quinta-feira, 31 de março de 2011

O percurso das minhas caminhadas (e um cherinho da minha Irlanda)




A primeira caminhada


Adiei dois dias. No primeiro, porque tinha que me dedicar as lides da casa (ai se a minha avo me visse: tão prendada que esta a minha menina), no segundo porque chovia a potes. No dia que chovia ainda pensei que chegava a casa, equipava-me e me punha na wii fit para compensar, mas o sofá ficava a meio caminho e chamou por mim como se não houvesse amanha.
Ontem, não tinha desculpa, estava um solzinho apetecível e eu ate nem tinha muito mais para fazer.
Apesar do solzinho, tive que me equipar a seria. Collants debaixo das calcas, blusa de gola alta, gorro e polar (bbbb, o gorro que me ofereceste foi uma peca essencial, sem ele não teria conseguido).
Nos primeiros 5 minutos, o tabaco fumado deu logo sinal de vida e eu pensei logo que aquilo me ia custar horrores e ainda ponderei voltar logo para tras. Quando mais andasse para a frente, mais teria que andar para voltar atrás. Na verdade, os primeiros 5 minutos foram os mais difíceis. Tomei balanço, pus o ipod no máximo e la fui andando. Caminhei (e corri, muito de vez em quando) durante 45 minutos. E soube muito bem. A zona e' muito bonita, fui observando as casas, fui encontrando muita gente a fazer o mesmo que eu e fui pensando na minha vida. Voltei para casa cheia de energia e de muito bom humor. Sem vontade de fumar e sem a fome que me costuma assolar aquela hora. Realmente, o sofá e' uma ma opção.
Deu para perceber, também, que os ténis lindos que comprei há uns 3 anos, me estão grandes.
Ainda fiquei com vontade de arranjar um cão. Vi muita gente a fazer o seu jogging acompanhado pelo cão e achei que era giro. Pensei em possiveis raças e nomes e tudo.
Hoje não chove, mas faz um vento horrível, por isso a motivação terá que ser maior, mas eu não vou desistir.
E ao meu amiguinho, que gozou no facebook com o meu jogging e que ate passa por aqui, de vez em quando, ainda te vou surpreender. Quando voltar a Portugal faço uma aula das tuas de RPM, para veres como e' que e' (ou como e' que eu sou!).
If you snooze you loose.

Lei de Murphy


Ontem tinha uma chamada pelo skype, as 18h. Daquelas mesmo mesmo importantes, que não queremos falhar de modo algum, nem sequer nos podemos atrasar.
Apesar de, normalmente, demorar 15 minutos a chegar a casa, tinha já decidido sair as 17h em ponto, para poder ir calmamente, ligar o computador, testar a minha imagem, não fosse preciso dar um jeitinho no cabelo ou na maquilhagem.
Estava já a preparar-me para sair, faltavam 2 minutos para as 17h, aparece-me a mete-nojo-cor-de-rosinha a pedir para ver uma coisa. Fiquei logo nervosa e despachei-a em 3 tempos.
No caminho para casa, passa por mim, a alta velocidade,um carro da policia, daqueles a paisana que, de vez em quando liga as luzes e a sirene, Ia a fazer uma perseguição. Mais a frente, o carro atravessa-se no meio da estrada, imobilizando o carro que perseguia. Cool. Afinal em Drogheda, as vezes, isto ate e' emocionante. Pois, mas o raio da "guardia", enquanto fazia sei la o que com o perseguido (merda, donde estava não conseguia ver) resolveu cortar a estrada e mandar os carros todos por outro lado. Eu não me importava nada de ir por outro lado. Se soubesse o caminho. E com isto tudo, já tinha passado meia hora e eu a ter que chegar antes das 18h.
La pus o gps, que demorou séculos a captar sinal e fui seguindo os outros carros. Um transito infernal. Passado 20 minutos já só tinha andado 200 metros.
Entretanto, ia insistindo com o leitor de CDs, para conseguir ouvir o único CD que encrava, mas que e' o que mais me apetece. Aquilo, como sempre, la encravava e eu, vá de carregar em todos os botões, tira e põe CD, ate ter conseguido a proeza de encravar TUDO. O CD não tocava e já não saia de dentro do leitor. Agora, oiço radio irlandesa e e' se quero.
Cheguei a casa, precisamente as 18h. La se foi o raio do jeitinho ao cabelo e a maquilhagem e la fui ligar o computador a correr. Demorou séculos.
As 18h10 la consegui por aquilo a trabalhar. Aparentemente. Não se ouvia nada e via-se muito muito mal.
Passamos para o telefone. Ohhhhhhh....

Perolas do meu colega espanhol #3 e #4


Acerca duma grande confusao:
- Esta un Cristo montado.
Montando, em que?

No transito, chateado com outro condutor:
- Me cago en Mi puta madre!
Na tua? Nao deveria ser na dele?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sobre o post anterior


O ano passado, escrevi isto a uma pessoa especifica.
Hoje, sinto-o relativamente a muitas pessoas, lugares, coisas. Todas, menos aquela a quem escrevi.

Há um ano atrás, escrevi isto

Às vezes finjo que escrevo para ti. Os meus melhores textos foram sempre aqueles que te escrevi.

Por isso não tenho escrito. Nada de jeito, pelo menos.
A falta de contacto não ajuda. Diz o ditado popular, olhos que não vêem, coração que não sente. E, às vezes, vejo-te, mas já não te sinto. E faz-me falta sentir-te. Só assim um bocadinho, só para conseguir escrever uma frase. Com mais ou menos sentido, não sei.
Esta loucura acabaria um dia e eu sabia. Não me faz falta a loucura, digo eu, que nada sei... Mas, às vezes, só às vezes, sinto-lhe a falta.
Sair deste carreirinho de ovelhas. Sair desta vidinha. Faz-me falta a loucura para senti-la.
Outras vezes, prometo que não voltarei a fazê-lo. Não quero que me penses louca. Quero escrever e ser normal. Genial. Mas para isso, faz-me falta sentir-te. Ou sentir-me. Ou sentir o que me fazias sentir.

Carta da Irlanda a Portugal - cronica de um jornalista irlandês

Dear Portugal, this is Ireland here. I know we don't know each other very well, though I hear some of our developers are down with you riding out the recession.

They could be there for a while. Anyway, I don't mean to intrude but I've been reading about you in the papers and it strikes me that I might be able to offer you a bit of advice on where you are at and what lies ahead. As the joke now goes, what's the difference between Portugal and Ireland? Five letters and six months.

