sexta-feira, 29 de agosto de 2014

E recomenda-se

Hoje perguntaram-me como ia a minha vida amorosa e a verdade é que, hoje, neste preciso momento, está óptima. E não, isso não significa que me tenha aparecido um cavaleiro andante. Estou sozinha. Mas feliz. 
Não estou a recuperar de nenhum desgosto, não estou a tentar conquistar alguém e sinto que todos os meus capitulos, nesse campo, se encontram bem resolvidos. Hoje, se me perguntassem ontem, talvez nem tudo estivesse tão resolvido, perguntem-me amanhã e logo veremos. Hoje é esse o estado de espirito. E é de aproveitar. Conhecer alguém que me provoque urgências, correspondidas ou não, é só uma questão de tempo, que a vida é mesmo assim. Nem vale a pena procurar, a coisa dá-se, acontece e não há nada a fazer. 
Por ora, estamos bem. Eu e ela, a vida amorosa. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Burro velho

Desde pequena que me convenci que se comunicar todas as palavras que há em mim, as pessoas vão entender-me e, sobretudo, gostar de mim. 
Elas há que usam a sua melhor mini-saia,  há as que dizem a melhor piada, há as que acreditam nessa história de prendê-los pelo estomago e as modernilhas, que se esforçam no sexo.
Longos textos, com o meu melhor vocabulário, a melhor pontuação (tem dias) em busca de validação. Acreditando, sempre, sempre, sempre que será o caminho para o encantamento.
Sempre acreditei que se disser, por palavras  bonitinhas o quanto gosto, a reciprocidade chegaria. Nunca chegou, nunca resultou, nunca foi.
E mesmo assim, não me calo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

É o que temos

A minha vida não é perfeita. Nem sempre sei qual a melhor roupa para vestir e muito menos tenho um corpinho fotogravável. 
Nem sempre o trabalho me corre bem. Há dias em que me apetece mandar tudo à merda e tenho um sonho em que me imagino a pegar na papelada toda, atirá-la ao ar e sair, como quem diz, agora desenmerdem-se. 
Não tenho filhos perfeitos, porque nem sequer tenho filhos. Tenho a cadela mais fofinha do mundo, que, na verdade, é uma mariquinhas pé de salsa, obcecada com a minha roupa interior, já usada.
Estou sempre apaixonada. É um defeito meu. Vivo bem sozinha, sou solteira por opção e também algum azar em conhecer pessoas certas. Não sei se por gosto, se por má sorte, tenho tendência para os amores impossíveis e as pessoas  indisponíveis. 
Este blogue, tal como a minha vida, não será nunca cor-de-rosa. Terá e tem dias.
Hoje está assim para o azul bebé ou cueca ou o que for fashion, actualmente. Só porque até estou bem disposta.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Quem é que ainda nao fez like?


Isto de ter um blogue

Enquanto estive arredada daqui, fiz umas tentativas de escrever num outro blogue. Uma coisa que fosse mais anónima. Foi por lá, que escrevi, inicialmente, o post que publiquei mais abaixo.

Ontem, enquanto cuscava o facebook vi que, alguém que, estando entre os meus amigos facebookianos, não deve nem sonhar que tenho um blogue (muito menos aquele, que durou tipo 5 minutos), partilhou o meu texto.

Eu não sei se consigo descrever esta sensação das palavras que deixam de ser nossas. Com que as pessoas se identificam, gostam e partilham. Mandar bitaites para aqui é fácil. Perceber que até podem ser alguma coisa de jeito, nem tanto. Emocionei-me. Esta merda vale a pena. Tanto.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Em qualquer lugar

O meu sitio preferido não é no Porto nem em Lisboa. Não é em Paris, nem no Rio de Janeiro. O meu sitio preferido é aquela curva, de quem vem do teu ombro e vai para a tua barba. O meu sitio preferido é onde me encaixo, onde sinto o teu cheiro, onde roço a tua barba e toco a tua pele. No meu sitio preferido, não chove, nem faz sol. Não faz frio, nem faz calor. Traz-me essa brisa entre o quentinha e o fresquinha, assim em inha, porque nos vem do peito enquanto nos arrepia. No meu sitio preferido há poemas no silencio, silencio nas palavras. O meu sitio preferido és tu em mim e eu em ti. Em qualquer lugar.

