sexta-feira, 29 de abril de 2011

Hoje e' o primeiro dia


do resto da minha vida. Inicio hoje o tal programa dos 21 dias, para nunca mais, deixar de fazer caminhadas.
Isto tem que resultar. Pensando bem, foram já muitos os 21 dias da minha vida, que se transformaram em algo permanente.
Com a vinda da Balti, por exemplo, deixei de fumar dentro de casa. Ao inicio custava-me, porque o habito estava já muito enraizado e o frio la fora também era muito. Actualmente, passados 27 dias, já o faço sem sequer pensar. Também me habituei a conduzir a esquerda e a falar inglês todos os dias (as vezes ainda custa).
Por isso, hoje, terei a primeira caminhada. Tenho já um ficheiro de excel, que não me deixe preguiçar, onde tenho já, alguns objectivos e alguns prémios motivacionais. Se isto não e' ainda um habito, tem que se encontrar artifícios para o tornar. Pelos primeiros dois dias de seguida, terei logo direito a novas musicas no ipod, no vigésimo primeiro, teremos direito a um totalmente novo outfit. Assim, no vigésimo segundo dia, isto será, não só um habito, como um habito fashion. Pelo meio estou a pensar num pedómetro, não só para começar a contar quilómetros e tempos e cumprir os meus objectivos, mas também porque eu adoro engenhocas.
Depois será non-stop, e durante os próximos meses, teremos muitos primeiros dias. Depois de criar o habito das caminhadas, teremos que criar o habito de por creme (ate nisso sou preguiçosa) e já que já se começaram as caminhadas, porque não começar com um adelgacante ou coisa que o valha (aceitam-se sugestões).
Um habito de cada vez, mas no final do ano, muitos novos hábitos.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Enquanto Dormias


As vezes acho que este blogue poderia muito bem chamar-se Quadro de Recados.
Nao cumpre, actualmente, o seu objectivo inicial e serve apenas para dar noticias minhas aos que estao longe. Deixei de me preocupar com os temas, e vou fazendo disto um pequeno diario. Deixei de me preocupar com a escrita, desde que perdi os acentos. Deixei de me preocupar com quem le e o que e perdi (um pouco) do meu anonimato.
Mas, pensando bem, nunca este nome fez tanto sentido.
Sinto-me adormecida, enquanto espero pela vida que quero.
O tempo passa depressa, estes 6 meses passaram a correr e dao a ideia que, isto, afinal, nao custa nada.
Mas sinto que, a medida que vivo menos um dia e mais uma vitoria, perde-se tambem, tempo precioso, daquilo que deixei pendente.

Em 6 meses


Emigrei
Conheci Dublin, Belfast, Drogheda e Londres
Revisitei Madrid
Estive 3 vezes em Portugal
Visitei amigos, fui visitada por outros
Comi 3 toneladas de batatas
Engordei 6 quilos
Recuperei 2 quilos
Estive muito feliz
Estive muito infeliz
Viajei ao lado de quem escrevia da direita para a esquerda
Viajei ao lado de quem chorava
Chorei enquanto viajava
Arranjei a cadela mais linda do mundo e de Espanha
Conheci gente, nao fiz amigos
Morri de saudades, ressuscitei por elas
Descobri portugueses na Irlanda, nao descobri nenhuma portuguesa
Descobri-me e depois perdi-me


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Das duas uma


ou falo dos meus problemas existenciais, das minhas agruras para acordar de manha, da minha, cada vez menos vontade de viver aqui, ou conto as gracinhas da minha cadela.
Nem eu sei sobre o que prefiro escrever. Qualquer um dos assuntos me parece uma seca para os outros. Ainda assim, sempre e' mais divertido contar que o piolhinho de 3 meses e poucos centrimetros, me guarda enquanto estou a dormir. Nao deixa ninguem aproximar-se e tambem nao sai do quarto. Nem com subornos.
Parece-me mais giro contar que recolhe todas as pedrinhas e pauzinhos que ve, para nos oferecer. Que esta uma mimadinha do pior, que sente um ventinho frio e chora logo para ir para casa. Todos os dias faz uma gracinha nova e isso, parece-me muito mais giro que uma trintona amargurada, com quem ja nao se pode falar. Insuportavel de tao centrada nos seus problemazinhos que nao aceita uma critica, uma sugestao ou um conselho. De mau humor com qualquer contrariedade porque sente neste momento que tudo a sua volta e' ja uma contrariedade e nao lhe podem pedir altruismos e racionalidades. Uma gaja de quem nao gosto, mas que agora sou eu. Num pais de que nao gosto, mas com uma cadelinha linda.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O meu proximo evento