Anyway, I notice now that you are under pressure to accept a bailout but your politicians are claiming to be determined not to take it. It will, they say, be over their dead bodies. In my experience that means you'll be getting a bailout soon, probably on a Sunday. First let me give you a tip on the nuances of the English language. Given that English is your second language, you may think that the words 'bailout' and 'aid' imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that's what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come.

For this you will be expected to be grateful. If you want to look up the proper Portuguese for bailout, I would suggest you get your English-Portuguese dictionary and look up words like: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-off. This will give you a more accurate translation of what will be happening you.

I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while.

We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on.

Then, when your government gets in, they will initially go out to Europe and throw some shapes. You might even win a few sports games against your old enemy, whoever that is, and you may attract visits from foreign dignitaries like the Pope and that. There will be a real feel-good vibe in the air as everyone takes refuge in a bit of delusion for a while.

And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then.

Love, Ireland.

Sunday Independent

terça-feira, 29 de março de 2011

Bem, obrigada


Querido blogue,

Os ultimos dias, entre Espanha e Portugal foram tao bons, mas tao bons, que nem tenho o que escrever.
Nao venho com duvidas existenciais, com paixoes nao correspondidas, nem infeliz que meta do (apesar da choraminguice no Domigo, antes de ir para o aeroporto).
Tambem nao venho aos pulinhos de contente, como estava nos primeiros dias aqui, antes de me inteirar que nao vim de ferias e que esta mudanca e' a valer.
O trabalho e' muito e em ingles, mas vai-se fazendo, melhor ou pior.
O tempo ate nem esta mau (hoje esta um pouco nevoeiro, mas ainda assim aguenta-se bem) e os dias, com a mudanca de hora, ja acabam mais tarde (ja nao tenho desculpa para nao fazer a caminhada que vai ajudar o CLA a fazer efeito).
Acima de tudo, Espanha e Portugal, devolveram-me os niveis de animo, esperanca e energia.
Por isso, o que me apraz dizer, e que estou muito bem, obrigada.

Primeiro dia


Também eu comecei a tomar o famoso CLA que se fala tanto por essa blogosfera fora.
Estava a ficar desesperada com a roupa a apertar, o ponteiro da balança a subir e o raio desta comida irlandesa que não ajuda.
Perguntei a 3 pessoas diferentes, do ramo de farmácia que achavam. Todas me disseram que mal não fazia. Rendi-me. Tinha que começar por algum lado.
Ontem foi o primeiro dia e já sinto diferenças. Psicológicas. A verdade e que serviu de empurrão a seta motivação e, ontem, depois de tomar aquilo, portei-me muito melhor que o habitual.
Comi frutinha, bebi muito mais agua, comi sopa a todas as refeições.
Tinha pensado fazer uma caminhada, mas o panfleto da embalagem de CLA da vários exemplos de exercício físico, sendo um deles, aspirar a casa toda. E a minha bem precisava.
Desdisse o aspirador milhares de vezes e estive o tempo a pensar que preferia mil vezes o raio da caminhada. Ainda por cima, ontem estava muito melhor tempo que hoje.
Não importa, o polar, o gorro, as luvas, o cachecol e o ipod estão já prontinhos, para hoje, as 18h, ajudarem-me a dar corda aos sapatos.
Vamos ver se e desta.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Mais do mesmo. A que preço?

Andava aqui a contorcer-me para não escrever mais sobre política. Não é o meu forte e não queria trazer até ao blogue estas guerras. Mas ao deparar-me com esta noticia, foi mais forte que eu.
O senhor Passos Coelho, apenas um dia depois da palhaçada, assumiu já, em Bruxelas, compromissos relativos a Portugal.
Eu bem sei que até nem seriam necessarias eleições porque sabemos já todos qual será o desfecho da coisa, mas não será isto um bocadinho prematuro. Eu cá, não ando a mandar postas de pescadas, antes de ter um contrato assinado.
E o senhor avisa já que terá que aumentar o IVA. Tem já as suas favinhas tão bem contadas, que justifica já a hipotética medida impopular que hipoteticamente irá adoptar, caso hipoteticamente venha ser nosso primeiro ministro. E, para isso, utiliza a desculpa do costume, "ah e tal, afinal isto está pior do que pensava". Esta deve ser a primeira frase que vem escrita no manual dos políticos. Mas este senhor esqueceu-se de ler o capitulo até ao fim e não percebeu o momento em que se deve dizer. Depois das campanhas, com eleições já ganhas.
Esqueceu-se também que, ontem, chumbou um PEC de animo leve. Eu diria que não se chumba assim a coisa, sem total conhecimento ds factos. E o senhor não os conheceu de ontem para hoje, isso é certo.
Para mim, esta é apenas mais uma das provas do verdadeiro objectivo daquele que muitos, agora, vêem como o salvador da patria. Sede de poder. E como bom empreendedor que é (tiro-lhe o chapéu) soube retirar desta crise, beneficios próprios.
De resto, será mais do mesmo. A crise não se vai resolver por obra e graça do espirito santo e a Merkel e Bruxelas continuarão a pressionar. Assim, teremos uma nova cara, numa velha cadeira, a fazer exactamente as mesmas coisas. Com outros nomes, claro. Entretanto, gastaram-se milhares de euros numas eleições absolutamente desnecessárias, num país já à beira da bancarrota.
Eu não era defensora do governo que tinhamos. Não concordava com algumas medidas. Posso gabar-me de não ter contribuido com o meu valioso voto para este segundo mandato, mas não acho que este fosse o momento para a dissolução de um governo e os custos que isso acarreta.
Acho que este senhor, e toda a restante oposição, fizeram uma grandecissima amona a um país que estava já com o ataque de asma. Espero, pelo nosso bem que, tragam depressa uma bomba ventilan e que não se tenham esquecido que a comparticipação do estado nos meicamentos, já baixou.





quarta-feira, 23 de março de 2011

Pérolas do meu colega espanhol #2

Em conversa, sobre um colega a quem saem todos os sorteios:
- Tiene que follar muy poco!

