sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Stranger kindness

Depois de uma semana a trabalhar cerca de 12 horas por dia, hoje deu-me um piripaque.

Isto de ser gaja não é fácil e diz que o cansaço extremo aliado a frustração, hormonas e outras porcarias que para aqui andam, costuma manifestar-se na forma de secreções ao nível dos sacos lacrimais. Sim, abri a torneira no meio do escritório. Para fugir à vergonha e tentar acalmar-me, que isto quando as torneiras se abrem é um ver se te havias dum rio que nunca mais acaba, corri para rua, para esfumaçar cigarros atrás de cigarros. Naturalmente, transeuntes que se deslocavam ao supermercado que fica mesmo depois das esquina, repararam. Who cares, antes eles que a malta do escritório.

Foi então que a coisa mais estranha aconteceu. Duas das pessoas que passavam, pararam. Um homem, ofereceu ali o maior número de piadas que lhe foi possível, uma senhora, sentou-se ao meu lado e ofereceu-me um abraço. A irlanda nunca pára de me surpreender. Dou a mão à palmatória.

 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Já te disse?

Gosto de ler. Gosto de me deitar cedo, para adormecer tarde a ler. Gosto de gelado de limão. Gosto de cerejas. Gosto de ti.

Gostos de banhos longos e quentes. Gosto de cantar alto quando ninguém me vê (ou ouve). Gosto de ti.

Gosto dos dias quando acordo cedo. Nunca gosto de acordar. Gosto de dormir a sesta à sexta à tarde. Gosto de ti.

Gosto de blocos e bloquinhos. Gosto de puzzles. Gosto de pintar, ainda que mal. E gosto de ti.

Gosto da Baltinhas. Muito muito muito. Ah, e já quase me esquecia, gosto de ti.

Afinal, aqui, também se fala de roupa

Hoje li um artigo muito interessante sobre o fato de banho ideal para cada corpo.

Ele é umas tiras de lado para a anca larga, folhos para peito pequeno, um sem número de truques para esconder ou realçar o pior e o melhor.

Descobri assim, que o meu fato de banho ideal... é nem sair de casa. Viver na Irlanda tem as suas vantagens.

 

Btw, menos 3 kilos. Vai buscar!

Para mais tarde recordar

Quando o dia te estiver a correr mal, tens um berbicacho para resolver no escritório, andas chateada com outras merdas e achas que nada pode piorar, lembra-te que pode. Podes chegar a casa, pronta para aquecer a postinha de salmão no microondas e deparaste-te com uma inundação que causou um curto circuito. A vida pode correr muito mal, mas se o chão estiver molhado e não tiveres televisão, frogorifico, aquecimento, água quente e internet, pode ser muito pior.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Noticias da Irlanda

Por mais anos que aqui se viva, este país consegue sempre surpreender. É verdade que só vivo há dois, quase três, mas já deu para perceber que cada dia há uma coisa nova, nem que seja uma chuvada de 5 minutos, num dia de sol. Aliás, minto, o que surpreende mesmo são 5 minutos de sol num dia de grandes chuvadas. Surpreende-nos o sol e o irlandês que imediatamente despe a camisa, busca os chinelos e corre corre corre para fazer um barbacue.

Sair à noite continua a ser o meu grande momento de estudo antropológico. Durante o dia, vejo as minhas colegas de camisinha abotoada, sapatinho raso, quase prontas para ir à igreja. Á noite... É vestir o calção mais curto, despejar a maior lata de laca na cabeça e borrar o baton mais vermelho. Se não houver calção, veste-se o vestido de gala. Aquele que se levou ao casório da prima da mãe.

Nas casas de banho dos pubs há sempre uma senhora com um carregamento digno do melhor salão de estética de Portugal. Não só a senhora está lá para ir mantendo a coisa limpa, passar-nos o papel para limpar as mãos, como fornece desodorizante, perfume, pastilhas e, nos melhores pubs, preservativos.

Depois do fim-de-semana, há sempre fotografias marcantes a circular no facebook. Ele é gordas a engolir miúdos, ele é gajos desmaiados no chão, miúdas a fazer chichi para os caixotes de lixo no meio da rua. Este fim-de-semana, depois de um concerto de Eminen, circulou uma fotografia de uma miúda a fazer sexo oral a um ruivinho, no meio do concerto. Só classe, esta Irlanda.