A Cura


Quem tiver um daqueles caes, que tem medo de tudo, que se mijam quando alguem lhes faz uma festa, que se escondem ao minimo barulho, fique a saber que eu tenho a cura.
Dois dias com os meus pais e' terapia de choque. O cao fica logo habituado a pessoas que falam alto, a coisas a cair e a fazerem estrondo, a muita rebaldaria e, simultaneamente, demasiado colo. Resultou com a Balti, que depois de dois dias, foi para o veterinario convencida que e' a melhor da rua dela e a fazer pose para outros caes e veterinario.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Os ultimos dias


Queria tirar umas fotos a Balti, armada em oferecida, de barriga para cima, a pedir festas, como agora anda sempre, mas fiquei sem bateria na maquina ha 4 dias e ainda nao houve tempo para ir buscar o carregador, o adaptador para a tomada irlandesa e ligar a dita tomada.
Queria publicar e responder a todos os comentarios, mas chego a casa e ate a meia noite tenho os meus pais e a bicha numa autentica ramboia que so acalma a meia-noite. As seis da manha, tenho a bicha a pedir a ramboia outra vez.
Queria escrever neste blogue, mas so trabalho 3 dias esta semana (nao, aqui nao ha tolerancia de ponte, nem sequer feriados, sao ferias tiradas e bem merecidas), o que me acumula todo o trabalho.
Queria fazer as minhas caminhadas, mas tambem me apetece aproveitar cada segundo da tal ramboia la em casa.
Queria continuar a minha dieta, mas chego a casa e ja tenho feijoada na mesa (ou pao fresquinho, ou presunto portugues, ou amendoas, ou pudim).
Queria muitas coisas, mas nenhuma mais do que acabo por fazer.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Bom saber


Hoje, depois de me perguntarem se nao sentia calor com a minha gola alta (e nao, nao sinto. sinto-me agradavelmente quentinha), os irlandeses informaram-me:
This is the best you can get.

21 dias

No site da Silvia Batista, coach de mulheres, esta um texto que explica que, para que o nosso cerebro registe um comportamento como um habito, sao apenas necessarios 21 dias. Para mim, este e' um texto, efectivamente, inspirador. Nao ha nada como por as coisas num numero e 21 dias, sao 3 semaninhas, o que ate me parece muito pouco.
Sendo assim, fiz ja uma listinha daquilo que quero que se torne um habito e que vou tentar fazer em 21 dias (nao tudo ao mesmo tempo), a comecar pelas caminhadas e a acabar em deixar de fumar, pelo meio, por creme todos os dias e outras preguicitices que me assolam (deixar de fumar nao me parece tao facil, ja que mais que um habito, trata-se duma adicao, mas tentar nao custa).

E voces, que poriam na vossa lista?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Não dá

Com pais e cadela, tudo aqui em casa, os três, numa excitação sem precedentes, não me sobra, nem tempo, nem energia para absolutamente mais nada.



quarta-feira, 13 de abril de 2011

O piolhinho

Hoje, pela primeira vez, tive que me zangar com a Balti.
Posso deixar tudo à mercê de Miss Balti, seja uns tenis, uma peça de roupa, o que for, ela cheira cheira cheira, mas nao toca em nada.
Pois esta amostrinha de gente gosta de roer o quê?
A porta!

Ralhar-lhe foi a coisa mais dificil que já fiz na vida. Tive que sair do pé dela. Ela faz o ar arrependido mais fofinho de sempre, baixando a cabeça e mostrando que percebe o meu estado de espirito. So me apeteceu enchê-la de beiinhos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Skype


Tenho skype há 5 meses. Nunca nenhum dos meus ligou a esse facto, o meu pai que não gostava do skype e preferia o telefone e pardais ao ninho, a minha mãe que não percebia nada e não sabia trabalhar e não sei o que.
Desde que tenho a cadela, temos ligação ao skype duas vezes por dia, três ao fim de semana.
Aponto a câmara para a cadela e vou a minha vida. E a minha mãe vai relatando, "agora esta deitada"; "agora esta de pé"; "agora virou-se".