terça-feira, 22 de março de 2011

Diferente

Um dia, em vez duma, olhei duas vezes.
Olhei a primeira, "olá, tudo bem? Que tal a familia, a saudinha, olhameste tempo que se pôs. Beijinho, até à próxima, vou só ali, venho já." Mas o raio do pescoço não foi. Em vez disso virou-se outra vez. E os olhos também, não, e olharam uma segunda vez. Pshhht, estejam quietos, que é isto de se armarem em carneirinho mal morto. E a cabeça pensou
Como posso ser eu diferente das outras?
Depois vieram as palavras. Vou dizer qualquer coisa realmente inteligente. Ups, parecia mais inteligente na minha cabeça. Vou dizer uma piada para contornar a situação. Ups, tinha mais piada na minha cabeça. Vou falar na situação na Libia e encerro o assunto. Ups, não fosse a tirada inteligente e a piada, isto fazia sentido.
Como posso ser eu diferente das outras?
E depois veio o silencio. Tenho que deixar de dizer coisas parvas. Tenho que ser mas gira. Tenho que estar menos disponivel. Tenho que ser mais porreira. Tenho que ser mais.
Como posso ser eu diferente das outras?
Depois vieram as mensagens outra vez, oh alegria, já está a resultar.
Como posso ser eu diferente das outras?
Não sou. Não serei.
Quem são as outras?
As que se encantam, as que idolatram, as que querem ser diferentes, as que vão na cantiga, as que fingem que não vão, as que se envolvem.
E o que é ser diferente?
É não me encantar, não idolatrar, não tentar ser diferente, não ir na cantiga, nem fingir, não me envolver.
Ficou decidido.



Os Censos na Irlanda


Logo para começar, não sei responder as perguntas da primeira pagina. Quando foi construída a casa? que tipo de abastecimento de agua tem? que tipo de sistema xpto que não sei para que serve tem? Só sei responder a do combustível que uso para o aquecimento. Mas só porque tive que pagar 500 euros de gás há um mês atrás.
De resto, as perguntas são fraquinhas, fraquinhas. Não há recibos verdes, por isso não ofendem ninguém nessa parte. Só perguntam se a pessoa esta empregado, se trabalha por conta de outrem, por conta própria e, neste ultimo caso, se tem empregados.
Nada de especial, portanto.

A grande polemica aqui, prende-se com a religião. Não me tinha ocorrido nunca que pudesse ser um problema. Mesmo conhecendo as celeumas aqui com essa questão, não me tinha ocorrido que nestas coisas dos censos, alguém pudesse ter problemas em revelar a sua religião, ou no meu caso, a não religião (sim, nem ateia me considero). Ate ter reparado que passa um anuncio na TV com o propósito de encorajar as pessoas a serem sinceras, caso não sejam católicas.
E foi depois de ver aquele anuncio que fiquei a ponderar se devo, ou não, ser sincera. E' que aquilo vai com o meu nome morada e numero de telefone.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Census

Acabei de receber o "census of population of Ireland".
Bora comparar?



Facebook


Ver fotografias da mete-nojo-cor-de-rosinha de calcoezinhos, celulite de fora e sem soutien, era algo que dispensava.

Parvos somos nos


Esta e' a segunda experiência internacional que tenho e, nas duas, chego a mesma conclusão, Portugal não e' assim tão mau.
Não, como nos próprios, portugueses, o pintamos.
Queixamo-nos do transito e eu pergunto-me se já viram o transito em Madrid ou Milão..
Queixamo-nos do governo corrupto e esquecemos do Berlusconi, em Itália, que muda uma lei a cada dia, para se proteger e proteger os seus. (e re-elegemos uma Fátima felgueiras, o que devia calar-nos).
Queixamo-nos da burocracia. Quando estive em Franca, para poder tirar o passe, tinha que provar que era residente, para provar que era residente, tinha que provar que estava a estudar ou a trabalhar, para provar que estava a estudar, tinha que inscrever-me na faculdade e ir buscar um papelinho passado uns dias. E quais eram as minhas alternativas para me deslocar para tratar de todas estas coisas? Os transportes públicos para os quais não tinha passe ou a pé. Nunca fiz tantas bolhas nos pés na minha vida, como nas minhas primeiras semanas, em Franca.
Queixamo-nos do emprego. Da falta de estabilidade que temos hoje em dia. Nos outros sítios não sei, mas na Irlanda e em Inglaterra, só vejo pessoas a contrato ou através de empresas de trabalho temporário.. Nesta multinacional em que trabalho há 4 meses, vi já muita gente sair e ser substituída por outra, por apenas mais um ano. A mão de obra e' mais que necessária e, no entanto, também aqui se recorrem a esquemas para não compromissos. A única vantagem aqui, e' a que tal flexi-guranca funciona e as pessoas arranjam logo logo outro emprego. A contrato ou através de empresas de trabalho temporário. Outra vez.
No meio de tudo isto, temos ainda um clima e uma comida maravilhosos.
Não quer dizer com isto que eu concorde, que acho que não devamos mudar, mas o discurso que só em Portugal e' que acontece e que somos uns coitadinhos, recuso-me a aceitar. Reivindicar os nossos direitos,sim, mas com outro discurso, por favor. Nos nao estamos assim tao mal.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Exercício

Vamos fazer um exercicio de imaginação.
Imaginemos que temos um problema de saúde e que precisamos muito de um médico.
E que esperamos nós desse médico? Que, coitadinho, se tenha fartado de estudar e só por isso já mereça abrir-nos o coração? Que tenha aprendido umas luzes que há uma aorta e uma não sei quantas e, por isso, já pode vir tentar curar-nos?
Opá, se calhar o homem até trabalhou ao mesmo tempo que estudava. Se calhar até já mandou muitos curriculos. Se calhar até fez um desses cursos com muitos que se vê por aí, sem conteúdo, numa privada qualquer. Oh, meu senhor, não seja por isso, abra-me já o coração e depois, logo se vê.
Coitado do senhor, qual estágio para ganhar experiência, qual especialização a contrato. Venha já curar-me do meu mal e prometo que não lhe pago a recibos verdes.
Ou será que esperamos que o senhor tenha praticado muito antes, tenha sido supervisionado antes, tenha aprendido à séria, com a mão na massa, antes vir cá mexer dentro do nosso corpo? Esperamos que tenha sido bem pago para aprender?

