sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

À geração futura

Um dia a tua avó vai contar-te a história da carochinha. Vai convencer-te que aquele, o da carochinha, com o tostão, à janela, é o teu objectivo de vida. Convence-te que só te sentirás completa no dia que procriares em relação duradoura.

Um dia, vais desconfiar da tua avó. Vais achar que há outras coisas, vais querer estudar, realizar-te num trabalho das nove às seis, vais querer estar com os amigos. E vai chegar-te.

Noutro dia, sem que o descubras, vais ter o teu corpo a produzir hormonas, dopaminas, estrogénio e vais sentir um cabrão de um instinto que te fará partir em busca do macho alfa. O coktail de hormonas far-te-á sentir feliz, ou triste. Vais congratular-te por teres lido Eça e vais poder descrever as sinapses do teu corpo. Apertos no peito, falta de ar, vais flutuar ou vai doer. Imensamente. As putas das hormonas convencem-te que o mundo vai parar.

Se tiveres mais aptidão para as artes ou para as contabilidades, certifica-te que lês Darwin. E de caminho, lê o Francesco Alberoni e esses estudos americanos que provam que se fizeres não sei o quê uma vez por semana, és mais produtiva ou porque é que gostas de determinadas pessoas ou porque é que comes chocolates. Há para todos os gostos. Procura bem e encontras aquele que prova essa verdade que te convém.

Quando as hormonas te atacarem, não te vai servir de nada. Não saberás o que é dopamina, não saberás que é o instinto e vai doer de igual modo, como se não houvesse amanhã. Mas dar-te-à jeito quando fores para os copos com os amigos. Fazes um brilharete, convences que tens uma inteligência emocional do camandro e ocultas o que fizeste ao Joaquim Manel, na véspera.

E sobretudo, quando a coisa acalmar e te toldar menos a vista, vais-te lembrar que isto é só Natureza. E nem sequer é humana.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Do que este blog precisava

Era que eu me apaixonasse.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Happy days

Continuo na minha saga de ter 100 dias, seguidos, felizes. Sem dúvida, a coisa é interessante. Chego à conclusão que gosto mesmo é de tirar fotografias a objectos inanimados. Gosto muito de pessoas e devpaisagem. Não as sei fotografar. Uma chávena de chá, uma jarra diferente, um cigarro a arder num cinzeiro, isso sim apela à minha lente.

Continuo a cuscar o que faz os outros felizes. Vê-se muita coisa. Fotografias muito giras, fotografias assim-assim, fotografias nada de especial, mas até agora, aquela que realmente me marcou foi a duma pequena. Na verdade não era uma, eram duas fotografias. Um antes e um depois. Da depilação.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Can you be happy for 100 days in a row?

Resolvi aderir ao desafio 100happydays.com, que consiste em tirar fotografias, todos os dias, durante 100 dias, a algo que nos tenha feito feliz nesse dia. O meu principal objectivo era começar a tirar mais fotos, agora que tenho um desses telefones xpto, ao qual só falta fazer torradas.

Já tirei 10 fotos. 10 dias. E devo dizer que a experiência tem sido muito interessante, a vários níveis.

Primeiro, fui cuscar o que deixa os outros felizes. Fui cuscar o que andavam outros a publicar. Chego à conclusão que a comida faz as pessoas muito felizes. Depois, crianças e animais, também. Unhas pintadas é coisa que também se vê muito. E eu, que ando a tentar fazer da coisa uma cena mais artistica, não sou diferente. Só me faltam as unhas. Mas também têm andado roídas, por isso, é bem provavel que também chegue o dia que me façam feliz.

Diz que 70% das pessoas não conseguem chegar ao fim do desafio. Desistem a meio dessa coisa de todos os dias ter algo que as faça felizes. E eu, devo dizer, após 10 dias, que realmente a coisa não é fácil e já tive que me pôr a inventar. Acho que esse é o segundo ponto interessante do desafio. Isto faz com que andemos mais atentos a pormenores, para termos sempre a camera pronta. Faz com que nos forcemos a fazer algo por nós, nem que seja comer uma colherzinha de Nutella. Já me pôs a equacionar a possibilidade de comprar flores a mim própria. Porque flores me fazem feliz, eu acho que, do ângulo certo, pode dar uma foto fixe e não sendo algo que me ofereçam amiúde, porque não fazê-lo eu, a mim própria? Finalmente, também faz com que ponha outro esforço na coisa, para que, o que quer que seja que me faça feliz, tenha um aspecto agradável o suficente para ser digno de uma fotografia. Tem valido a pena. E quando se tem a cadela mais fofinha do mundo, isto dos 100 dias, é canja. É impossivel não ficar feliz quando se tem uma cauda quase a fazer levantar voo, quando se chega a casa.

 

Happy days!

 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Eu sabia!

Colega irlandesa - hoje, não estou tão cansada. Tomei um duche de manhã, acho que me despertou.

Eu, ingenuamente - costumas tomar duche à noite?

Colega irlandesa, como se do mais óbvio se tratasse - não. Não tomo banho todos os dias.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Talvez seja por isso

Eu, que de tanto ver, ouvir e viver, sou provavelmente uma das pessoas menos crentes nisso das relações e do amor, recuso-me, preponderantemente, a acreditar num amor não exclusivo.

E não digo isto por achar que há posse numa relação. Nada disso, por muito que eu veja pessoa incapazes de ser fiéis e ainda assim, jurarem, até a si mesmas, amor eterno pelo outro, não acredito nisso. Ou, talvez, não seja aquilo que quero para mim. Sou descrente porque acredito que tudo tem um principio, meio e fim e que a minha avó me enganou com os seus finais "felizes para sempre" e porque, infelizmente, sei o que quero para mim, mas nem se pode esperar o mesmo do outro.

Eu quero esse amor que nos corta a respiração, que faz tremer as pernas, que nos tira a fome, que nos tira o discernimento. Não quero o que está mais à mão, o que dá mais jeito, o que é mais cómodo.

Quero aquele que nos faz acreditar que nada mais há no mundo, que nos interrompe o pensamento nos momentos mais inoportunos, que nos dá uma sede insaciável do outro, de o ter por perto, de conhecer mais, de abraçar mais. Não quero o assim-assim, o não é assim tão mau ou que tem que ser.

Acredito num amor tão avassalador que não dá espaço para isso da exclusividade ou não exclusividade. Que nem nos deixa colocar questões tão filosóficas ou sociológicas.

Deve ser por isso que estou sozinha.