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Hoje, nao sei quem precisava mais de colinho


Se eu, se a cadela.
Esta mudanca para Irlanda nem sempre é facil. La vou encontrando estes meus subterfugios para me animar, mas ha dias em que nada disso é suficiente.
ha dias em que so me apetece largar tudo e voltar, ha dias em que me apetece chorar uma noite inteira, ha dias em que me apetece as duas coisas.
Hoje, mesmo sendo eu quem a segura, mesmo sendo as minhas pernas aquelas em que ela se aninha, era eu quem precisava deste colo.

Dona solteira - primeira semana


Isto de se ter um cão é muito giro, faz-nos muita companhia (se faz! como  possível que aquele piolhinho me encha a casa desta forma?), mas também tem muito que se lhe diga, sobretudo tratando de um bebé e estando eu sozinha num pais onde nem sequer tenho amigos.
O primeiro dia revelou-se logo difícil. Enquanto eu fazia 100 kms, com a bichinha dentro de um caixote, para leva-la para a minha casa, a menina enjoava e vomitava. E eu ali, a conduzir sem poder ajuda-la. Chegada a casa, deparei-me com o primeiro dilema. Não era possível levar a cadela e toda a sua parafernalia, duma vez só, do carro para casa. Portanto, em algum momento a teria que deixar sozinha. Ou em casa, quando fizesse a segunda viagem ou no carro, na primeira. Fazia confusão deixa-la sozinha, já, por 2 minutos que fossem, mas não tive alternativa e ficou sozinha em casa.
O resto da semana, continuou a revelar-se difícil. Sendo um bebé, não quis deixa-la sozinha 9h seguidas, enquanto eu trabalhava. Por isso, passei a ir almoçar a casa. Aqui, só tenho direito a 30 mim de almoço e, por mais rápida que seja, demoro uma hora. Tive que começar a preparar o almoço o de véspera, para ser só, chegar, ver e comer. Uma correria, para estar 10 minutos com a Balti.
Nunca na minha vida me tinha imaginado a apanhar cocos de cão. A Balti, faz as suas necessidades no corredor da casa, onde eu pus uns jornalecos. Pois, mas não sei porque nem como, ela faz sempre sempre ao lado dos jornais. Eu ate já os desviei, numa tentativa de ir a montanha a Maomé, pois a bicha desvia-se também.
Já tenho alguma técnica com a coisa e uns saquinos de plástico sempre a mão. E já não tenho vómitos, mesmo com aqueles feitos depois de tomado o desparasitante (que deve ter propriedades laxantes) contendo lombrigas (nojo nojo nojo).
Toda a minha vida andei descalça em casa ou só de peuguinhas. Não tenho pachorra para chinelos, nem tenho nenhuns aqui. Portanto, estou a aprender a não andar descalça, sobretudo para os momentos em que a luz incide de forma enganador no tal corredor e não vejo certas coisas liquidas por ali deixadas. Mas ainda não é um habito e já por duas vezes, em que corri para atender o telemovel que tocava noutra divisão, pisei o que não devia. Também calcada, já pisei o chamado numero dois das necessidades. vá la que estava de ténis de sola de borracha e a coisa estava muito fresquinha. Agua corrente bastou para limpar.
Esta primeira semana, foi uma semana de grande aprendizagem sobre os hábitos e comportamentos de um cão e novos comportamentos da minha parte que se adeqúem.
Mas a minha principal aprendizagem foi que, não há como um colinho, para estreitar laços.

sábado, 9 de abril de 2011

O meu pai, sempre animador

Não viste o que era? se calhar era uma cobra.

Mais?