Qualquer entidade empregadora, vê no seu empregado, o que nós seres humanos vimos num médico.
A vida duma empresa depende do seu lucro, da sua imagem e da sua reputação. Sim, é uma questão de vida ou morte. A da empresa. E depende muitissimo dos seus empregados. E é por isso que não basta estudar. Temos que aprender, que praticar, que ser supervisionados. Nem sempre pagam para isso. Às vezes pagam a recibos verdes. Às vezes, põem-nos a tirar cafés ou fotocópias. Assim, como um médico, às vezes só tira uma temperatura ou olha para uma garganta. Alguém tem que o fazer, até chegar ao coração, fazer um bom trabalho e, por isso, ganhar um bom ordenado.

Se somos tão exigentes com o médico, vamos sê-lo também com nós próprios. E, depois, então, manifestemo-nos.



E ja que estou numa de reinvindicar


Alguém me explica porque e' que o sr. Carlos Castro merecia ter uma rua com o seu nome?
Para homenagear o seu trabalho com fofocas?
Por ter sido assassinado de forma tão horrorosa?
E que tal uma rua com o nome daquela miúda, a Joana Cipriano, cujo o corpo dizem ter sido atirado pela mãe como comida para os porcos?
Ou das prostitutas violadas e assassinadas, pelo chamado "o estripador português"?
Não entendo estas petições, quem teve brilhante ideia e o que move tanta gente a defende-lo.
E' verdade que também não percebo ruas com nome de disciplinas ou terras, ou ate mesmo, a minha própria rua, com  o nome da minha tetra-tetra-treta avo, com que ainda tenho o apelido ventura em comum, mas que desconheço que terá feito para merece-lo. Dizem que foi benfeitora, mas reza a historia que era a mulher do presidente da câmara ou coisa do género e uma daquelas dondocas que passava a vida em jantares e bailes de caridade.
Ainda assim, não percebo porque temos que homenagear este senhor e digo não a uma rua com o seu nome.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O IVA e o golfe


Ao contrario do que as pessoas pensam, o governo não tem impostos só para nos lixar, não senhora.
Os impostos servem para um estado previdente poder proporcionar infra estruturas e qualidade de vida ao pais.
Se depois, os governantes efectivamente aplicam bem esse dinheiro, já e outra conversa. Não me vou aqui pronunciar se o TGV e o aeroporto são ou não uma prioridade.
O que eu sei, e que estas coisas são calculadas com muitas continhas e  que o objectivo de se por um ginásio, uma Coca-Cola ou um golfe a uma determinada taxa, e' apenas e só, gerar o máximo de receita possível para o Estado, dentro do razoável.
E, talvez, nem todos saibam, mas estas coisas tem uma curva. O governo vai aumentando e recebendo mais receita, aumentando e recebendo mais receita, aumenta e Oh, afinal e' menos receita, porque as coisas afinal ficaram caras de mais e a malta já não compra/usa. Ou seja, há um ponto de saturação em que já não compensa ao estado aumentar mais. E esse ponto de saturação e' efectivamente diferente consoante se trate de golfe ou de um ginásio. Há primeira vista, claro que todos pensamos que praticam golfe só os mais abonados (o que e' muito provavelmente verdade) que estariam disposto a pagar e assim ir enchendo os bolsos do Estado. Só que, para quem não sabe, aqueles que jogam golfe em Portugal não são, maioritariamente, portugueses. São turistas. Vivo na Irlanda e não há irlandês que não conheça o Algarve porque já la foi jogar golfe. Um deles, coitadinho, quando soube que eu era de Portugal, perguntou-me "isso fico mesmo ao lado do Algarve, não e?".
E para estes Irlandeses, sei de fonte fidedigna, o importante não e' ser no Algarve ou noutro sitio qualquer do mundo. O clima e' porreiro, os campos também e os preços ainda melhores. E por isso escolhem Portugal. Mas, as vezes escolhem Espanha. O clima e' porreiro, os campos também e os preços também.
A decisão deles recai sobre aqueles que forem mais baratos. De resto, e' lhes igual ao litro. E quem diz os irlandeses, diz os ingleses, os franceses e por ai fora.
E, por acaso, infelizmente para nos, Espana tem taxas de IVA mais baixas que nos. Se mantivermos o golf nos 23%, perdemos todos estes turistas para os nossos vizinhos.
E o dinheiro com que eles contribuíam para o estado, também. E se for assim, o bolo do estado diminui mais um bocadinho e o sacana vem-nos outra vez ao bolso, no pão, no leite, naquilo que estiver mais a mão e ainda margem para o tal ponto de saturação.
E eu, como não quero que o Estado me continue a ir ao bolso, estou muito contente com esta medida. Golfe a 6%.

terça-feira, 15 de março de 2011

Quando for grande

quero ser capaz de escrever assim sobre uma estupida aranha que encontre na casa de banho. Com a quantidade de aranhas que encontro nesta casa, teria pano para mangas.

Ou sobre o lixo, tambem teria dado jeito, nestes dias

Uma boa noticia!


Passadas 4 semanas, muitas chamadas para um call center e muitas voltas, finalmente, recolheram o meu lixo.


(alguem entende esta minha depressao, agora? isto e' a cena mais gira que tenho para contar. Boring.)

Menos um dia

Aqui há tempos, li num artigo qualquer, que um escritor norte americano, não esmorecia cada vez que uma editora lhe recusava a publicação de um seu livro, porque desenvolveu uma equação qualquer, que o fazia estimar que tinha que receber 100 recusas até conseguir o seu objectivo. Cada vez que recebia uma recusa, ficava contente porque era apenas mais uma até chegar ao seu número mágico. Finalmente, acabava por publicar o livro muito antes da tal recusa número 100.
Lembrei-me hoje disto e resolvi aplicar a muitas outras coisas na minha vida.
E, amanhã, vou tentar lembrar-me disto ao acordar, para poder esboçar um sorriso e pensar que é menos um dia que passo longe de casa.
E cada vez que me recusarem um curriculo, vou lembrar que é menos um até chegar ao emprego de sonho.
E cada vez que me sentir num mau emprego, vou lembrar-me que é apenas mais um, até chegar a reforma de sonho.
E cada vez que uma relação correr mal, vou lembrar que é menos uma, até chegar a tal
E cada vez que algo correr mal, vou lembrar-me que é uma aprendizagem para que para a próxima, corra muito melhor.
Nem sempre são precisos estes artefactos para acalentar esperanças por um dia melhor.
Neste momento é necessário. E pelo menos, sei que luto para me sentir melhor, para relativizar e conseguir sorrir. Só mais uma vez.



