terça-feira, 30 de abril de 2013

Este post é capaz de ser um bocado secante, é passar à frente, sff

Conhecer alguém traz-nos um mar de possibilidades. Nas primeiras semanas, em que nada é peixe, nem é a carne, são as melhores. Dizem que é o frio na barriga, o arrepio na espinha, as borboletas no estomago. A ignorancia. Não ter a certeza quem aquela pessoa é, não saber o que nos vai ser, quando começa já a ser nossa. A fantasia, a possibilidade, a oportunidade. Poder começar de novo. Poder ser melhor. Poder dar o melhor. Conhecer outro, enquanto nos vamos conhecendo a nós próprios. Poder dar a mão, um abraço, uns beijinhos. Talvez ser feliz, talvez assim-assim, talvez não.

Os primeiros momentos podem levar a muitos desfechos e, a mim, romantica incurável isso fascina-me. Vivo o momento a cem por cento e dou ali tudo de mim. Escrevo posts, mando mensagens, espero atenção. Apaixona-me a ideia de me apaixonar.

Felizmente (ou, como diria a minha avó, infelizmente) sei o quero e não quero pouco, nem poucachinho. Quero emoção, quero desejo, quero paixão. Os primeiros tempos são os melhores, porque antecedem o desfecho. Bom ou mau.

Não é fácil tomar a decisão de se ficar sozinha. Deixamos um pouco de nós a quem nos damos, deixamos um pouco dessas nossas esperanças quando nos vamos (raisparta a rima). Também vamos ter saudades, também nos tocará a solidão.

Dizem que as pessoas não surgem nas nossas vidas por acaso. Talvez. A ti, que me surgiste do nada e do nada me seguraste na mão, te agradeço. E te deixo. Deixaste-me sentir essa coisa da electricidade que só passa entre determinados corpos. Relembraste-me e libertaste-me. É isso que quero. Nem mais, nem menos.

 

Isto é um elogio?

Reacção de alguém que, até á data, só me conhecia através de fotos em facebooks alheios:

- Tu, afinal, não és fotogénica.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mariquinhas pé de salsa

Diz que o discurso “ai Meu Deus, que tenho tanto medinho, e sou tão traumatizadinha e não sei se quero uma relação, mas vou apaixonar-me por ti e isto vai correr mal” está na moda.
Não sei se vimos isto nalgum filme, se lemos nalgum livro, mas cada vez oiço mais historias de gajas com este discurso.
Eu, e pinto a minha cara de preto, enquanto escrevo isto, já dei para esse peditório.
Pura perda de tempo. A mensagem que passa é a de que nos estamos já a justificar para as chamadas fora de horas, para as paranóias, para as inseguranças. No fundo, estamos a dizer que somos umas coitadinhas, que continuam a sonhar com o príncipe a cavalo que nos vem salvar. Estamos a pedir mais paciência, mais miminhos, mais mensagens. “tens que lutar por mim, porque eu sou bué da fixe/querida/o melhor que vais encontrar, mas andei com um sacana/os meus pais não me abracavam em miúda/era gorda na adolescencia e todos gozavam comigo” é mais ou menos o que se lê nas entrelinhas.
E depois, vai se a ver, armamo-nos em drama queens, mas vamos lá na mesma. Pelo caminho, já passamos a mensagem da coitadinha/chatinha.
Deixem-se de merdas. O que tem que ser tem muita forca. Só nos torna igual a todas as outras, quando o que queremos é ser especiais.
Já sabemos que vamos lá bater com a cabeça, já agora, que o façamos com estilo.

sábado, 27 de abril de 2013

Sou uma fraude

Nós queremos que eles nos tratem bem, que nos façam sentir especiais, que nos dêem atenção, que telefonem, que mandem mensagens, que digam que sentem a nossa falta, que gostam de nós, que façam um esforço para estar connosco, corram atrás, nos assumam, nos respeitem, nos sejam fiéis.

Trocamos tudo isso, num segundo, pelo arrepio na espinha.

 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Não importa a nacionalidade

Quando eles percebem que perderam o brinquedo, mesmo que tivessem já planeado deixá-lo na prateleira a apodrecer, mudam logo o discurso.

Pois eu, meus caros seguidores, be proud, mantenho-me firme.

Nem tudo é mau

De hoje em diante, sempre que alguém me disser que, em Portugal, nada funciona, vou contar esta história. Eu já sabia há muito que isso não era verdade e tentava dar exemplos, mas este parece-me mais flagrante.

O ano passado começou a nascer-me o dente do siso. Fui ao dentista que me recomendaram aqui, que me disse que o dito não esta numa boa direcção, mas que era melhor esperar para ver, antes de decidir arrancar.

Em Janeiro, deste ano, o dito começou-me a doer e lá voltei á dentista. Pois o dente nasceu na horizontal, em vez de nascer na vertical, o que significa que me rasga a bochecha e causa infecções. A dentista passa-me antibiótico e volta a dizer-me que talvez ainda mude de direcção, voltamos a esperar para ver.

O dito não me incomodou durante umas semanas e eu, na impossibilidade de ver o que por ali se passava, tive esperança que a tal direcção mudasse.

Volta a doer. Volto à dentista. Fico a saber que, na Irlanda, a maior parte dos dentistas não tem habilitações para uma extracção cirúrgica e que a coisa tem que se fazer por um cirurgião maxilo-não-sei-quê. Fico também a saber que custa 500 euros, se não houver complicações.

Liguei para o meu seguro de saúde para perceber se pagavam a coisa. Pagam, mas só se fores a um dos médicos com os quais têm acordo. Aliás, pagam parte, eu ainda teria que pagar 125 euros, se quiser fazer a coisa num hospital privado e não quiser esperar tipo 6 meses pela coisa. Depois de muitos telefonemas para o seguro, a secretária do médico e não sei quem mais, lá percebo que, para marcar a consulta, era necessário que o meu dentista mandasse o que eles chamam referência e que depois disso, ainda teria que ficar em lista de espera.

Volto ao dentista, trago nova receita para antibiótico e a garantia de que a tal referência estava a ser preparada para ser enviada no próprio dia.

Tive uma reacção ao antibiótico passados dois ou três dias. Uns dias de pausa e novo antibiótico.

As dores passaram e lá andei mais uns dias normal. Entretanto, começo a sentir um grande cansaço, as minhas colegas grávidas já a esfregarem as maozinhas, a achar que o meu terrível cansaço era igual ao delas. Lá me decidi a ir à enfermeira que temos lá no escritório. A gaja dá-me uns apertões na cabeça, no pescoço, no peito e eu vi estrelas. Tira-me a febre e descobre a causa do meu cansaço. Nova infecção causada pelo dente. É necessário novo antibiótico. Volto a ligar ao dentista e aproveito para perguntar como estava a história da referência, se achavam que ainda demoraria a ser chamada. Vão confirmar a data em que foi enviada e "ah! Peço muita desculpa, mas não foi enviada, houve um esquecimento". Puta que a pariu.

Pelo meio, tive todos os efeitos secundários de um antibiótico, inclusive uma infecção no pipi.

Hoje, tou aqui com a cara à banda, suscitando nos outros a dúvida se terei tido uma trombose ou estou só com uma paralisia facial.

Liguei para um dentista em Portugal. Segunda-feira lá estarei na sua cadeirinha, pronta para perder o siso de vez. Com todas as indicações necessárias para que me passe a dita paralisia facial até lá. O preço, esse, depende do que for necessário, mas oscilará entre os 50€ e os 120€.

E agora? Onde é que estamos mal?