Sempre que eu acho que já nada me pode acontecer nesta Irlanda, surpreendo-me.
Esta manhã, eu e a Balti acordámos com um barulho estranho. Como se alguém estivesse a esmagar um garrafa. Comecei por achar que fosse lá fora, mas o barulho intensificava-se e já não havia dúvida, era cá dentro, mais propriamente na cozinha.
Cheguei-me à porta e o barulho parou. Estranho. Voltei para o meu quarto na esperança que não fosse nada. A Balti estava em estado máximo de alerta e passado uns 2 minutos o barulho recomeça. Volto à cozinha e volta a parar. Bolas, tenho qualquer coisa dentro de casa. O facto do barulho ser o de plástico a dobrar, não deixava grandes margens de dúvida, estava qualquer coisa e, provavelmente, viva, dento do saco de papel onde acumulo a reciclagem.
Voltei para o meu quarto, desta vez já sem esperança que não fosse nada, mas a pensar o que poderia ser e como resolver... Bolas, em Portugal, estaria já a ligar para o meu pai para me resolver o problema. Aqui, não tenho absolutamente ninguém a quem ligar. Entretida com estes pensamentos, começo a ouvir chiar. O que raio tinha antes feito o barulho do plástico, estava agora a chiar. Esta porcaria é um rato! Só pode ser um rato.
Depois de algumas chamadas para os meus pais, para encorajamento, pus uns sacos de plástico em cada uma das minhas mãos (à falta de luvas), estive uns bons 10minutos, parada, a encher-me de coragem, fechei todas as portas das outras divisões, abri a porta da rua, agarrei no dito saco e corri com ele para a rua.
Nunca tive coragem de olhar para o saco e perceber o que lá estava dentro. Fiquei sem certezas.
Agora, estou no quarto, atenta a todos os barulhos, para ter a certezinha que o que quer que fosse não continua cá dentro.
Uffffffff.... Esta foi dura!



sexta-feira, 8 de abril de 2011


A minha mãe diz que arranjei um cão a minha medida.
Que a bichinha e' parecida comigo.
Ainda não sei bem o que isso quer dizer...

Os culpados (todos)





Tão estranha é a situação de ter um país que se auto-imolou no meio de uma crise grave, que nem a União Europeia sabe ainda bem o que fazer connosco. Portugal - que até há dias tinha um primeiro-ministro que batia com o punho na mesa, jurando perante o mundo que o seu país não pede esmolas - atirou-se literalmente para o colo daqueles que vão ajudar a pagar as contas e a evitar um colapso dos bancos. É aí, na frieza desse colinho europeu, que este país sem governo e sem acordo sobre medidas previamente acertadas na Europa aceitará da mesma Europa tudo o que for preciso. Sobra um vago conforto: a classe política que nos últimos meses protagonizou o maior fracasso na história de nossa de democracia fica de camisa-de-forças, sem espaço para promessas, sem margem para loucuras.

Em termos financeiros este é o pior resultado para nós, portugueses. Suportámos taxas de juro insustentáveis para ir dar ao mesmo beco - essa factura está por calcular - e fracassámos na tentativa já de si difícil de conseguir uma forma mais vantajosa para a inevitável assistência externa. A falta de credibilidade do primeiro-ministro tornava a tarefa complicada e o episódio trágico do chumbo do PEC IV pôs ponto final no assunto. Agora que se começa a gerar uma vaga para nos "concentrarmos no futuro" e "não olharmos para trás" - algo muito português - nunca é demais sublinhar a responsabilidade dos envolvidos.

O primeiro-ministro José Sócrates usou o PEC IV para fazer cheque à oposição, usando o país como refém - esta esperteza saloia, somada à manipulação do valor do défice nas eleições de 2009 e aos erros sucessivos de política, terá de ser julgada nas urnas. Sócrates encarou sempre a situação extrema do país como uma questão pessoal, um comportamento levado ao limite da loucura nas últimas semanas, até os banqueiros e o ministro das Finanças lhe tirarem a arma das mãos - já não se aguarda o que dirá agora o homem que garantiu que nunca iria governar com o FMI, porque o que Sócrates diz já não tem peso. A oposição, sobretudo o PSD, mordeu o isco e ao chumbar o PEC sem tentativa de acordo - pôs-se também à frente do país. Não viabilizou um pacote de austeridade para agora acolher de braços abertos outro pacote mais duro, negociado quase sem condições. Não há estadistas em Portugal - incluindo em Belém, de onde a tão propalada "experiência" nunca produziu uma solução em tempo útil.

Pelo caminho, o que restava da reputação do país foi definitivamente enterrado - levará anos a recuperar este capital de confiança. Como a confiança é essencial nos negócios - ou seja, para milhares de empregadores - será uma questão de tempo até que as empresas portuguesas sejam alvo de condições muito duras por parte dos parceiros estrangeiros. O ajustamento português seria sempre duro - mesmo com o que parece ser uma inevitável reestruturação da dívida - mas a forma como capitulamos levará a dureza e danos sociais evitáveis.