segunda-feira, 14 de março de 2011

Limites


Nunca me disseram que ia ser facil.
Foi muito facil ate determinada altura. Ate aos 18 anos. So porque sim, os resultados apareciam sem grande esforco.
Tive o meu primeiro choque, quando cheguei a faculdade. Onde era cada um por si, nao havia ca testes de 3 em 3 semanas e nao havia memoria que aguentasse sem estudar (ir aulas tambem teria dado jeito).
Tive o meu segundo choque, no primeiro trabalho. Um part-time num call center ao qual nao chamavam call center. Uma equipa de muitas pessoas, a desejar mais que o part-time e o contrato a termo certo. Uma equipa com muitas pessoas capazes de passar a perna ao mais proximo, just in case.
Tive o meu terceiro choque, no segundo trabalho, que considero como o primeiro, por ter sido o primeiro a tempo inteiro e a medio a longo prazo. Chocou-me a falta de tempo e o volume de trabalho a que uma pessoa se pode sujeitar.
Tive o meu quarto choque, no terceiro trabalho, fora do pais. As pessoas, o clima, a comida, a luz, senhores, a luz e' tao diferente aqui. O trabalho, a responsabilidade, o ingles e a solidao.
Apesar desta vida facilitada nos primeiros anos, felizmente, sempre me ensinaram que esforco e' imprescindivel para o sucesso. Esforco e inteligencia para escolher a opcao mais acertada possivel.
Ajudaram-me a perceber que a psicologia teria um mercado de trabalho mais dificil. Nunca me impediram, mas mostraram-me e ainda bem. Nao ficou nenhum sonho para tras, porque aos 14 anos nao se sonha, fantasia-se e eu tenho tanta vocacao para psicologia, como para cantar (nenhuma, portanto).
E aprendi a minha licao. Ponderar, investigar e sacrificar. E mesmo assim, eu quis sempre, sempre, tentar ir mais longe.
Foi o que fiz ao aceitar vir para aqui. Sabia que nao ia ser facil e tentei facilitar de antemao o que, a distancia, parecia mais dificil.
Cheguei e correu bem, casa num instantinho, papeis tratados e nada parecia ser muito dificil. E porque eu acredito muito em mim e essa forca tambem me bastava.
Infelizmente, hoje nao basta. Talvez amanha seja diferente. Hoje parece demasiado e sinto muitas vezes que nao tive essa inteligencia que sempre me aconselharam.
Por outro lado, se nao tivesse vindo, nao saberia. Fui capaz. E quero ser capaz de muito mais.
E estou numa luta interior a tentar definir os meus limites, ao mesmo tempo que me pergunto se valera a pena defino-los, em vez de testa-los.
Hoje, ponho tudo em causa. Amanha sera diferente.

Mais do mesmo


Durante o fim de semana, tive mil e uma ideias sobre coisas para escrever aqui.
O meu humor melhorou consideravelmente e deveria ter apontado, escrito ou coisa do genero, porque hoje tudo voltou ao mesmo. E nada do que possa sair desta cabecinha num dia como este, sera diferente daquilo que foi escrito nos dias anteriores.
Ando triste, mas isso ja todos estamos fartos de saber.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Homens da luta


Não vi o festival da canção, nem ouvi os senhores Homens da Luta.
Li que ganharam, li que vão representar o pais ao tal festival, li crónicas que concordam, li post que não concordam,
Pois eu não concordo. Acho que não nos vão representar coisíssima nenhuma. Ou melhor, se calhar no fundo, la no fundo, vão, mas não como gostaríamos.
A vida e mesmo assim, quando podemos escolher, escolhemos o nosso melhor lado e não o pior, ou mais ridículo ou, neste caso, o mais caricaturado.
Ninguém liga nenhuma ao festival de há uns anos para cá. Pois não, em Portugal. Há países em que as musicas passam semanas e semanas na radio, como forma de marketing. Sim, esse marketing que o Jel e o Falancio fizeram e o tal da voz rouca não fez. Há países onde, ainda, os amigos e as famílias se reúnem, fazendo do programa que lhes passa na televisão um ritual com tradições. Países onde as pessoas efectivamente votam. Ou seja, países onde gente como menos de 70 anos, fica em casa e vê cada um dos países concorrentes. E compara, repara, aponta o dedo, julga, etc.
E que vão ver ouvir essas pessoas quando chegar a vez de Portugal? quiriquiriquiriqui, da-lhe Falancio (acho eu, que não ouvi a musica, mas presumo que esteja dentro da linha a que já nos habituamos).
Diz que os Homens da Luta não vão para ali só para brincar, só para fazer figura de parvos. Pois, eu digo que vão, não para representar o pais, mas para se fazerem notar no pais. Marketing de quem tem ai uns MP3 para vender.
Diz que vão fazer a mesma figura de parvos que outros fizeram em tempos idos, mas com essa consciência.
Não concordo. Nego que tenham feito um bom trabalho? não. Nego que tenham atingido o seu objectivo? não. Nego que puseram-se a si próprias e ao Festival na palavra do dia? Não.
Acho que precisávamos disto. Acho que e uma boa estalada sem mãos de quem anda meio adormecido com algo que secante ou não, pimba ou não, foleiro ou não, nos representa noutros países. Mal ou bem. Isso e o futebol. E isso e' que e' uma pena...

Subscrevo

portanto nós, portugueses - admiradores secretos das orgias do berlusconi [porque é de homem], grupo de pessoas que anda há 30 anos a eleger partidos iguais para o governar, que tem inveja do carro e das férias do vizinho, que sonha ganhar o euromilhões para nunca mais ter de trabalhar, que fala mal dos funcionários públicos mas gostava era de ser funcionário público para não ter de trabalhar muito e ser promovido pelos anos de trabalho, que não acredita na justiça que tem, que sonha ser evoluído como qualquer país nórdico mas sem pagar impostos e tendo empregada em casa, que diz mal da saúde pública mas recorre a ela sempre que precisa, que vive em casa dos pais até os 40 porque assim pode comprar mais roupa de marca, que não tem filhos porque os filhos custam dinheiro, que vai para a faculdade privada tirar cursos que não têm saída no país onde vive porque sim, que diz mal das cunhas dos outros mas apenas porque não arranjou uma para si - vamos amanhã manifestarmo-nos contra o facto de sermos portugueses.

Escrito pela Pilar, no pequenas viagens.

E eu, aqui subscrevo.

Egoista?