E o melhor disto tudo é o bem que nos pode fazer ao ego. Primeiro, uma pessoa sente-se logo magérrima quando vê as vestimentas, depois, há uma espécie de jogo "passa a outra e não à mesma", que garante atenção masculina. Podes ter sido a décima tentativa do gajo, mas bolas, you still got it.

Se fores ao Coppers, o kaxaça cá do sitio, e levares uma palmada no rabo, não haja dúvidas, o gajo esteve ali a escolher. O teu foi o merecedor de tamanha atenção. O pontapé que lhe deste naquele sitio, foi carinhoso. Obrigadinha, toma lá a outra face.

Finalmente, há que admitir, a ganga aqui tem outra resistência. Outra loiça.


 

 

 

 

You make me happy

Se te escrevesse, contar-te-ia que há pessoas que me apaixonam. Não dessas paixões que envolvem beijos e sexo e essas coisas todas que tornam tudo tão confuso. Não paixões dessas que envolvem exigências e compromissos e actos socialmente incutidos.

Se te escrevesse, explicar-te-ia essas minhas outras paixões. Por objectos, projectos, livros, pessoas. Pessoas em geral. Pessoas em particulares.

Se te escrevesse, dir-te-ia que também há paixões por olhares, por empatias, por aquelas frases que só duas pessoas entendem. Há paixões que surgem só do facto de podermos ser nós próprios. Só por esquecermos tudo o resto, o trabalho, o gajo que nos deu com os pés, os quilos a mais, até as dores nos pés. Há paixões por coisas, pessoas, animais que, simplesmente, nos fazem felizes.

Se te escrevesse, confessar-te-ia que vou sentir a tua falta...

domingo, 11 de agosto de 2013

Descoberta do dia

Os cães, quando estão ávidos de atenção, ficam felizes mesmo que a atenção dada seja para ralhar.

Também há pessoas assim.

 

Geração youtube

Através do youtube já aprendi:

- a cortar o cabelo a mim própria;

- a montar uma cama sozinha;

- a ensinar a cadela a deitar e a rebolar;

- truques vários de maquilhagem;

- quase quase a arranjar uma televisão (não me atrevi);

Claramente, não aprendi a arranjar as sobrancelhas.

Quanto tempo é que esta porcaria leva a crescer? Que é como quem diz, quanto tempo vou ter que ficar escondida em casa?

 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dá para parar?

Primeiro foram os electrodomésticos todos da casa onde vivo, agora os da casa da qual sou proprietária. Tudo avariado.
E isto é uma chatice, é que para avariada, já basto eu.

Superstições e crenças

Não sou uma pessoa supersticiosa ou religiosa. Acredito muito pouco. Não tenho problemas com gatos pretos, não leio horóscopos, nem sequer sei rezar.
No entanto, acredito que as pessoas precisam de acreditar. E acredito em várias fés. Há quem precise de acreditar num Deus que as guia, há quem precise de acreditar num amigo que dá um conselho, há quem precise de acreditar num sistema de saúde ou no seu próprio sistema imunitário, há quem acredite num livro que dita as regras, há quem acredite em medicinas alternativas ou bruxarias. O efeito placebo é uma coisa muito poderosa e o simples facto de acreditar é algo que torna as pessoas mais optimistas, mais confiantes, mais fortes.
Um colega meu trouxe-me um amuleto do seu país. Inicialmente, pensei que aquilo era um porta-chaves. Uma cena de metal, com um olho pintado. Quando ele me explicou que aquele suposto olho era, no seu país, visto com uma fonte de protecção e uma forma de afastar as más energias, pensei que ia agradecer muito e enfiar aquilo numa gaveta. Entretanto, ele explicou-me também porque é que das 300 pessoas que trabalham naquele escritório, eu era aquela a quem ele fazia questão de fazer tal oferta e que aquela era, para ele, uma forma de me proteger. Comovi-me um bocadinho. Acabei por pôr o amuleto na minha mala. Mal não faria e também não ocupava assim tanto espaço. Raramente me lembro que tenho aquilo na mala, mas volta e meia, enquanto procuro um isqueiro, uma pastilha ou umas das mil e trezentas coisas que levo na mala, encontro-o. E ajuda a renovar um bocadinho aquela que sempre foi minha fé. A fé em mim mesma.

domingo, 4 de agosto de 2013

Sex and the city

Um amigo meu andava num dilema amoroso com uma miúda. A miúda era duma religião dessas que nos são estranhas e que impõem regras pouco ocidentais. Nós, os amigos, achávamos que ela estava mesmo a fazer-se ao piso. O meu amigo tinha problemas morais, porque ela também tinha deixado o namorado lá na terrinha dela. Eu achava que ela precisava dum passo da parte dele para largar tudo. Que estava desesperada para isso. Os gajos diziam que ele era um coninhas, que se fossem eles já lhes teriam feito e acontecido e outras coisas com mais detalhe, que proferem quando se esquecem que eu estou ali ou que não sou um deles. Diziam que se não fosse ele a fazer-se homenzinho, seria outro qualquer.