Estes erros tremendos não explicam tudo - mas pioram a factura de uma acumulação de erros nos últimos 20 anos, deixando ainda uma sensação de que andamos à deriva, sem liderança nem motivos para esperança. O recurso a este pedido de assistência significa o início de um novo ciclo em Portugal - teremos, todos, de reajustar o padrão de vida aos nossos meios. Para a minha geração (nasci em 1976) significa cerca de 20 anos (contando a última década) de crise e aperto. Em paralelo com este ajustamento das expectativas e da vida dos privados terá forçosamente de ser feito outro - o dos partidos. Portugal pode aproveitar esta suspensão da democracia e da soberania - porque é com isso que estamos confrontados - para reformá-los. Se tal não acontecer, por mim podemos deixar os nossos líderes políticos de camisa-de-forças.



Artigo do jornal i - http://www.ionline.pt/conteudo/115995-com-politicos-assim-portugal-nao-precisa-inimigos

Politica


Quando tinha 14 ou 15 anos pertenci a uma jota e acho que foi ai que desisti da política.
A dita jota desiludiu-me muito. Foi ai que percebi o que pode ser um marketing pessoal, o que e' ser um incompetente, mas vender-se bem e o que e' preparar-se uns aninhos antes, ainda na adolescência, para um tacho (e todos os que estavam comigo nessa jota o conseguiram!).
A partir dai, passei a sentir-me apartidaria.
Mais tarde, por outros motivos, senti-me absolutamente apolítica. Pura e simplesmente não me interessava. Os ciclos repetiam-se, as caras mudavam, mas os comportamentos não, as pessoas acreditavam que mudavam os partidos, alternando entre o rosa e o laranja, mas tal como as cores propriamente ditas, a cor base e' a mesma para duas. Por isso, eu deixei sequer de querer saber. Confesso que, por vezes, ainda me puxa o pezinho para o tal partido da jota, mas e' coisa muito passageira.
E e' por isso que, muitas vezes, sinto que posso falar. Sou isenta. Não sou fundamentalista. Não gosto do Sócrates, nem do Passos Coelho.
Tal como a muitos outros portugueses, esta crise fez com que me interessasse mais pela coisa. Voltasse a ler, a tentar perceber e a opinar. Acho que o facto de estar num pais economicamente muito semelhante também ajuda.
Não gosto do Sócrates, mas parece-me que as pessoas, por vezes, exageram. O caso freeport, a historia do curso, essas coisas sim, são importantes e não percebo como não tivemos esclarecimentos mais detalhados da coisa. Se o gajo namora com o Diogo Infante e se tem um Luis a tratar-lhe a imagem, isso são coisas que me parecem absolutamente irrelevantes. O gajo ate já se demitiu, que raio queremos nos que ele faca, agora?
Não gosto do Passos Coelho. Tem sido uma boa oposição, pondo dedos em feridas pertinentes, não lhe tiro o mérito. Será um bom gestor do nosso pais? Tenho duvidas. Interessa-se realmente pelo pais? A historia das eleições antecipadas e o dinheiro que se vai gastar com isso, faz-me duvidar.
Tem boas ideias? Ate tem. Gostei daquela que refiro ali em baixo, embora tenha noção que mais não se trata que a ponta de um icebergue.
Pessoalmente, eu não quero saber das caras, nem dos partidos, quero que esta porcaria toda se resolva o mais rápido possível (poucos anos, portanto) e gostava de conseguir acreditar nisso, como tantos outros. E ao ler estas pontinhas de icebergues, tenho alguma esperança que os outros tenham razão, e este seja, efectivamente, o nosso salvador da pátria.
Ontem, citei uma boa medida. Amanha, aponto o dedo as mas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Isto, sim, é uma boa medida

O presidente do PSD defendeu hoje que é preciso reduzir a dimensão do Estado, a começar pelo próprio Governo, e que Portugal pode ter um executivo «com um número de ministros não superior a 10».








Tão sensível


Mandarem-me mails com fotos de outras raças de cães, dizendo que são mais giros que o meu.
Se no primeiro, apeteceu-me mandar à merdinha, no segundo, já me apeteceu mandar ao caralhinho.

Pardon my frech...