Eu preciso de ir a Portugal, como de pão para a boca. Mas mais do que ir a Portugal, o que eu preciso mesmo e' das pessoas, das minhas "pessoas".
Das duas vezes que fui a Portugal, desde cá estou, tentei estar com o máximo de pessoas possíveis. Foi um non-stop de cafezinhos, jantares e lanches.
Regresso daqui a 15 dias e os meus planos para esse fim de semana, não são diferentes dos anteriores e comecei já por falar num jantar daqueles que permite rever uma data de gente ao mesmo tempo. Antecipadamente, dei como garantidos algumas das pessoas mais importantes.
Uma dessas amizades "garantidas" avisou-me já que não estaria presente. E eu fiquei chateada, confesso que fiquei. Estando longe, esperava poder ver nestas minhas visitas aqueles que via todos os dias, considerando que essa seria uma prioridade.
Mas fiquei a pensar no assunto. Estarei eu a ser egoísta? Serão as amizades, como as relações amorosas, nas quais não devemos dar as coisas como garantidas?
Terei eu o direito de esperar que as pessoas interrompam as suas vidinhas, quando eu própria regressarei a minha?
O meu primeiro pensamento foi "qual festa de anos?", "qual convite de casamento?", "estará essa pessoa tão inacessível quanto eu?".
Depois lembrei-me que, as vezes sim, as vezes, aqueles que vivem ali mesmo ao nosso lado estão inacessíveis, talvez mais ate que aqueles que, como eu, vivem longe. Quantos são, aqueles que só vejo uma vez por ano, que ate vivem na mesma rua que eu? Mais do que eu gostaria.
Essa minha amiga ainda me disse que tentaria outro momento desse meu curto fim-de-semana, para estarmos juntas. E eu, tive vontade de lhe responder "back to line! que eu tenho muitas pessoas para ver e tu passaste para o fim da lista".
Fiquei triste, confesso que fiquei. E agora, tenho esta luta interior: deveria eu ficar chateada? Ou estarei só a fazer uma birra de menina mimada? Eis a questão?

quinta-feira, 10 de março de 2011

A verdade


Tenho andado a escrever outras coisas para me distrair e disfarçar.
Por isso falo na confort food, no linkedin, na mete-nojo-cor-de-rosinha. Cheguei a escrever sobre o lixo (vocês não imaginam as jigas jogas necessárias para que nos recolham o lixo, neste pais) e ai percebi que estava a bater no fundo.
Custa-me admitir que não estou bem. Que nem sempre sou suficientemente forte para isto.
Que há dias em que choro e que penso muitas vezes que quero voltar e como o posso fazer.
Isto foi repentino. Mais ou menos. E verdade que há um mês atrás estava felicíssima da minha decisão, mas a pouco e pouco, uma coisinha aqui, uma coisinha ali, o meu animo tem esmorecido. Começou pelo primeiro fim de semana sozinha, depois de visitas e viagens. Acordei nesse sábado de manha e pura e simplesmente, não sabia o que fazer sozinha.
Depois vieram mais coisas, uma pequenina aqui, outra maior ali. Passou a novidade, a coisa do agora tenho casa, amanha tenho numero de contribuinte, hoje vou ao ikea. Chegou a rotina. Inicialmente, chateou-me por si só. Pela falta de aventuras e a falta de ter o que contar.
Depois vieram os pequenos problemas do dia a dia (como a porcaria do lixo não recolhido).
Os pequenos problemas em Portugal, aqui são gigantes. Porque me faltam as minhas pessoas, porque fico carente, porque não verbalizo em português, porque estou 1000 vezes mais sensível.
Portanto, na verdade, hoje e  desde as ultimas duas semanas, que não estou feliz.
E tenho medo de admiti-lo. E não me apetece explicar. E nem sempre tem explicação.


E esta, hein?


Eu achava que o linkedin não servia para nada. Rede social de trabalho, tretas, pensava eu.
Um facebook, com menos funcionalidades, não tão giro, mas com um propósito que acabaria por ser semelhante.
Mantinha o meu perfil, mesmo sem acreditar. Mal também não fazia e sempre ia vendo o que andava um e outro a fazer.
Ate que ontem, recebi uma mensagem dos recursos humanos de uma empresa Irlandesa. Afinal, há quem use isto mesmo para fins profissionais.
Sempre a aprender.

Ora bolas

Em tempos idos, quando eu ainda vivia em Portugal, tinha várias alternativas para sobreviver a um dia menos bom.
De vez em quando, lá saía do trabalho e pensava, que se lixe, vou só ali dar um saltinho ao colombo, comprar uma blusinha ou um gadgetzinho e paciência. E la ia eu para casa, com a bolsa mais leve, mas o animo reposto.
Outras vezes, saía do trabalho e pensava, que se lixe, vou só ali beber um copo. E lá ia eu para casa, depois dos copos, provavelmente, demasiado torta, o que levanta logo os ânimos.
Outra das alternativas, era pensar, que se lixe, vou é comer uma massa com muitas natas, muito queijo e uma bela duma sobremesa.
E lá ia variando entre as três alternativas, sem me fartar de nenhuma.
E agora? Aqui pelas terras irlandesas?
As lojas fecham às 18h, por isso, saio do trabalho e não tenho grande espaço de manobra para compras. Só o Tesco, que está aberto 24h/dia e é um supermercado.
Copos? Ficar torta sozinha não levanta grandes animos.
Que sobra. Comida. Confort food.
Portanto, poupo dinheiro, neurónios que o alcool mataria e engordo que nem um texugo. Ou melhor, que nem um irlandês.



quarta-feira, 9 de março de 2011

A reter


Tenho aprendido uma valiosa lição aqui com a mete-nojo-cor-de-rosinha. O truque para ficar bem em qualquer fotografia é  pegar em qualquer trabalho, venha ele de onde vier e desconfiar de tudo e todos. Partir do principio que algo esta mal e não confiar em nada nem ninguém. Procurar exaustivamente pelo erro e por tudo em causa. Assim, não só se apontam dedos, como, quando não se tem razão, mostrou-se pelo menos atenção, cuidado e trabalho. Parece que demonstra também inteligência. Dizem. E e sempre melhor pisar os outros, que deixar que nos pisem.
Ainda não mo fez a mim, ou pelo menos, não de forma tão evidente. Mas justifica as palmadinhas nas costas que passa a vida a receber. Enfim, não sei como seria este escritório sem ela, que coitada, não tem ninguém a sua altura.

terça-feira, 8 de março de 2011

Perolas do meu colega espanhol


O meu colega espanhol adorou saber que eu tinha posto aqui no blogue uma frase sua. E que alguem ate tinha comentado e em espanhol.
Todos os dias, me sugere uma frase nova para eu por aqui.
Perdeu a piada...