Ela mandava-lhe mensagem as duas manhã. "Ai que quero estar contigo, ai que não posso, ai que me vou arrepender, ai a minha religião, ai que já quero outra vez". Cada um nós mantinha a nossa teoria e o nosso amigo mantinha a conversa sem passar à acção.

Afinal, os gajos tinham razão. Não resolveu ele o assunto, ela arranjou quem resolvesse. Mas não outro, como se esperava. Afinal, foi outra. A miúda da religiãozinha virou lésbica ou bi ou seja lá o que lhe convenha.

E ainda eu me queixo que a minha vida amorosa é complicada. A isto é que eu chamo ramadão.

 

Domingo de manhã

Acordei a horas indecentes, para um Domingo de manhã, como esta a que vos escrevo. Acordei com os vizinhos a discutir. A gaja está histérica. Só a oiço a ela. Faz elevações e entoações de voz dignas de um teatro de Shakespeare. Imagino-a a levar a mão à testa, em tom dramático. Afinal, sou normal.

sábado, 3 de agosto de 2013

Bbbbbbb

Ontem tive saudades tuas. Tenho sempre, como bem sabes, mas ontem lembrei-me de como, ás vezes, entravas por aquele escritório a dentro, qual furacão, e nos levavas a todos á frente, com o teu entusiasmo. Saudades de quando se entaramelava a língua por teres tanto para dizer, saudades de quando tinhas uma ideia e passados 5 minutos, ali a tinhas, num powerpoint de primeira categoria. Saudades dessa tua generosidade, cujo o exemplo que uso é a do estoril open, mas que podiam ser tantos, tantos. Saudades de quando apostavas "se ela quer, consegue". Saudades das noites regadas a vodka e whisky.

Ontem tive um bocadinho mais saudades tuas, porque o mundo é pequeno e cruzei-me com alguém, nesta Irlanda, que te ouviu os briefings preparados com tanto detalhe e empenho, que só os tinhas dado por terminados, ás 4h da manhã, do dia anterior. Alguém de quem, muito possivelmente, nem te lembras, mas que não se esqueceu de ti e te admira. Alguém que me contou isto, sem saber que somos amigas.

Ontem tive saudades tuas. Depois conto-te o resto. STF. Bbbbbb

Noves fora nada

Os meus trezentos e tal amigos ou conhecidos no facebook ou na minha vida menos virtual, trataram-me, durante 100% do tempo, como uma pessoa. Não puseram nem dispuseram a seu bel prazer, "hoje apetece-me isto, amanhã nem te dirijo a palavra". Todos os outros, que tenham entrado no meu mundo real ou virtual, foram eliminados. Essa foi a minha epifania. Sou gente e não aceito, nem que seja por breves instantes, que me tratem abaixo disso. Espero, assim, esclarecer qualquer dúvida pendente.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Menos é mais

Não sou perfeita. Também cometo erros. Também me arrependo de coisas. Ás vezes sou mesquinha, outras teimosa, às vezes tenho só TPM, que é um "só" que vem tudo e tudo leva à frente.

Tenho o meu lado negro. Tenho o meu lado ressabiado quando me sinto injustiçada, rejeitada ou outra coisa qualquer terminada em "ada", que agora não me estou a lembrar.

E para contrabalançar este post podia dizer que também tenho mil e uma qualidades. Temos todos. Afinal, sou só humana. Igual à maioria (há sempre alguém melhor, há sempre alguém pior). Eu, claramente, encontro-me na média. Não sou excepcional, também não sou horrivel. Sou o que sou. Já tive a minha fase adolescente complexada (talvez um pouco tardia), tenho dias maus, tenho momentos menos bons.

Sou igual a muitos de vós. Tão simples quanto isso.

Á noite, consigo deitar a cabeça na almofada. Sem pesos, durmo descansada. E isso sim, é mais do aquilo que muitos poderão dizer.