Cada um tem aquilo que merece


e ao constatar que no nosso pais, as pessoas estão mais preocupadas com a gaffe dum primeiro ministro demissionário, do que com a mensagem em si, leva-me a crer que merecemos o que vem ai.
Alias, ninguém sabe o que vem ai, o que significa o FMI, mas todos viram já no youtube o engenheiro preocupado com a sua imagem.
Eu devo andar a ver muito Brothers & sisters e o marido político da Ally McBeal, mas se me dissessem que tinha sido de propósito, como manobra de diversão, não me admirava nada. E nos todos a cair que nem uns patinhos. é uma teoria rebuscada, mas não tem sido este governo, também, muito rebuscado?
Hoje, a noticia sobre o FMI na primeira capa dos jornais é um pouco mais pequena, só porque aquilo que as pessoas vão mesmo ler é a descrição dum primeiro ministro vaidoso e mais preocupado com a imagem. Houve um jornalista que teve que escrever um pouco menos sobre as implicações duma coisa muito seria como esta ajuda externa, porque teve que guardar espaço para a futilidade que as pessoas vão efectivamente ler e, efectivamente, comentar e, efectivamente, querer saber.
Alguém sabe quanto vão aumentar os impostos, quais vão ser os cortes na função publica? E os despedimentos, vão ser mesmo para cortar os jobs for the boys ou pelo meio vai quem ate era produtivo? E alguém quer saber?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ninguem acerta


O meu colega espanhol escreve Valti.
Os camones dos irlandenses escrevem Balthi ou Balthy. Qualquer dia pensam que chamei a cadela Lyonce Viiktoria.
Olha, ate nem esta mal pensado. Mal lembrado.

Quem é que esta farto da Balti?



Eu não!
Cada dia é uma novidade.
No primeiro dia não queria nada comigo, estava triste triste por ter saído da ninhada. Acho ate que os olhos dela revelavam ódio.
No segundo dia, abanou timidamente a cauda.
Hoje já abana freneticamente a cauda quando me vê, já chora quando não lhe dou atenção, já ladra (e os agudos que esta miúda atinge?), já brinca (já destruiu um dos brinquedos) e faz uma dança gira entre a caminha dela e o sofá, porque quer colo e acha que colo é no sofá.
A Balti é linda!

Perolas do meu colega espanhol#5


te doy un pollazo en la cara.

(como hei eu de traduzir pollazo?)

terça-feira, 5 de abril de 2011

E esta, hein?


A mete-nojo-cor-de-rosinha veio convidar-me para sair com ela e as amigas delas este sabado.

Fico na duvida como deveria terminar a frase anterior, se com um grande ponto de exclamacao, reticencias ou um ponto de interrogacao.

O blogue ao serviço da blogger


Malta que tem ou já teve ou entende muito de cães, eu nunca tive um cão na vida, preciso de todas as dicas que possam dar.

A Balti tem dois meses, é minúscula, vivia num canil ao lado dum estábulo, pouco habituada a pessoas.

Obrigada.

A Balti é linda!


Eu não queria escrever só sobre a Balti, mas não da. Esta experiência esta a ser uma autentica caixinha de surpresas e a Balti é extraordinária (todos dizem isso dos seus próprios cães, não é?)
A Balti da manha de ontem já não era a mesma Balti de ontem a noite.
Ensinaram-me que deveria pegar nela e po-la a ouvir o meu coração, para conseguir acalma-la e fazer com que confiasse mais em mim.
E não é  que resulta?
Depois dessa experiência, deixei de ter uma Balti que não saia da sua caminha, que punha o rabo entre as pernas quando me via e sempre triste, triste, triste, para passar a ter uma Balti que agora me segue para todo o lado, que abana o rabo e faz uma dança com as patinhas de tras, assim que me vê, uma Balti cheia de energia e, parece-me a mim, muito mais feliz.
A desvantagens desta experiência, é  o facto da Balti agora não querer mais nada. Peguei nela e sentei-me no sofá. Depois de ouvir o meu coração, cheirou-me toda e adormeceu. Neste momento, assim que me sento no sofá, tenho uma Balti toda pespineta, a exigir colo. Fica irritada e (a formiga já tem catarro) ladra (o ladrar dela é  qualquer coisa, parece um daqueles apitos de um boneco de plástico).

A Balti é  linda e eu estou tão babada.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

E o aperto?


que eu sinto no meu coração, por ter deixado a Balti sozinha?

Aranhas no Paquistão.




Impressionante, não?
Parece que as aranhas refugiam-se nas arvores para fugir às cheias.
Ainda reclamo eu das minhas aranhitas na Irlanda. Cruzes credo.