The dream

Aqui há tempos, li um post da Pipoca que contava que isto das relações, afinal,  é fácil. Nao me está a apetecer ir procurar o dito post, nem me lembro já das palavras exactas. Por algum motivo (na verdade, vários), ficou-me na memória. Na altura, acho que pensei que quando se tinha um conin… perdão, um arrumadinho, tudo devia ser muito fácil. Mas a verdade é que a gaja tem razão. Esta porcaria tem que ser mais facil.
Aqui há tempos estive com 3 amigas fantásticas. Lindas, inteligentes, com carreiras de sucesso. E com a auto-estima duma ervilha. Porquê? Por causa dum gajo qualquer que as acha exigentes, carentes, ou outra treta qualquer terminada em ente, que a ele nao lhe aprovinha.
Estamos tao habituados a que as coisas corram mal ou a fazer esforços hercúleos para chamar a atenção, conquistar e pardais ao ninho, que nos contentamos com pouquíssimo. E ainda nos culpamos por esse pouquíssimo não nos chegar para as nossas necessidades. A nossa capacidade para auto-culpar é inversamente propocional à capacidade para desculpar os outros e manter ali um limbo dum somos-não-somos-talvez-um-dia-sejamos.
Acho que um dos problemas reside também na forma como encaramos as coisas. Enquanto nos afectar mais a rejeição que o coracao partido, levaremos sempre tudo de forma demasiado pessoal. E nem sempre é. Simplesmente, nos calha na rifa, um gajo que não nos corresponde nos sentimentos. E que até gosta da nossa companhia, mas não está apaixonado. E a culpa não é nossa. Isto da paixão nao depende de se ser suficientemente boa ou não. Apenas é, sem explicações, sem racionalismos.
E é por isso que, na verdade, é fácil. Porque pessoas que gostam de nós existem. E nem sempre são cromos como os que me calham a mim. Quando também lhes achamos piada e se inicia o passo com um mesmo pé e o mesmo ritmo, é muito fácil.
Nao há gaja que seja paranóica, porque se sente segura. Nao há gaja needy, porque as suas necessidades estão  satisfeitas. Não há gaja que liga demais, porque também lhe ligam a ela.
E isto, dizem, não acontece só nos filmes. Será?
 
 
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Quem vai à guerra...

Desde que fiz Erasmus, que tenho a teoria que, no que diz respeito á relacao com o sexo oposto, a mulher portuguesa está a anos luz dessa coisa chamada emancipacao. Tanto em França, como na Irlanda, pude constatar que as gajas não têm problemas em tomar a iniciativa. Mandar uma mensagem, convidar para sair, dar o primeiro beijo. One night stands também não são um problema nem assunto tabú. Dormir num primeiro encontro, muito menos. Aqui, a mentalidade é “se quero, vou”, “se gosto, digo”, “se estou interessada, arrisco“.
Os meus amigos portugueses que já experienciaram interacções dessa estirpe com mulheres nao portuguesas, atestam a minha teoria. Segundo eles, as irlandesas são muito mais abertas que as portuguesas. No quarto, em si, talvez não, mas até lá chegar, fazem o seu trabalhinho de casa.
Também o homem português, em termos de mentalidade, me parece ser ainda muito conservador. Acham muita piadinha á abertura (salvo seja) das irlandesas, mas quando a coisa é para ser a serio, a conversa muda de figura. Por algum motivo que ainda não sei bem explicar, a primeira vez que o meu ex me tentou beijar, virei-lhe a cara. Estava mortinha por aquele beijo, mas não sei se foi por ele ter verbalizado a coisa, em vez de accionado, na hora h, virei a cara. Até me arrendi. Á segunda, já não me escapei. Meses mais tarde, o menino informou-me que esse virar de cara o tinha feito levar-me mais a serio e que foi nesse momento que decidiu que eu seria namorada e não outra coisa qualquer. Nem sonha que foi apenas uma coincidência parva…
Se por um lado dou por mim a achar que as não portuguesas é que têm razao e fazem elas muito bem, por outro, olho para as estatísticas, para os exemplos à minha volta e tenho as minhas dúvidas. Sou uma desbocada do pior e tenhotendência  para mostrar ao gajo que tenho interesse. Mas nunca fui capaz dum primeiro beijo. Tem que ser ele. E muitas foram as vezes que me arrependi de me dar á morte, com as minhas necessidades de verbalização. Ando ali num limbo, que nem me viro para um lado, nem para o outro.
Comportamento gera comportamento e femininismos á parte, a verdade é que gosto dum gajo que me abra porta, pague o jantar, ofereca flores, trate de mim como um ser indefeso. Procuro o old fashion. E se procuro o old fashion…não  deveria sê-lo, também?
 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