Isto de ser feriado ai e aqui não, é uma chatice. Com quem é que eu troco mails? Onde é que estão blogues actualizados?
Como é que leio em português, a cada duas palavras em inglês?
Para a próxima temos que nos organizar melhor. Combinado?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Bela e amarela


é  como me parece a vida, depois de marcar mais uma viagem a Portugal.
Daqui a duas semaninhas.


(o novo header já  está  a dar sorte)

Desclassificar

Vamos dar-lhe um nome, classificar. Perceber bem o que é essa coisa que sentes, cujos sentidos não alcançam e as leis da racionalidade não explicam.
Mais até, vamos definir limites, que isto é muito bonito, mas assim não pode ser. Podes sentir X, se se tratar do Fulano. É adequado. Podes sentir Y, se se tratar do Sicrano. Bom, bom, seria o Gajo. Por esse podes sentir Z. Isso é que era.
Fulano? Z? Nem pensar, anda cá conversar que isto assim não pode ser. Ai Meu Deus, que grande castástrofe. Feliz? Ai que não pode ser, pode lá o Fulano uma coisa dessas. Faz-te rir, seduz-te, tem conversas interessantes? Dá-te atenção, faz-te sentir bonita, dá-te segurança? E tu que sentes? Não sabes se é Z? Eu acho que é Z e temos que começar já a tratar disso. Quero lá saber o que sentes, ainda vamos a tempo.

Vamos descomplicar. As coisas são o que são e são diferentes de pessoa para pessoa. Não há sentimentos iguais. Eu própria nunca repeti nenhum deles. As relações não tem que ser iguais para serem (im)perfeitas. Nem tem que ser consistentes. O que sente hoje não é o mesmo que sente amanhã. Às vezes é mais, outras é menos, por vezes, é, simplesmente diferente.

domingo, 6 de março de 2011

Tão fofinho, não está?

O novo header do blogue?
Isto andava a precisar duma mudança. Aqueles olhinhos e os cor de rsinha e azul bebé nao me convenciam.
E este blogue prende-me a estados de espirito. Da mesma forma que tive que escever um post fatela sobre o titulo do blogue, pra começar a escrever outras coisas e tive,também, que lhe chamar um blogue com mania, pra encontrar a minha liberdade, precisava agora duma mudança que me peritisse afastar o raio da nuvem negra que me assolou nos últmos dias.
Na verdade, até chegar ao blogue, já nem havia sinais da mesma. Nada como uma noite bem dormida, para nos dar uma nova perspectiva sobre tudo. E uma nova luz.
Posto o novo header e este post,melhores posts viram. E com eles, melhores dias.

sexta-feira, 4 de março de 2011

TPA

Há quem sofra de TPM, eu sofro de TPA. Tensão Pré Aeroporto.
Não seria tão mau, se tivesse um, em vez do outro. Não, tenho os 2 e ainda TPS. Tensão Pré Segunda.
Sendo assim, ando, vá, que também não sou assim, tão tensa, 50% do tempo, em tensão.
O importante a reter, é que hoje, depois de ter calçado e descalçado as botas, ter tirado e posto computador, pôr à vista e guardado novamente os liquidos, já sentadinha à espera que abrissem a porta de embarque, já me tinha passado o amoque e estava, apenas, desejosa de chegar a esta casa, que, embora, às vezes, não pareça, já é minha.



quinta-feira, 3 de março de 2011

Ate tenho medo de dizer


Se uma pessoa, a certa altura, achar que não se esta a adaptar, que faz a vida dela?
Como regressa? Que se diz numa entrevista? Não e ma onda, dizer que estou a odiar, não me adaptei?
Não será a leitura: e quem me diz a mim, recursos humanos, que te vais a adaptar, mesmo que seja em Portugal?

Não, ainda não estou a ponderar esse cenário, mas saber que há outras opções, sempre ajudava um bocadinho, nestes momentos piores.

Saldo


Num dos posts mais abaixo, em que falo no saldo positivo, uma amiga, pergunta num comentário, se o saldo e' muito importante. Fiquei a pensar nisso. E a verdade e' que quando estamos na mo de baixo, queremos la saber do saldo positivo ou negativo. Saldo e' um valor resultante de uma diferença, somas e subtracções. Se o negativo não existe, o positivo não importava tanto.
Mas a verdade, e' que esta e' uma das artimanhas a que recorremos para sobreviver.
Quantas vezes ouvimos, no fim duma relação, que mesmo que esta tenha acabado mal, devemos contabilizar os momentos positivos, a aprendizagem, o crescimento, etc etc etc. Ou seja, são tretas. Tretas que nos servem para acreditar que nada e' tão mau, pequenas auto motivações, para sobreviver ao cansaço, a solidão, a distancia, a neura.
Para nos relembrar que tudo passa e que no final o esforço não e' inglório.
Uma viagem como esta tras-me, pelo menos, conhecimento pessoal. Mesmo que não sirva para um futuro profissional melhor, no final, terei, pelo menos, uma historia para contar.
E em momentos como este, essas coisas dao-me alento. Alento para logo a tarde, apanhar um avião que não me apetece, ir para uma casa que e' minha, mas não 'e A minha, para um pais, que , as vezes, me faz a vida difícil.