A Balti

Apesar de parecer repentina, a decisão de ter um cão não foi tomada de ânimo leve.
Claro que quero ter a parte boa, a companhia, as brincadeiras, mas tenho consciencia (ou já tinha) que isto nem sempre será fácil.
Uma vez encontradas possiveis alternativas à aerlingus, que é a unica companhia que faz voos directos Lisboa-Dublin e não transporta animais de estimação, não pensei duas vezes e trouxe a Balti para casa.
Estes dois primeiros dias não têm sido faceis. O desafio começou nos primeiros 5 minutos de viagem, quando a Balti, enjoada com tanta curva e contra curva, começou a vomitar.
A Balti veio directamente da ninhada, pelo que esta mudança começou por deixá-la muito infeliz e muito zangada comigo.
Hoje, segundo dia, o ódio já lhe tinha passado um bocadinho, mas continuava triste e, agora, cheiínha de medo de mim.
Esteve um dia e meio sem comer e quase sempre com o rabinho entre as pernas.
Às 18h, consegui que comesse e, a pouco e pouco, começo a notar diferenças no seu comportamento.
Pouco sai da sua cama. Assumiu esse como seu território. Mas começa já a brincar com os seus brinquedos.
Adorou um pedaço de plástico com uma corda, que me custou menos de um euro. O meu coração sente um peso um pouco menor ao vê-la contente e confortável o suficiente para brincar.
Tornou-se inseparável do senhor plástico. Expulsou todos os outros bonequinhos da sua cama, mas sem o senhor plástico, já não vive.
E eu, passei a perceber um bocadinho melhor uma mãe que acorda só porque o seu bebé perdeu uma chucha.
Com as suas voltas e mais voltas durante o sono, o senhor plástico enfia-se entre a cama e a almofada da cama e ela deixa de o ver. É uma choradeira pegada.
São 2h40 da manhã e estou acordada porque tive que ir dar à Balti o seu brinquedo. Ao aproximar-me, em vez de do habitual rabinho entre as pernas, vislumbrei um ligeiro abanar de cauda e isso valeu por tudo o resto!









sexta-feira, 1 de abril de 2011

Raisparta este país

Depois de ter resolvido um montão de coisas para poder acolher o Balti, de ter arranjado quem me ficasse com ele durante as viagens de trabalho, de ter encontrado, também, um hotel para cães, de confiança e em conta, de ter negociado com o senhorio a clausula do contrato que não permite animais de estimação, de ter descoberto quem tem um Balti para dar, eis que descubro que não há uma puta de uma companhia aerea, que viaje directamente para Portugal, que permita o transporte de um animal de estimação.
Raio de país onde nem um cão posso ter!



Queria tanto tanto tanto

Ja tenho nome e tudo. Balti!

Dieta na Irlanda

Fazer dieta na Irlanda e' um verdadeiro desafio.
Ontem, na cantina, tinha duas opções de escolha. Beef moussaka (eu também não sabia o que era, por isso deixo-vos a foto) ou umas chapatas que, a primeira vista, tinham um ar saudável (apesar do pão).


Olhei para aquilo e, pareceu-me que tinha, só, rucula, tomate, queijo fresco e cenoura ralada. A cenoura ralada afinal era queijo. Também vou por foto, para se perceber o erro.


 Bem escondido, no meio das coisas saudáveis, tínhamos umas tirinhas de bacon e, para complementar, um molho castanho agridoce, que eles aqui comem com tudo e que eu odeio.
Não só ingeri calorias como não retirei nenhum prazer desse facto. Raios. Já que e' para engordar, que seja com prazer.
 
Como, agora, só como sopa ao jantar, resolvi pesquisar sopas novas. Há 5 meses que, em casa, só como sopa de alho francês. E' a minha preferida, a única que sei fazer e alho francês, não só e' dos poucos legumes que sei dizer em inglês (leek) como e' facilmente identificável no supermercado.
Precisamente, por ainda ter esta dificuldade com os nomes em inglês e também em encontrar certos alimentos no supermercado, resolvi pesquisar na net receitas em sites irlandeses. Fui ao forum bimby cá do sitio (aqui chama-se thermomix) e só encontrei sopa de tomate (não consigo) ou com umas sementes cujo o nome não sei em português ou com frango ou outro tipo de carne. E todas, mas mesmo todas, com caldo Knorr.
Alguém sabe como se diz agrião em inglês?

Osegundo dia de caminhada

Doem-me os calcanhares.
Tenho que arranjar uns ténis que não me estejam largos.