quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A primeira vez

A primeira vez não pode ser de qualquer maneira e muito menos com qualquer um.

Este blogue decidiu (o raio do sacana tem vontade propria!) que o seu primeiro link deveria ser para aquele que foi o primeiro a pô-lo (ao blogue) como link no seu, que se fez seguidor à primeira leitura e acrescentou ainda que, tal olheiro de blogues, sabe logo à partida se um blogue vai ser bom ou não. Dado tamanho previlégio e por se mostrar também uma lufada de ar frescos neste mundo blogosferico onde só encontramos mais do mesmo, ficou decido. O primeiro primeirissimo blogue a figurar na listinha mais em baixo será:


Digam lá que não é um nome tão fofinho para primeiro? Dá assim ares de bom menino, que estará à altura do que se lhe pede.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Oh pra mim tão giro


Sou um bocadinho tímido, mas exigente.
Sou simples, mas autoritário.
Ainda agora comecei e já estou com esquisitices.
Não permito certas palavras começadas por F, ou por M. nem um Pêzinho que, às vezes tanto jeito dá.
As imagens parecem-me sempre fracas ou demasiado coloridas ou demasiado qualquer coisa que choca com esta minha sofisticação.
Apago textos, tal lápis azul. Reescrevo-os. Não aceito qualquer coisa.
Comecei agora nestas andanças e ando já armado em pedante. Nem tudo me serve.
Não aceito truques e técnicas, só verdades verdadinhas e bem filtradas.
Sou um chato, mas tenho uma granda pinta.
Sou um blogue com a mania.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Não te prendas


São só palavras.
Ouve-se uma aqui, outra ali e imita-se ou descreve-se ou inventa-se.
Juntam-se as palavras que queres ouvir ou que queres ler e com sorte, de forma mais ou menos original ou com piada ou triste. Consoante o que queres ler e ouvir.
São só palavras, ás vezes nem se sentem nem se praticam nem se fazem.
Posso escrever o que quiser. Reinventar-me ou reinventar a ti. Ou aquele que ia ali só a passar e foi apanhado pelo meu olhar, a minha mente e a minha imaginação.
Não te prendas ao que ouves. Prende-te ao que vês, ao que sentes.
Não te prendas ao que lês.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Debaixo da capa

Gostava de controlar a minha vida, da forma como às vezes creio controlar. Pegava no telemovel e com um toquezinho resolvia tudo. Ia à lista telefonica e escolhia. Vinham as borboletas, os olhos de carneiro mal morto e prenchia todos esses vazios. Quando a coisa passasse, ia às opções, apaga e já estava. Quando quisesse, escolhia outra vez e uau, o mundo cheio de borboletas outras vez.
Vivo entre essa dicotomia de quem quer ser uma mulher do seculo XXI, independente para tudo e a vontade de ser melhor amada. Às vezes, sou feliz, eu acredito que sou. Vou jantar fora, rio um bocado, escrevo outro bocado, trabalho, atinjo objectivos e corre tudo sobre rodas.
Vesti a capa que alguém me disse que me ficava bem. Como aquela saia da Zara, essa é que é, fica-te mesmo bem. Agarro-a com força e sinto-me quentinha. Às vezes resvala um bocadinho. Sinto o frio no ombro e puxo-a outra vez. Outras vezes resvala um pouco mais, perco a força nas mãos e quase quase a deixo cair. Sinto o frio no peito e deixo de respirar. Às vezes apetece-me deixá-la cair e acenar com toda a minha força. De forma eloquente. Até aquecer, até perder o medo, até ser feliz.
Até ser como o livro chato que às paginas tantos se transforma no mais genial. Afinal era só o inicio, só para enquadrar, só para chegar ao entusiasmo. Às vezes acredito que a página chegará, mesmo mesmo quando estiver quase  a desistir. Depois das descrições sobre cortinados, moveis do seculo da maria caxuxa, candelabros xpto. Até que chegam os desamores, o irmão que é irmão, mas afinal não é, a intriga, mas das boas, a paixão assolapada.
Quase que és essa página. Falta-te o quase. Às vezes olhas e parece que vês. Ia jurar que os teus olhos fixavam debaixo da capa e, melhor ainda, percebiam tudo tudinho que estava lá por baixo. As outras roupas, as formas, os acessórios. O escondido e o descoberto. Percebiam e não julgavam. Aceitavam. Abraçavam, procuravam saber mais, sem transpor as regras do decoro, descobriam e elogiavam. Diziam a verdade, tal como dizes quando não achas piada, tal como te lembras quando te perguntam por quem escreve. Devia chegar-me essa tua lembrança, mas não chega. Porque fica muito mais quentinho quando deixo cair a capa ao pé de ti e eu sinto falta de calor.
Porque os espaços preenchem-se e eu sinto-me vazia. Porque, às vezes, me fazes sentir melhor. Muito melhor.

Motivações


Farto-me de ler nas revistas da especialidade e livros da técnica que uma mulher deve andar sempre impecável. Até aqui nada a comentar. Acrescentam ainda tamanhos sábios desta vida como manter a motivação para tal aprimoramento. às solteiras aconselham a imaginar cada dia que vão encontrar o príncipe, à casadas para imaginarem que estão ainda na fase da conquista, às que namoram sei lá o quê. Eles, portanto, imaginarem-se perante eles. Pois eu diria que a melhor motivação seria imaginarem, todos os dias, que vão encontrar a ex do namorado ou a actual do ex. Aí sim, era vê-las a dar o seu melhor.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Isto vai lá

Agora que tenho criado este meu cantinho, sinto-me sem coragem para lhe escrever. Como, numa casa nova, e as suas paredes brancas, ou de uma qualquer outra cor, mas que nos dá essa sensação de espaço em branco,onde temos medo de pendurar um quadro. Por não termos a certeza se as suas cores serão as que irão condizer com o resto da casa, por ter medo de furar, definitivamente, a superficie lisa, não estando seguros se o sitio é o mais correcto. Como numa nova relação, em que não sabemos ainda que limites vamos impor, ou sequer se os vamos impor.
Porque cada palavra irá definir a imagem e ainda não sabemos bem que imagem queremos para além daquela ali em cima, em que as sombras das letras nos mostram uma outra forma e o lençol preto as suas rugas.
Isto vai lá, porque em cada junção de palavras iremos encontrar mil e uma formas, à imagem de quem a lê e a essa outra imagem de quem a escreve.
Isto vai lá, enquanto escrever assim, o que penso agora, o que quero amanhã.
Isto vai lá, quando vier a coragem e começar a ver a casa cheia, com cada um dos seus moveis, as suas cores e todas as suas conjuções.
Isto vai lá.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pensava que o meu primeiro post teria que ser sobre o titulo.
As mil e uma coisas que poderia eu fazer enquanto dormias. Ou enquanto te deixas ficar nesse estado de apatia, enquanto eu faço, ou escrevo, ou digo. Ou enquanto não me vês e vejo-te eu a ti e escrevo-te e conto-te e digo-te. Ou enquanto não sentes aquilo que sinto eu desmesuradamente.
Um lugar comum era o que eu ia escrever. Para desbloquear e seguir com os meus mil e um textos, as minhas mil e uma teorias, enquanto tu ficas a ver. Ou a dormir.
Mas desisti. Não me apetece escrever sobre esse tempo enquanto dormias, porque já não me apetece escrever sobre ti. Apetece-me escrever sobre mim, sobre os outros, sobre a vida, sobre o amor ou a falta dele. Sobre tudo isso que acontecia, meu amor, enquanto dormias.