Lufada de ar fresco


Este fim de semana, precisava mesmo mesmo mesmo de ir a Portugal.
Estou a precisar duma lufada de ar fresco. E o ideal para me animar seria sem duvida alguma, voltar a minha casinha. Jantar com os meus pais, ver os meus avos, conversar com os meus amigos e dancar onde as raparigas nao se confudem com as prostitutas.
Precisava de mais vida social, que o meu principal problema e' esse.
Precisava de um abraco.
Era suposto ir, Ir de Madrid para Portugal e so depois regressar a Irlanda. Trocaram-me as voltas e afinal, tenho que estar amanha na Irlanda. Nao desanimei logo, nao faz, vou na semana seguinte, Mas trocaram-me outra vez as voltas e eu acabei por deixar de planear. Vou quando for, logo se ve. Mas custou-me. A ponto de ponderar ainda ir, amanha, a Irlanda, e logo de seguida ir a Potrugal. Mas os raios dos voos, pelo caminho, aumentaram para caracas. E 450 Euros parece-me muito. Sobretudo num mes em que tenho a malfadada conta do gas. Mas ainda ponderei. Porque estou aqui numa tristeza so. E ha coisas que o dinheiro nao paga. E apetecia-me mesmo mesmo muito.
Estando sozinha num hotel, sem muito para fazer, hoje deu-me para reler o meu próprio blogue.
Para além de constatar que isto agora é um diário de viagens (esta é a minha vida agora, não há nada fazer, sobretudo, tendo em conta que os meus momentos mais sociais são aqueles em que me apalpam, nos aeroportos, para confirmar que não levo nada escondido), pude, também, perceber que sou uma pessoa muito esquecida. Na verdade, uma mudança tão grande, seria sempre de altos e baixos. Mas, a cada momento mais baixo, eu esqueço-me sempre que não foi o primeiro. Fico ali angustiada, a pensar que afinal as pessoas têm razão, que isto não é assim tão fácil, que chegou a fase dificil e ai meu deus, será que isto me vai passar?
Já não me lembrava dos primeiros fins de semana, sozinha, num hotel. Não me lembrava da primeira semana na minha casa, porquinha que só visto, com um forno inmundo que levou 3 dias a limpar, já não me lembrava dos dias sem televisão, sem ipod, sem internet. Não me lembrava do momento em que me senti farta dos meus pais (foi só um pequeno momento, em 3 semanas. Todos nos sentimos um bocadinho fartos, uma vez na vida, de qualquer coisa. O trabalho, o cão, o namorado, ou mesmo de nós próprios).
E foi ao aperceber-me desta minha falta de memória que me senti satisfeita comigo própria. Esta minha falta de memória leva-me a extremos. A momentos muito muito bons, a momentos muito muito maus. Há umas semanas, disse a uns amigos que planeava manter esta vida por dois ou três anos, hoje disse à minha mãe que não sabia se aguentava mais de um ano. E porque é que isso me deixa feliz? Porque agora sei que, amanhã à noite, quando regressar a casa vou-me sentir feliz, porque apesar de cansativos, tive 3 dias muito preenchidos. E o saldo vai continuar a ser positivo.



quarta-feira, 2 de março de 2011

Ontem


O despertador tocou as 4h da manha e que remédio tive eu senão levantar-me. Dor, foi aquilo que senti nesse momento.
As 5h tinha já o meu chefe, que pelos vistos acorda com pior humor que eu (e eu achava que não era possível) a reclamar que o táxi ainda não tinha chegado e íamos chegar atrasados ao aeroporto. AS 5h01 já la estava o táxi, mas ele não parecia mais contente e parecia acreditar que aquele minuto seria decisivo para a nossa perda de um avião.
Claro que isso não aconteceu e la apanhamos o dito avião para Londres.
Felizmente, tínhamos os dois feitos o chak-in online separados, pelo que não ficamos sentados um ao lado do outro. Assim, pude dormir sem culpas ou medos de me babar ou ressonar ou sei la o que faço enquanto durmo.
Não vi nada de Londres. Só senti o frio. apanhei o famoso "tube" e em poucos minutos estava no escritório, pronta para as minhas reuniões.
As reuniões foram difíceis. Preciso de mais de 4h de sono para conseguir falar e entender inglês ao nível de acompanhar uma reunião de 3/4h horas (quase as mesmas de sono).
Não fiz regresso, senão, novo voo, desta vez com destino a Madrid. Fiquei a perceber porque e que ninguém quer o aeroporto de Gatwick. Aquilo e longe para caraças. Voltei a não ver nada de Londres, porque, apesar da minha esforçada luta, acabei por adormecer no táxi.
Mais aeroporto, McDonalds (como e que se faz dieta em viagem?), free shop, filas. Mais cansaço.
A habitual luta pelo tamanho das malas na easyjet. Eu cá, ate pagava para por não facturar a mala. Não me importo de pagar para fazer check-in da mala (ou melhor, não se importa a minha empresa), mas com tanta viagem, não há pachorra para sair dum voo e ainda ter que esperar que apareça a mala, sempre com aquele friozinho que passamos a sentir, desde que a perderam a primeira vez.
Depois da minha grande ginástica para enfiar tudo, roupas, mala a tiracolo e computador, numa única mala, la me deixaram passar.
Mais fila. Quase a entrar no avião, informam que não vão cobrar, mas já não há espaço para a mala no avião. Porra!
Atrás de mim um senhor mulcumano irrita-se. E tem razão. Depois de tratarem tão mal, tantas das pessoas que tinham uma mala um bocadinho maior, informam, descansadinhos da vida que afinal não vai dar.
Respondem ao senhor com maus modos. Ameacam-no com segurança. Inventam insultos que eu não ouvi o senhor dizer. Não sei se por ser muçulmano se por estar a reclamar.
Um outro senhor filma. Ameacam-no também. Ou apaga ou e expulso do avião.
O senhor finge que apaga. A senhora que tinha que confirmar, acredita. Não percebe nada de telefoneis.
A discussão com o senhor muçulmano continua, agora com um "hospedeiro de bordo", um bocadinho mais bem educado e menos mentiroso. La convence o senhor a entregar a mala e la seguimos.
2 h seguidinhas a dormir.
Madrid.
Madrid.
Madrid.
Não sei se tenho palavras para descrever a sensação. Sinto-me quase em casa. Digam o que disserem, seja bonito ou não, nestas minhas viagens de trabalho, continua a ser o meu destino preferido. O humor, o cansaço, o ar, são diferentes. Porque? Não sei explicar.
Já no hotel, cansada, com fome e com sono, com rimel já pela cara toda, meto-me no elevador para o quarto. Apanho outra pessoa, um espanhol. "Hola! de viagens? quieres tomar algo?" assim, zás pás tras, já estas, sem sequer me perguntar nome ou nacionalidade. E acho que tendo eu respondido só sim e não, não se percebe assim tão bem pela pronuncia que sou portuguesa.
Despachado o espanhol atrevido, la pude finalmente, descansar, fumar, comer.
Hoje, passo o dia a pensar se tenho que falar Ingles, espanhol ou portugues. Estou sempre a esquecer-me...

terça-feira, 1 de março de 2011

Os irlandeses

"lately you only wear skirts. you should use trousers more often. your ass looks better"