É mesmo isto, mas o MEC di-lo melhor que eu

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Burro velho aprende linguas

Aqui há tempos, um desses gajos por quem tive uma adoração enquanto me tratava abaixo de cão, disse-me que eu estava diferente, mais fria. E eu, que estava em vésperas de ter o periodo, desatei num pranto, que ninguém me calava.
Agora que me passou o desequilíbrio hormonal, percebo que o resultado daágua  mole, em pedra dura, fez com que eu um dia me fartasse dos maus tratos e fosse á minha vidinha, sem olhar para tras. Mudei para aquele rapaz ? Mudei. Amor com amor se paga e ele acabou por perder o meu respeito. Na verdade, tarde e a más horas. Mudei para os gajos em geral, armada em traumatizadinha ? A verdade é que não. Esse estado de adoração, enquanto me tratam mal ocorreu, não há muitos meses, bem depois do primeiro traste, acima descrito.
Mas mudei, a verdade é que sim, mudei. Nalguns aspectos, obviamente evoluí. Mesmo que neste blogue não se note, raios vos parta, que também não deixam escapar nada. Mas sinto saudades da ingenuidade. Esta porcaria é um desses clichés que "quando eu era nova é que era", e isso, então, é que me magoa. Quando é que eu entrei nesse mesmo trilho? Quando é que deixei de ter pressa em acordar, só porque um novo dia erajá  um mar de possibilidades ?
Infelizmente, a idade não me trouxe sabedoria. Trouxe-me desgostos.Não  aprendi, fiquei mais cautelosa. Nao evoluí, fiquei mais medrosa. E isto é triste. E há dias em que nos dá para isto das melancolias lamechinhas. Vem com a idade.
 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Coisas de gaja

Não tendo sido uma dessas adolescentes que sonham com o vestido branco, a cauda comprida e os sinos a tocar, não significa que não tenha fantasiado meu happily ever after.
Que atire a primeira pedra, a gaja quenão  passou muitos dos seus aninhos (se é que já não passa) a idealizar o paizinho dos seus futuros potenciais filhos e companheiro de uma vida. Lembro-me das minhas amigas falarem em loiros ou morenos de olhos verdes ou altos espaúdos. Só mais tarde percebi que havia uma forma fisica que me atraía mais. Mas em miúda, queria lá saber se eram loiros ou magros. Não por ser menos fútil que as outras, mas porque tinha só que ser giro e pronto. Entretanto, uma pessoa amadurece, tem uns namoricos, começa a perceber as coisas com que pode ou não conviver, mas nao deixa de idealizar. Que tem que ser inteligente, que tem que ter sentido de humor, tratar-nos bem, e mais uma data desses clichés, que isto anda tudo atrás do mesmo.
O mais provavel é vir um badameco qualquer sem metade das idealizações (alguma há de ter, caraças) dar-nos a volta a cabeca e cabo da auto-estima.
Nada disto é novidade, as histórias repetem-se e aposto que, neste preciso momento, há, por esse mundo fora, umas 500 gajas a apaixonar-se pelo traste que lhes piscou o olho.
O que me anda a atormentar mesmo mesmo é que raio acontece quando se conhece alguém que preeenche os tais requisitos todos, criados depois de uma vida vivida e o tal amadurecimento inerente, mas… (Há sempre um cabrão dum "mas") é feio. Ou não se veste como apreciamos. Ou sendo inteligente, bom sentido de humor, tratando-nos bem, tem pouco ou nada em comum connosco e com o mundinho que criamos á nossa volta. Continuamos a fazer prevalecer os requisitos de uma adolescente ?
 
