotinas. Não interrompas a Fox Life, a menos que esteja a dar o Glee. Não me digas o que escrever. Não escolhas os filmes por mim.
Não quebres as minhas rotinas. Não me contes o fim, nem definas o inicio. Não me contes que pensas em mim.
Não quebres as minhas rotinas. Já que vais partir-me o coração, fá-lo segundo as minhas regras.

sábado, 9 de outubro de 2010

Mais um

A primeira vez é que custa. Depois é sempre a abrir.
Mais um blogue para a minha lista de links.
Um bloguinho novinho, novinho, mas daqueles que gosto à seria. E que sei que vou gostar ainda mais. Mais um que foge ao mais do mesmo desta blogosfera e muito, mas mesmo muito, bem escrito.


A não perder, é o que vos digo.

Ela

Ás vezes não gosto dela.
Ás vezes perde-se demasiado com os detalhes, outras vezes, leva tudo à frente. Não conhece o meio termo e passa de um estado de espirito ao outro, a qualquer momento, sem aviso prévio. Corre, pronta para levar tudo à frente e pára, de repente, para analisar aquele pequeno detalhe. Outras vezes, analisa os detalhes minuciosamente,  um a um, distrái-se no exercicio e leva tudo outra vez.
Reclama muito. Sociedade, gajos, outras gajas. Quer escrever sobre isso e chamar-lhes merdas. Mandá-las para a puta que o paiu ou mandá-las foder.
Apaixona-se com facilidade. Não por pessoas ou também por pessoas. Apaixona-se por um livro, pelo telemóvel, pelos amigos e até por mim, vejam só.
Às vezes não gosto dela.
Desta blogger.

Assinado: O blogue

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

1-2 1-2 Experiencia


Este blogue anda em experiências. É tão, mas tão especial que tem um designer por detrás disto. O dito designer e a respectiva blogger têm, neste momento, alguma distancia entre si. O que leva a que se faça a experiencia directamente no blogue, a blogger vê e o designer (que também já está quase um autentico blogger) faz experiências. Andamos aqui à procura da imagem. Aquela. E ainda não nos entendemos. Assim, os labiozinhos lá em cima são temporários, até o designer poder alterar. Não é tarefa fácil encontrar uma imagem que me reflicta e, simultaneamente, me agrade. Este designer não tem a vida nada facilitada e uma paciência infinita. mesmo não gostando dos labiozinhos, muito lhe agradeço.

wow

O livro que eu estou a ler, até à página 44, estava a ser uma seca. Falava nuns nerds, com um interesse que os unia muito "nerdoso", as conferencias a que iam, os artigos que liam, bla bla bla. Na página 45, conta-nos detalhadamente um jantar entre duas pessoas. O que ela comeu, o que ele comeu, blablabla. Estava prestes a desistir. O livro tem 1083 páginas. Tanta página com tanto blablabla é dose. Mas eis que, depois do jantar, foram para casa, beberam isto e aqui, bla bla bla e "foderam durante uma hora". wow. afinal isto é capaz de ser interessante.


E assim, com umas aspas, tramei o meu blogue e escrevi uma das variantes da palavra F. Agora ninguém me agarra.