 
 

Solteira depois dos 30

Com as minhas amigas, basta-me ir ao talho, para levar logo com um inquérito se o talhante era giro, solteiro, novo, interessante e pardais ao ninho.
Pronto, o homem do talho talvez seja exagero, mas quase que não há homem, que tenha o infortúnio de se apresentar num raio de dois metros de mim, seja colega de trabalho, vizinho ou amigo, para elas começarem logo a ver ali um potencial alvo das minhas investidas. 'Tadinhos...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Se não for do mal, é da cura

Tenho andado triste. A verdade é essa. Por vários motivos. Motivos que se encaixam ali uns nos outros, tornando o segundo mais difícil, porque existe o primeiro e por aí a fora.

Também me tenho sentido sozinha. São fases. Deixo os outros acreditar que se deve a esta mudança, ainda não conhecer muitas pessoas e essas tretas todas inerentes. Mas, na verdade, tenho passado muito menos tempo sozinha do que antes da mudança. A única diferença que ajuda a justificar esta solidão, prende-se com o facto de estar bastante menos ocupada no horário laboral e isso, sim, tem dado comigo em doida. Não só passo o dia a olhar para o relógio, sem ver o tempo passar, como me ponho a pensar em merdas que ganham uma dimensão astronómica, quando se tem demasiado tempo em mãos.

Escrevo isto, não para carpir as minhas mágoas. Isto é feito de altos e baixos e a fase dos altos há de chegar. Chega sempre. Escrevo isto para explicar a quem de interesse que aquilo que faz uns felizes, não anima outros.

Quem está a par das minhas agruras, tem-me dado muitos conselhos. Peço-vos desculpa, se estiverem a ler isto, eu sei que as intenções são as melhores, mas nem sempre as mais eficazes. Do leque de conselhos que recebo, há dois mais comuns e, por sinal, os que mais me irritam. Das duas, uma, as pessoas acham que tenho que me enrolar fisicamente com alguém ou tenho que ir beber copos, sendo que para muitos, para conseguir a primeira, há que fazer a segunda.

E eu acho que estas duas tarefas, se no contexto errado, podem ser das actividades mais solitárias que há. Enrolarmo-nos com alguém, só porque sim, só para tapar sol com a peneira, é mais solitário que ficar em casa a fazer uma maratona de anatomia de Grey, enquanto se come gelado da embalagem. Não contribui, em nada, para a auto-estima, estar-se com alguém, com quem não se está. No meu caso, que tenho o coração no pipi, o mais provável, seria acabar apaixonada por alguém que, à partida não me interessava e recomeçar todo um ciclo, já bem conhecido, neste blogue. Não me sinto, neste momento, minimamente preparada para actividades do coração. Sempre defendi, embora nem sempre o fizesse que, para me meter em cambalaches, preciso das minhas bases bem sustentadas. Já sou gaja com fraca inteligência emocional, preciso doutros mínimos.

Sair à noite é algo que, simplesmente, não me apetece. Não que queira ficar sozinha em casa, com peninha de mim própria, pelo contrário. Quero passear, conversar, conhecer. Não tenho vontade de sair com quase desconhecidos, com quem não conseguirei desenvolver uma conversa, dado o volume da música e do álcool. Por esta ordem.

Por isso, informo-vos, sair à noite e/ou trocar fluídos com sexo oposto (no meu caso) não é a cura para todos os males. Ás vezes, simplesmente, tem que se passar por estas fases, só para chegar à bonança.

 

É preciso amar o desamor

Ontem descobri este texto, escrito, diz, em 2007. E eu que o achei tao 2014.

"Deveremos tratar amorosamente o desamor, o desmame de um afecto. Cuidadosamente, como se fosse um vestido de cebola. O luto, o tirar e pôr a pele de lagarto, o retratarmo-nos, o sermos longe, distância, ontem o Pedro perguntava-me se as coisas que estavam muito longe eram muito pequeninas, viemos a filosofar pelo comboio, não, não são pequenas, apenas estão longe e a distância faz isso ao tamanho das coisas, das pessoas, torna-as pequenas, pontos na paisagem, lembro-me que sempre que uma antiga namorada me contava, ou eu vinha a saber, que ela tinha reconstituído a sua vida, o seu afecto, passava por mim uma suave sensação de desconforto, uma angústia, um simulacro de dor. E nada mudava com as circunstâncias. Não interessava nada se era eu ou ela que tinha terminado a relação. Não há protagonistas na dor de corno, no luto de um afecto. Lembro-me dos meus brinquedos que tinha deixado de usar, de lhes dar vida. Se íam parar á mão de um irmão logo eu descobria que ainda eram meus, que ainda queria fazer imensas coisas com eles, reinventá-los em mim. Não que as pessoas sejam construções de lego, ursos de peluche, carros de polícia, actions men's. Só que o facto de as amarmos como antes amámos as coisas, os brinquedos, desmonta-nos a nós em peças de amar, de odiar, de enciumar, de alindar. Não me importo com a minha dor de corno. Até lhe acho graça, penso, enquanto distraidamente coloco a sopa passada dentro dos copos de sumo. É preciso amarmos o desamor, laboriosamente descascar a cebola, rirmo-nos de nós mesmos. A poesia e a luz que irrompe das pequenas maquinetas que somos,assim nos pede. "

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Still learning

Amiga: O rapaz era mesmo giro e mesmo simpatico. Era bom para ti.
Eu: Naaa... Era muita areia para o meu camiao.
Amiga: Nunca! Nem que tenhas que dar duas voltas.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Giras que dói

Nos últimos meses, algumas das minhas amigas recomeçaram novas relacoes amorosas. Umas que vinham derelações  abusivas ou desastrosas, outras solteironas, ja há uns tempos, todas com histórias e desenvolvimentos diferentes, mas todas com dois factos em comum, as coisas estão a correr bem e ficaram (nalguns casos, ainda) mais giras. Juro.
Esta mudança estética fez-me tirar duas conclusões.
Em primeiro lugar, está provado que o sexo faz um bem à pele que é uma maravilha.
Em segundo lugar, a auto-estima é, dúvidas houvesse, uma arma poderosa. E é aqui que a porca torce o rabo. Contra mim falo, que tambem eu já vi, em vários campos da minha vida, tanto profissionais, como pessoais, a minha auto-estima quase se destruir, por causa de outros, assim como, também nos dois campos, já me deixaram a sentir que era a maior da minha rua. Sabendo que o ser humano é um bicho com capacidades que a razão desconhece, boas e/ou más, assusta-me esta influência capaz de se fazer notar de forma física. Em contraste com o poder da auto-estima, a necessidade de validação é lixada. E está cá. Mais presente nuns que noutros, mas anda por aqui e impacta, em grande escala, a nossa vida. E a nossa imagem.
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Depende

Confesso que tenho tido várias dúvidas sobre se devo ou não voltar a este espaço. Tenho andado meses, acho que até, talvez, um ano, com ameaças de deixar isto de vez ou voltar de vez.
Criei este blogue dois meses antes de me mudar para a Irlanda e, em muitos momentos, foi o meu porto seguro. Por outro lado, como tudo aquilo que implica uma exposição, também me deixa, muitas vezes, vulnerável, o que, em tempos idos, me trouxe algumas agruras.
Mas, aquilo que me atormenta mesmo, mesmo, é a possibilidade de voltar ao mesmo. E voltar ao mesmo tem dois lados duma mesma moeda.
Nos últimos dois meses, mudei de casa, de cidade, de entidade empregadora e de funções. Estando no mesmo país que me acolheu há 3 anos e meio (já ?), encontro-me num local totalmente diferente, a desempenhar funções que nunca tinha feito na vida e longe dos amigos que fui fazendo nos vários pontos que habitei.
Depois de um Erasmus, uma mudança para a irlanda e de, agora, uma mudança cá dentro, aprendi que quando se muda, tudo o que muda, efectivamente, é paisagem.
Mantém-se o amigos, mantém-se os valores, as competências, os traumas, asinseguranças  e os vícios. Na essêncianão  se muda. E se é bom perceber que nao estupidifiquei (conheço casos), é assustador perceber que se cometem erros uma e outra e outra vez. Que se procura o mesmo. Que se chora o mesmo.
Na minha vida académica, vários dos meus professores, o das ciênciasnão  exactas, diziam-nos que a melhor resposta para uma qualquer incógnita é um "depende". O sucesso está no desenvolvimento e no argumento.
Neste momento, é assim que se encontra o meu blogue, o meu trabalho, a minha vida. No depende. Falta o desenvolvimento.